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Brasil deve se abster em votação sobre Irã
09/03/2010
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=69471
Com a certeza de que sanções serão aprovadas no Conselho de Segurança, país quer evitar o desgaste de votar contra a retaliação<BR><BR>
<P>Equilibrando-se entre os argumentos das potências ocidentais e do Irã, o Brasil deverá abster-se de votar a resolução do Conselho de Segurança da ONU (CS) sobre novas sanções a Teerã. Como a China não faz mais a ameaça de veto à iniciativa, a expectativa do Itamaraty é que a proposta de resolução seja votada nesta semana.</P>
<P>A abstenção brasileira se dará apesar da aversão do Brasil a esse tipo de retaliação e da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã, marcada para 15 de maio. A razão está na certeza de que as sanções serão aprovadas - um voto contra isolaria e estigmatizaria o Brasil.</P>
<P>Como acentuou o chanceler Celso Amorim na quarta-feira, o Brasil "nunca disse como votará" no conselho. A mensagem trazida a Brasília pela secretária de Estado, Hillary Clinton, na semana passada, foi a de que a aprovação da resolução é inevitável e se dará em curto prazo. Ainda assim, ela ouviu com respeito os argumentos de Amorim e de Lula em favor de uma solução negociada.</P>
<P>Diplomatas brasileiros que acompanham o tema explicaram que o desafio de EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia - países que, assim como a China, são membros permanentes do CS - será convencer Pequim a aprovar as sanções em vez de se abster. Essa mudança daria maior consistência à decisão.</P>
<P>Calibragem</P>
<P>A negociação com o governo chinês se concentra na calibragem das represálias que, em princípio, afetariam os interesses econômicos da Guarda Revolucionária iraniana, o braço armado do regime dos aiatolás. À China interessa proteger seu comércio com o Irã. Às demais potências interessa evitar que as medidas afetem diretamente a população iraniana e alimentem os discursos nacionalistas do governo local.</P>
<P>Mas, mesmo que a China se abstenha, essas potências conseguirão os nove votos necessários para aprovar a resolução. Dentre os membros não-permanentes, só o Brasil, a Turquia e o Líbano devem abster-se na votação. Japão, Nigéria, México, Bósnia, Áustria, Gabão e Uganda devem votar a favor.</P>
<P>Com a aprovação das sanções, as potências esperam evitar a contaminação pela polêmica sobre o programa iraniano da Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que ocorrerá em maio, na ONU. "Queremos evitar que os temas em debate sejam esvaziados", disse um diplomata.</P>
<P><FONT size=1>(Denise Chrispim Marin)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 7/3)</FONT></P>
<P>Equilibrando-se entre os argumentos das potências ocidentais e do Irã, o Brasil deverá abster-se de votar a resolução do Conselho de Segurança da ONU (CS) sobre novas sanções a Teerã. Como a China não faz mais a ameaça de veto à iniciativa, a expectativa do Itamaraty é que a proposta de resolução seja votada nesta semana.</P>
<P>A abstenção brasileira se dará apesar da aversão do Brasil a esse tipo de retaliação e da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã, marcada para 15 de maio. A razão está na certeza de que as sanções serão aprovadas - um voto contra isolaria e estigmatizaria o Brasil.</P>
<P>Como acentuou o chanceler Celso Amorim na quarta-feira, o Brasil "nunca disse como votará" no conselho. A mensagem trazida a Brasília pela secretária de Estado, Hillary Clinton, na semana passada, foi a de que a aprovação da resolução é inevitável e se dará em curto prazo. Ainda assim, ela ouviu com respeito os argumentos de Amorim e de Lula em favor de uma solução negociada.</P>
<P>Diplomatas brasileiros que acompanham o tema explicaram que o desafio de EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia - países que, assim como a China, são membros permanentes do CS - será convencer Pequim a aprovar as sanções em vez de se abster. Essa mudança daria maior consistência à decisão.</P>
<P>Calibragem</P>
<P>A negociação com o governo chinês se concentra na calibragem das represálias que, em princípio, afetariam os interesses econômicos da Guarda Revolucionária iraniana, o braço armado do regime dos aiatolás. À China interessa proteger seu comércio com o Irã. Às demais potências interessa evitar que as medidas afetem diretamente a população iraniana e alimentem os discursos nacionalistas do governo local.</P>
<P>Mas, mesmo que a China se abstenha, essas potências conseguirão os nove votos necessários para aprovar a resolução. Dentre os membros não-permanentes, só o Brasil, a Turquia e o Líbano devem abster-se na votação. Japão, Nigéria, México, Bósnia, Áustria, Gabão e Uganda devem votar a favor.</P>
<P>Com a aprovação das sanções, as potências esperam evitar a contaminação pela polêmica sobre o programa iraniano da Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que ocorrerá em maio, na ONU. "Queremos evitar que os temas em debate sejam esvaziados", disse um diplomata.</P>
<P><FONT size=1>(Denise Chrispim Marin)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 7/3)</FONT></P>