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China investe mais em pesquisa e inovação

19/04/2010 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=70310
País supera demais integrantes do Bric em recursos aplicados nessa área, aponta estudo divulgado em evento paralelo ao encontro<BR><BR>
<P>A China avança mais rápido do que os demais países do Bric tanto nos investimentos em ciência e tecnologia quanto no envolvimento do setor produtivo nos esforços de inovação, segundo estudo apresentado na quinta-feira (15/4) em seminário paralelo à cúpula do grupo, organizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).</P>
<P>Dados compilados pelo pesquisador Luiz Ricardo Cavalcante, da Divisão de Estudos Setoriais do Ipea, mostram que os investimentos chineses em pesquisa e desenvolvimento tecnológico passaram de cerca de 0,8% do PIB em 2000 para 1,44% em 2008, último dado disponível. No período, o Brasil foi de 1% para 1,09%, recuperando-se de queda para 0,8% em 2004. Os investimentos russos subiram no início da década, mas voltaram a cair. A Índia ficou estagnada até 2006.</P>
<P>A vantagem da China é mais clara porque o país cresceu à média anual de 8% na década recente - os gastos absolutos também ficam maiores.</P>
<P>"Isso não é trivial", disse Cavalcante. Porém, afirmou, a marca brasileira é superior à da maioria dos países em desenvolvimento. Argentina e México, por exemplo, investem menos em aprimoramento tecnológico.</P>
<P>Ele mostrou ainda que a China chegou ao padrão dos países ricos quando se mede a participação das empresas -privadas, públicas ou mistas- nos investimentos em pesquisa. Enquanto no Brasil 52% deles ainda são bancados diretamente pelo governo, entre os chineses essa proporção caiu para 25%.</P>
<P>No seminário, com representantes de centros de estudos dos quatro Brics, concordou-se em que é difícil medir, em curto prazo, o resultado efetivo das políticas pró-pesquisa.</P>
<P>Desde os anos 90, o Brasil criou fundos setoriais e incentivos fiscais e promulgou a Lei de Inovação (2004), a fim de aumentar a cooperação entre universidades e empresas. A participação brasileira em estudos chancelados pelo Instituto para a Informação Científica foi de 0,5% em 1990 para 2,5% em 2008, mas o percentual de descobertas depositadas no escritório de patentes americano não passa de 0,08%.</P>
<P>O indiano Rakesh Basant disse que a contabilização de patentes é instrumento "inadequado" para medir a inovação -EUA e Japão, por exemplo, exerciam proteção patentária muito antes do Trips (1994), o acordo multilateral sobre propriedade intelectual.</P>
<P>Basant disse que é importante ver a qualidade das inovações e a capacidade do país de avançar sozinho a partir do aperfeiçoamento de tecnologias existentes. De acordo com seus dados, China e Índia têm mais patentes registradas do que Rússia e Brasil, mas as descobertas destes últimos são mais citadas em patentes posteriores.</P>
<P>Ele avaliou que as capacidades tecnológicas dos três países são complementares e que a cooperação é possível. Energia foi um dos campos citados.</P>
<P>Zheng Bingwen, do Instituto da América Latina da China, avaliou que o desempenho de seu país ainda é "modesto". A meta é investir 2,5% do PIB em pesquisa até 2020, disse. "Toda crise é seguida de nova revolução tecnológica que será o motor da nova fase de crescimento. A inovação fica com a parte do leão nos planos do governo chinês contra a crise global."</P>
<P>Havia 17 chineses no seminário de dois dias do Ipea -eram 4 russos e 6 indianos. A comitiva de Hu Jintao na cúpula foi a maior dos três visitantes, ocupando dois hotéis de Brasília. Num deles, o país montou centro de informação para a imprensa, com três funcionários fluentes em português.</P>
<P><FONT size=1>(Claudia Antunes)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(Folha de SP, 16/4)</FONT></P>
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