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Belo Monte pode ter pesos-pesados
23/04/2010
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=70410
Governo e Eletrobras querem fortalecer consórcio vencedor do leilão<BR><BR>
<P>Até 23 de setembro, o governo e a Eletrobras vão tentar convencer algumas empresas a entrar no consórcio vencedor do leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, realizado na terça-feira. O plano é conversar com pelo menos três grupos pesos-pesados de capital nacional - CSN, Gerdau e Braskem.</P>
<P>O governo teme que algumas empresas do consórcio vencedor desistam do negócio por causa do lance de R$ 77,97 por Megawatt-hora (MWh) feito no leilão, considerado pelos sócios agressivo demais e, portanto, com retorno muito limitado.</P>
<P>Novos sócios são bem-vindos, desde que aceitem os parâmetros dados. Ainda que ninguém deixe o grupo, no mínimo ele mudará com a entrada da Eletronorte e de uma indústria, que terá que responder por 10% do consumo da energia assegurada usina - de 4.571 Megawatts.</P>
<P>O consórcio Norte Energia, vencedor, é composto por Chesf-Eletrobras (49,98%), 4 (10,02%), Gaia Energia (10,02%), J Malucelli (9,98%), Galvão Engenharia (3,75%), Mendes Junior (3,75%), Serveng-Civilsan (3,75%), Contern (3,75%) e Cetenco (5%). Perderam Neoenergia, Andrade Gutierrez, Vale e Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).</P>
<P>Enquanto o grupo perdedor apresentou preço apenas R$ 0,10 abaixo do teto de R$ 83 por MWh, o vencedor teve lance 6,02% abaixo do limite máximo.</P>
<P>Após o anúncio da vitória, porém, não foi consensual a felicidade entre os componentes do consórcio Norte Energia. Antes do resultado, o sócio de uma empresa do Norte Energia confidenciou a um colega na sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que perder não seria mal. "Se ganharmos, aí é que haverá um problema", disse ele.</P>
<P>A conclusão se daria pelo fato de o preço definido para tarifa apresentar taxa interna de retorno bastante reduzida, principalmente para os padrões privados. Após o resultado anunciado, o diretor de Engenharia da Chesf, José Aílton de Lima, disse que a Queiroz Galvão "pediu uns dias para pensar" na participação.</P>
<P>Na Casa Civil, porém, a análise seria de que se trata de pressão das empresas, que, em vez de querer desistir do projeto, estariam pleiteando maior participação e garantias de que atuarão ativamente na construção da usina. Por isso, o governo ameaça indicando que Camargo Corrêa e Odebrecht ainda podem ser contratadas como construtoras da empreitada. O governo não descarta, porém, que algumas das empresas participantes do grupo vencedor vendam parte de suas cotas, até para ter já um lucro garantido com isso.</P>
<P>Lima, da Chesf, informou na entrevista coletiva após o leilão que os fundos de pensão também deverão integrar o consórcio. Petros, da Petrobras, e Funcef, da Caixa Econômica Federal, participaram das negociações para composição final dos dois grupos.</P>
<P>Para honrar o consumo de 10% da energia gerada em Belo Monte a partir de 2015, o grupo Norte Energia já fez sondagens com grupos industriais. A Gerdau teria se comprometido em fazer parte do grupo - e, por consequência, instalar uma planta nos arredores do rio Xingu (PA). Mas o consórcio ainda pode avaliar propostas de outras companhias do mesmo porte, como CSN e Braskem. Uma surpresa considerada seria se a Gaia, do grupo Bertin, anunciar investimentos que significassem consumo dessa energia.</P>
<P>A entrada de novos grupos também daria maior musculatura financeira para o consórcio vencedor. Quanto melhor for a capacidade financeira dessas empresas e o desenho elaborado para a construção, melhores serão as condições de crédito do BNDES, que financiará até 80% do empreendimento, previsto oficialmente em R$ 19 bilhões.</P>
<P>Lima, da Chesf, não informou qual a previsão de custo da obra para o Norte Energia, mas assegurou que, com o lance apresentado, é possível construir a usina e ter lucro. Pelo resultado do leilão, o consórcio receberá em 30 anos receita de R$ 62 bilhões, referente ao 70% da energia gerada a ser vendida no mercado cativo. É com os 30% restantes que o consórcio buscará elevar ao máximo sua receita anual.</P>
<P>Segundo relato de presentes, o consórcio Belo Monte Energia sofreu uma cisão momentos antes de apresentar a proposta. A Vale e as estatais teriam indicado que aceitariam tarifa menor, na linha da apresentada pelos concorrentes. Mas a CBA e a Neoenergia não aceitaram a revisão. No caso do Norte Energia, a adoção de ágio de 6% foi preponderante, embora tenha suscitado críticas.</P>
<P>O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que, em hipótese nenhuma haverá readequação econômico-financeira da controladora de Belo Monte. "Se for bom, é bônus do construtor, se for ruim, é ônus do construtor."</P>
<P><FONT size=1>(Danilo Fariello)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(Valor Econômico, 22/4)</FONT></P>
<P>Até 23 de setembro, o governo e a Eletrobras vão tentar convencer algumas empresas a entrar no consórcio vencedor do leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, realizado na terça-feira. O plano é conversar com pelo menos três grupos pesos-pesados de capital nacional - CSN, Gerdau e Braskem.</P>
<P>O governo teme que algumas empresas do consórcio vencedor desistam do negócio por causa do lance de R$ 77,97 por Megawatt-hora (MWh) feito no leilão, considerado pelos sócios agressivo demais e, portanto, com retorno muito limitado.</P>
<P>Novos sócios são bem-vindos, desde que aceitem os parâmetros dados. Ainda que ninguém deixe o grupo, no mínimo ele mudará com a entrada da Eletronorte e de uma indústria, que terá que responder por 10% do consumo da energia assegurada usina - de 4.571 Megawatts.</P>
<P>O consórcio Norte Energia, vencedor, é composto por Chesf-Eletrobras (49,98%), 4 (10,02%), Gaia Energia (10,02%), J Malucelli (9,98%), Galvão Engenharia (3,75%), Mendes Junior (3,75%), Serveng-Civilsan (3,75%), Contern (3,75%) e Cetenco (5%). Perderam Neoenergia, Andrade Gutierrez, Vale e Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).</P>
<P>Enquanto o grupo perdedor apresentou preço apenas R$ 0,10 abaixo do teto de R$ 83 por MWh, o vencedor teve lance 6,02% abaixo do limite máximo.</P>
<P>Após o anúncio da vitória, porém, não foi consensual a felicidade entre os componentes do consórcio Norte Energia. Antes do resultado, o sócio de uma empresa do Norte Energia confidenciou a um colega na sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que perder não seria mal. "Se ganharmos, aí é que haverá um problema", disse ele.</P>
<P>A conclusão se daria pelo fato de o preço definido para tarifa apresentar taxa interna de retorno bastante reduzida, principalmente para os padrões privados. Após o resultado anunciado, o diretor de Engenharia da Chesf, José Aílton de Lima, disse que a Queiroz Galvão "pediu uns dias para pensar" na participação.</P>
<P>Na Casa Civil, porém, a análise seria de que se trata de pressão das empresas, que, em vez de querer desistir do projeto, estariam pleiteando maior participação e garantias de que atuarão ativamente na construção da usina. Por isso, o governo ameaça indicando que Camargo Corrêa e Odebrecht ainda podem ser contratadas como construtoras da empreitada. O governo não descarta, porém, que algumas das empresas participantes do grupo vencedor vendam parte de suas cotas, até para ter já um lucro garantido com isso.</P>
<P>Lima, da Chesf, informou na entrevista coletiva após o leilão que os fundos de pensão também deverão integrar o consórcio. Petros, da Petrobras, e Funcef, da Caixa Econômica Federal, participaram das negociações para composição final dos dois grupos.</P>
<P>Para honrar o consumo de 10% da energia gerada em Belo Monte a partir de 2015, o grupo Norte Energia já fez sondagens com grupos industriais. A Gerdau teria se comprometido em fazer parte do grupo - e, por consequência, instalar uma planta nos arredores do rio Xingu (PA). Mas o consórcio ainda pode avaliar propostas de outras companhias do mesmo porte, como CSN e Braskem. Uma surpresa considerada seria se a Gaia, do grupo Bertin, anunciar investimentos que significassem consumo dessa energia.</P>
<P>A entrada de novos grupos também daria maior musculatura financeira para o consórcio vencedor. Quanto melhor for a capacidade financeira dessas empresas e o desenho elaborado para a construção, melhores serão as condições de crédito do BNDES, que financiará até 80% do empreendimento, previsto oficialmente em R$ 19 bilhões.</P>
<P>Lima, da Chesf, não informou qual a previsão de custo da obra para o Norte Energia, mas assegurou que, com o lance apresentado, é possível construir a usina e ter lucro. Pelo resultado do leilão, o consórcio receberá em 30 anos receita de R$ 62 bilhões, referente ao 70% da energia gerada a ser vendida no mercado cativo. É com os 30% restantes que o consórcio buscará elevar ao máximo sua receita anual.</P>
<P>Segundo relato de presentes, o consórcio Belo Monte Energia sofreu uma cisão momentos antes de apresentar a proposta. A Vale e as estatais teriam indicado que aceitariam tarifa menor, na linha da apresentada pelos concorrentes. Mas a CBA e a Neoenergia não aceitaram a revisão. No caso do Norte Energia, a adoção de ágio de 6% foi preponderante, embora tenha suscitado críticas.</P>
<P>O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que, em hipótese nenhuma haverá readequação econômico-financeira da controladora de Belo Monte. "Se for bom, é bônus do construtor, se for ruim, é ônus do construtor."</P>
<P><FONT size=1>(Danilo Fariello)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(Valor Econômico, 22/4)</FONT></P>