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Ensino a distância cresce sob supervisão
16/03/2010
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=69625
Em 4 anos, número de matrículas sobe 563%; MEC fecha 5.613 polos<BR><BR>
<P>Modalidade regulamentada em 1996 -ao ser incluída na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-, o ensino a distância atrai cada vez mais estudantes. Especialmente os que valorizam o tempo economizado em deslocamentos e a flexibilidade para encaixar estudos no tempo livre.</P>
<P>Os cursos que mais atraem alunos são os livres (1 milhão em 2008), os de graduação (761 mil) e os de especialização (315 mil). No ensino superior, somam 13% das matrículas.</P>
<P>Segundo o MEC (Ministério da Educação), quem faz graduação a distância trabalha em tempo integral (61%) e completou o ensino médio em escola pública (67%).</P>
<P>Essa crescente popularidade permite a instituições de ensino ampliar o número de vagas sem significativo investimento na infraestrutura e oferecer cursos que custam 40% menos do que os presenciais.</P>
<P>"Com o crescimento, houve movimento predatório de competitividade na mensalidade", observa Carlos Eduardo Bielschowsky, secretário de educação a distância do MEC.</P>
<P>"Infelizmente há guerra econômica. Mas que tipo de apostila essa instituição [com preços muito reduzidos] irá preparar? Qual será a preparação do tutor que estará no polo?", questiona Fredric Litto, presidente da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância).</P>
<P>Para controlar a qualidade, o MEC -que credencia instituições que têm graduação e pós lato sensu a distância- supervisiona cursos e polos de apoio.</P>
<P>Desde 2008, 5.613 polos já foram fechados. Parte das instituições repassava a terceiros a responsabilidade pelo polo, o que é proibido por lei.</P>
<P>Com o controle, o crescimento desacelerou. Em 2009, o número de matrículas aumentou 7%, frente à porcentagem nunca inferior a 80% registrada nos quatro anos anteriores.</P>
<P>Fronteiras</P>
<P>O ensino a distância propõe um desafio. "Não é mais o professor ensinando, mas o aluno aprendendo", comenta Otacília da Paz Pereira, coordenadora do núcleo de tecnologias educacionais do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).</P>
<P>Mas a novidade ainda causa suspeição. Para Bielschowsky, a fragilidade do modelo está na superficialidade do material didático e da avaliação em algumas instituições.</P>
<P>"O receio tem diminuído à medida que universidades públicas passaram a adotar esse sistema, pois têm nome e peso no mercado", afirma Litto.</P>
<P>Boa parte dessa expansão ocorreu na rede pública: 38,3% dos alunos de graduação se matricularam em instituições públicas em 2008 -elas reúnem 33,5% dos alunos do modo presencial.</P>
<P>(Cristiane Capuchinho)</P>
<P>Diploma renomado reduz desconfiança do mercado</P>
<P>Mais velho e trabalhando em tempo integral, o aluno de graduação a distância faz o curso para melhorar sua empregabilidade. Só que pode esbarrar na desconfiança do entrevistador.</P>
<P>Para Fábia Barros, consultora de recursos humanos do Grupo Foco, o mercado tem resistências por não conhecer bem a modalidade. Para Gisele Andriotti, consultora da Ricardo Xavier Recursos Humanos, isso ocorre devido à descrença na avaliação das instituições.</P>
<P>O Ministério da Educação fiscaliza cerca de 80% delas. Em fevereiro, vetou vestibulares em 108 polos irregulares, que atenderiam a 10 mil alunos. Se ele chancela a escola, é ilegal discriminar o diploma.</P>
<P>Por isso a Justiça Federal obrigou, no mês passado, o Conselho Federal de Biologia a conceder registros profissionais a graduados a distância, vetados desde 2008 por questionamento sobre o método e a eficácia do curso.</P>
<P>"É uma questão cultural. Ainda não há muita gente no mercado para reverter essa situação", avalia Carlos Bielschowsky, secretário de educação a distância do MEC.</P>
<P>Seleção</P>
<P>Para Bielschowsky, a desconfiança deve ser amenizada com a oferta de graduação a distância na USP (Universidade de São Paulo), na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e na Unesp (Universidade Estadual Paulista). Todas estão no programa Universidade Virtual do Estado de São Paulo.</P>
<P>A primeira aula foi no último dia 1º, para alunos de pedagogia da Unesp. A USP terá cursos de ciências e de pedagogia, e a Unicamp avalia propostas.</P>
<P>Para conseguir um bom emprego, é preciso aliar escolas reconhecidas a desenvoltura na entrevista. "Boas instituições geralmente formam bons profissionais. A avaliação leva em conta a seriedade dos estudos, e não a modalidade de ensino", diz Constantino Carvalho, diretor de educação da Catho.</P>
<P>"Se o candidato se comporta de forma atrativa, tem muita chance de ser contratado, pois não importa só vasto currículo acadêmico", completa Barros.</P>
<P>Quem fez curso a distância também pode se destacar mostrando ser organizado com tempo e prazos e ter maior contato com novas tecnologias. "No curso on-line, exige-se muito a participação do aluno. Na sala de aula, às vezes ele passa anônimo", diz Carvalho.</P>
<P>(Bruna Borges)</P>
<P>Expansão de cursos chega a 52% em um ano, diz Abed</P>
<P>Como a correria do escritório turbina o interesse de profissionais por cursos de pós-graduação a distância, as escolas aceleram para atendê-lo.</P>
<P>Em 2008, 158 foram lançados, em instituições públicas e privadas -52% mais do que os 104 do ano anterior, segundo a Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância).</P>
<P>"Se não há essa oferta, eles não têm como frequentar cursos. As instituições amadureceram em saber ofertá-los", diz Waldomiro Loyolla, presidente do conselho científico da Abed.</P>
<P>A demanda fez o Ibmec Online abrir, no ano passado, dois programas. Antes, o foco eram cursos fechados para empresas, diz Carlos Longo, diretor de ensino a distância da instituição.</P>
<P>A economia de tempo, porém, nem sempre se traduz na de dinheiro. No Ibmec Online, por exemplo, um MBA custa R$ 16 mil, contra R$ 21 mil do presencial. Como há 16 encontros "ao vivo", quem mora fora de São Paulo deve calcular custos de deslocamento.</P>
<P>Reinaldo Nogueira, coordenador do curso de pós a distância em gestão de empresas da Universidade Anhembi Morumbi, diz que a maior procura é de brasileiros que moram no exterior ou que viajam muito.</P>
<P>É o caso de Marcelo Bonato, 40. Formado em ciências contábeis, ele trabalha com vendas na indústria e procurava um curso voltado a essa área.</P>
<P>Como as viagens constantes a trabalho o impediam de frequentar salas de aula, ele fez pós em gestão depois de uma graduação de curta duração a distância em planejamento de marketing e vendas na Anhembi Morumbi. "Exige até mais do que o presencial. O aluno precisa se organizar para acompanhar o conteúdo e ler muito."</P>
<P>Sem trânsito</P>
<P>Patricia Silvestre, 34, resolveu fazer pós em gestão de negócios na Fundação Getulio Vargas porque morava e trabalhava em Valinhos (a 85 quilômetros de São Paulo) e não queria depender do clima e do trânsito para chegar à capital.</P>
<P>Se perdesse a aula, recorria ao sistema onde ela fica gravada. "Outra vantagem é que podia assisti-la mais de uma vez." Após o curso, a turma ainda conversa -em espaço virtual.</P>
<P><FONT size=1>(Jordana Viotto)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(Folha de SP, 14/3)</FONT></P>
<P>Modalidade regulamentada em 1996 -ao ser incluída na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-, o ensino a distância atrai cada vez mais estudantes. Especialmente os que valorizam o tempo economizado em deslocamentos e a flexibilidade para encaixar estudos no tempo livre.</P>
<P>Os cursos que mais atraem alunos são os livres (1 milhão em 2008), os de graduação (761 mil) e os de especialização (315 mil). No ensino superior, somam 13% das matrículas.</P>
<P>Segundo o MEC (Ministério da Educação), quem faz graduação a distância trabalha em tempo integral (61%) e completou o ensino médio em escola pública (67%).</P>
<P>Essa crescente popularidade permite a instituições de ensino ampliar o número de vagas sem significativo investimento na infraestrutura e oferecer cursos que custam 40% menos do que os presenciais.</P>
<P>"Com o crescimento, houve movimento predatório de competitividade na mensalidade", observa Carlos Eduardo Bielschowsky, secretário de educação a distância do MEC.</P>
<P>"Infelizmente há guerra econômica. Mas que tipo de apostila essa instituição [com preços muito reduzidos] irá preparar? Qual será a preparação do tutor que estará no polo?", questiona Fredric Litto, presidente da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância).</P>
<P>Para controlar a qualidade, o MEC -que credencia instituições que têm graduação e pós lato sensu a distância- supervisiona cursos e polos de apoio.</P>
<P>Desde 2008, 5.613 polos já foram fechados. Parte das instituições repassava a terceiros a responsabilidade pelo polo, o que é proibido por lei.</P>
<P>Com o controle, o crescimento desacelerou. Em 2009, o número de matrículas aumentou 7%, frente à porcentagem nunca inferior a 80% registrada nos quatro anos anteriores.</P>
<P>Fronteiras</P>
<P>O ensino a distância propõe um desafio. "Não é mais o professor ensinando, mas o aluno aprendendo", comenta Otacília da Paz Pereira, coordenadora do núcleo de tecnologias educacionais do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).</P>
<P>Mas a novidade ainda causa suspeição. Para Bielschowsky, a fragilidade do modelo está na superficialidade do material didático e da avaliação em algumas instituições.</P>
<P>"O receio tem diminuído à medida que universidades públicas passaram a adotar esse sistema, pois têm nome e peso no mercado", afirma Litto.</P>
<P>Boa parte dessa expansão ocorreu na rede pública: 38,3% dos alunos de graduação se matricularam em instituições públicas em 2008 -elas reúnem 33,5% dos alunos do modo presencial.</P>
<P>(Cristiane Capuchinho)</P>
<P>Diploma renomado reduz desconfiança do mercado</P>
<P>Mais velho e trabalhando em tempo integral, o aluno de graduação a distância faz o curso para melhorar sua empregabilidade. Só que pode esbarrar na desconfiança do entrevistador.</P>
<P>Para Fábia Barros, consultora de recursos humanos do Grupo Foco, o mercado tem resistências por não conhecer bem a modalidade. Para Gisele Andriotti, consultora da Ricardo Xavier Recursos Humanos, isso ocorre devido à descrença na avaliação das instituições.</P>
<P>O Ministério da Educação fiscaliza cerca de 80% delas. Em fevereiro, vetou vestibulares em 108 polos irregulares, que atenderiam a 10 mil alunos. Se ele chancela a escola, é ilegal discriminar o diploma.</P>
<P>Por isso a Justiça Federal obrigou, no mês passado, o Conselho Federal de Biologia a conceder registros profissionais a graduados a distância, vetados desde 2008 por questionamento sobre o método e a eficácia do curso.</P>
<P>"É uma questão cultural. Ainda não há muita gente no mercado para reverter essa situação", avalia Carlos Bielschowsky, secretário de educação a distância do MEC.</P>
<P>Seleção</P>
<P>Para Bielschowsky, a desconfiança deve ser amenizada com a oferta de graduação a distância na USP (Universidade de São Paulo), na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e na Unesp (Universidade Estadual Paulista). Todas estão no programa Universidade Virtual do Estado de São Paulo.</P>
<P>A primeira aula foi no último dia 1º, para alunos de pedagogia da Unesp. A USP terá cursos de ciências e de pedagogia, e a Unicamp avalia propostas.</P>
<P>Para conseguir um bom emprego, é preciso aliar escolas reconhecidas a desenvoltura na entrevista. "Boas instituições geralmente formam bons profissionais. A avaliação leva em conta a seriedade dos estudos, e não a modalidade de ensino", diz Constantino Carvalho, diretor de educação da Catho.</P>
<P>"Se o candidato se comporta de forma atrativa, tem muita chance de ser contratado, pois não importa só vasto currículo acadêmico", completa Barros.</P>
<P>Quem fez curso a distância também pode se destacar mostrando ser organizado com tempo e prazos e ter maior contato com novas tecnologias. "No curso on-line, exige-se muito a participação do aluno. Na sala de aula, às vezes ele passa anônimo", diz Carvalho.</P>
<P>(Bruna Borges)</P>
<P>Expansão de cursos chega a 52% em um ano, diz Abed</P>
<P>Como a correria do escritório turbina o interesse de profissionais por cursos de pós-graduação a distância, as escolas aceleram para atendê-lo.</P>
<P>Em 2008, 158 foram lançados, em instituições públicas e privadas -52% mais do que os 104 do ano anterior, segundo a Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância).</P>
<P>"Se não há essa oferta, eles não têm como frequentar cursos. As instituições amadureceram em saber ofertá-los", diz Waldomiro Loyolla, presidente do conselho científico da Abed.</P>
<P>A demanda fez o Ibmec Online abrir, no ano passado, dois programas. Antes, o foco eram cursos fechados para empresas, diz Carlos Longo, diretor de ensino a distância da instituição.</P>
<P>A economia de tempo, porém, nem sempre se traduz na de dinheiro. No Ibmec Online, por exemplo, um MBA custa R$ 16 mil, contra R$ 21 mil do presencial. Como há 16 encontros "ao vivo", quem mora fora de São Paulo deve calcular custos de deslocamento.</P>
<P>Reinaldo Nogueira, coordenador do curso de pós a distância em gestão de empresas da Universidade Anhembi Morumbi, diz que a maior procura é de brasileiros que moram no exterior ou que viajam muito.</P>
<P>É o caso de Marcelo Bonato, 40. Formado em ciências contábeis, ele trabalha com vendas na indústria e procurava um curso voltado a essa área.</P>
<P>Como as viagens constantes a trabalho o impediam de frequentar salas de aula, ele fez pós em gestão depois de uma graduação de curta duração a distância em planejamento de marketing e vendas na Anhembi Morumbi. "Exige até mais do que o presencial. O aluno precisa se organizar para acompanhar o conteúdo e ler muito."</P>
<P>Sem trânsito</P>
<P>Patricia Silvestre, 34, resolveu fazer pós em gestão de negócios na Fundação Getulio Vargas porque morava e trabalhava em Valinhos (a 85 quilômetros de São Paulo) e não queria depender do clima e do trânsito para chegar à capital.</P>
<P>Se perdesse a aula, recorria ao sistema onde ela fica gravada. "Outra vantagem é que podia assisti-la mais de uma vez." Após o curso, a turma ainda conversa -em espaço virtual.</P>
<P><FONT size=1>(Jordana Viotto)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(Folha de SP, 14/3)</FONT></P>