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Inovação, a chave para o futuro, artigo de Ruy Martins Altenfelder Silva

04/03/2010 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=69385
"É preciso intensificar e muito a participação da iniciativa privada, semeando a cultura da inovação no mundo corporativo<BR><BR>
<P>Ruy Martins Altenfelder Silva é presidente do Conselho de Administração do CIEE e do Instituto de Estudos Avançados da Fiesp. Foi secretário da Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo (2001-2002). Artigo publicado na "Folha de SP":</P>
<P>"É preciso mudar para que tudo continue como está."</P>
<P>Consagrada pelo príncipe de Salina no famoso romance "O Leopardo", de Lampedusa, quando usada na política a frase soa cínica e reveladora de apego ao poder a qualquer preço. Já quando aplicada à economia moderna, ganha um significado saudável e serve de sinal de alerta, em especial para as empresas muito bem-sucedidas e lucrativas.</P>
<P>É até compreensível que, ofuscados por gordos resultados financeiros e saborosas fatias de mercado que detêm, seus gestores tendam a certa acomodação, cedendo ao temor de mexer em time que está ganhando e, assim, mantenham-se fiéis ao presente ou, pior, ao passado.</P>
<P>Entretanto, a experiência e o aconselhamento de especialistas mostram o outro lado da moeda, indicando que comandar empresas é como dirigir um automóvel no caótico horário do "rush". É preciso multiplicar o olhar, atentando para o que ocorre ao lado, observando o que está atrás, mas sem deixar de mirar a frente, buscando antecipar os obstáculos que a próxima curva esconde e já planejando ações para vencê-los.</P>
<P>País tradicionalmente exportador de matérias-primas e importador de produtos de maior valor agregado -tendência que muito lentamente vai se invertendo-, só há poucas décadas o Brasil despertou para a importância de incrementar a pesquisa, a inovação e o desenvolvimento tecnológico -um descompasso que se traduz no baixo nível de investimento privado e público nessas áreas, no descolamento entre a atividade acadêmica e as necessidades da produção e no descaso para com a formação de profissionais aptos a atuar com as competências e habilidades exigidas pela nova realidade e, principalmente, pelos desafios que se antepõem à aspiração de ocupar uma posição destacada no conjunto das nações.</P>
<P>Segundo recente relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os países mais ricos do mundo, a inovação é a fonte principal de dinamismo econômico e bem-estar social, sendo a chave tanto para vencer a recessão econômica quanto para colocar o desenvolvimento numa trajetória ambientalmente sustentável.</P>
<P>Entretanto, a situação brasileira nos três indicadores de inovação -pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D), patentes e registro de marcas- não é das mais animadoras.</P>
<P>Um comparativo de investimentos em P&amp;D, para ficar apenas num exemplo, mostra o quanto o Brasil precisa avançar para atingir os patamares dos países desenvolvidos.</P>
<P>Segundo o Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (Iedi), sobre a P&amp;D nacional, o investimento privado é da ordem de 0,5% do PIB, contra incentivos governamentais de 0,007% do PIB (excluídos os estímulos fiscais da Lei da Informática, considerada mais um instrumento de política econômica do que de alavancagem à pesquisa).</P>
<P>Enquanto isso, em 2007, no âmbito dos 30 membros da OCDE e alguns países não membros, como China e Rússia, esse total atingiu 2,3% do PIB conjunto (a nada desprezível quantia de US$ 886,3 bilhões), tendo a iniciativa privada como a principal fonte de financiamento, respondendo por perto de 70% dos gastos.</P>
<P>Para alimentar certo alento, vale registrar alguns sinais positivos no horizonte, como as 2.500 empresas que apresentaram, de 2007 para cá, projetos à Finep sob o guarda-chuva da Lei de Inovação.</P>
<P>Mas é preciso intensificar e muito a participação da iniciativa privada, semeando a cultura da inovação no mundo corporativo e transformando-a em prioridade estratégica das organizações. Em síntese, para a sobrevivência das empresas e para o desenvolvimento do país, a ordem é avançar ou perder, mais uma vez, o bonde da história.</P>
<P><FONT size=1>(Folha de SP, 3/3)</FONT></P>
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