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CTNBio libera levedura transgênica para produção de diesel da cana

18/02/2010 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=69078
<P>Comissão também autorizou duas novas vacinas veterinárias e outras duas espécies de soja geneticamente modificada<BR></P>
<P>A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a liberação comercial de uma levedura transgênica que permite a produção de diesel usando a cana-de-açúcar. É a primeira vez que um transgênico desse tipo é aprovado pela comissão.</P>
<P>Em sua primeira reunião plenária após a mudança do comando, o órgão também aprovou o uso comercial de duas espécies de soja modificada, resistentes ao agrotóxico glufosinato de amônio. As sojas foram produzidas pela Bayer.</P>
<P>Também houve a liberação de duas vacinas veterinárias transgênicas. Com isso, sobe para oito o número de vacinas aprovadas para liberação comercial pela comissão, formada por 27 integrantes.</P>
<P>A reunião desta quinta-feira (11/2) foi conduzida pelo novo presidente do colegiado, o pesquisador da Embrapa Edilson Paiva.</P>
<P>Produção</P>
<P>Com o sinal verde da CTNBio, a Usina Boa Vista, instalada na cidade goiana de Pirenópolis, deve concluir a construção de uma linha de produção de diesel feito da cana. A expectativa é que, em 2011, sejam fabricados 2 milhões de toneladas do produto, que, a exemplo do etanol, é menos agressivo ao meio ambiente do que o combustível fóssil.</P>
<P>"Ele não tem enxofre, produz quantidade menor de material particulado e é renovável. Tudo isso reduz o impacto para o aquecimento global", afirma Luciana di Ciero, gerente de assuntos regulatórios e relações institucionais da empresa que desenvolveu o produto, a Amyris.</P>
<P>A aprovação também deve acelerar a negociação com outras usinas interessadas no desenvolvimento do novo produto. Até agora, nenhum país no mundo produz comercialmente o diesel de cana.</P>
<P>A levedura é um fungo, amplamente usado na produção de vinhos, cachaça e fermento de pão. A espécie aprovada ontem teve seu DNA modificado, o que a torna agora capaz de produzir um precursor do diesel, o farneseno. "A liberação aumenta a relação de produtos derivados da cana. Agora, além de açúcar, etanol também servirá de matéria-prima para o diesel e outros produtos para indústria química", diz Luciana. Nessa lista estão, por exemplo, lubrificantes.</P>
<P>O desenvolvimento da levedura transgênica é o desdobramento de um outro projeto, iniciado em 2004 para a produção de um medicamento para combater a malária, feito com uma planta chamada artemísia. A partir de 2006, partindo de conhecimento já acumulado, a empresa Amyris passou a investir no desenvolvimento da levedura geneticamente modificada.</P>
<P>Para o projeto de diesel, a empresa recebeu, em apenas um ano, US$ 100 milhões de vários fundos de capital de risco. Entre eles, investimentos da Votorantim Novos Negócios.</P>
<P>Luciana afirma que não é preciso fazer alterações nos motores para o uso do novo produto. O projeto é usar, em um primeiro momento, um blend de diesel de cana-de-açúcar e diesel fóssil. Na primeira etapa, a ideia é misturar 10% do novo produto com 90% do diesel fóssil.</P>
<P>"Foi a solução encontrada, pois não há como garantir o abastecimento do mercado em grande escala", afirma Luciana. As usinas, por sua vez, teriam de fazer pequenas alterações em suas instalações para produção do novo diesel. "São poucas mudanças", diz.</P>
<P>Além do diesel de cana, a Amyris está desenvolvendo um querosene para aviação, também a partir da cana-de-açúcar. Há acordos para o uso do produto com a Força Aérea Americana, a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e a companhia Azul, que deverá fazer testes com o novo combustível em 2012. "Tudo é feito com a levedura. A plataforma de pesquisa é a mesma, o que varia é a modificação genética", diz a gerente.</P>
<P>Rapidez na aprovação surpreende empresa</P>
<P>A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) levou quatro meses para liberar comercialmente a levedura geneticamente modificada, contados a partir da apresentação do processo. A rapidez na tramitação surpreendeu até mesmo a empresa que desenvolveu o organismo geneticamente modificado. "Vamos ter de apressar a finalização da linha de produção. Não estávamos contando com tanta agilidade", afirmou a gerente da empresa, Luciana Di Ciero.</P>
<P>Para a liberação comercial, a empresa precisa atender uma série de quesitos, descritos numa instrução preparada pelo colegiado. A empresa tem de, por exemplo, pedir um certificado de qualidade de biossegurança, constituir uma comissão interna de biossegurança.</P>
<P>Ultrapassada essa etapa, a empresa apresenta à comissão, formada por 27 integrantes, um processo com todos documentos necessários. Entre eles, a descrição do produto e pesquisas comprovando sua segurança. Esse material é enviado para quatro comissões subsetoriais: humana, animal, vegetal e ambiental. Para cada uma, é nomeado um relator. Em muitos processos, é chamado mais de um relator por comissão. Há também a possibilidade de se convocar especialistas externos para dar opinião. Esse recurso é usado com bastante frequência.</P>
<P>Os relatores preparam pareceres, que são analisados e votados pelas subsetoriais. Somente quando o processo é aprovado em todas as comissões é que o projeto é submetido a avaliação na plenária da CTNBio. Para aprovação, é preciso pelo menos 14 votos.</P>
<P><FONT size=1>(Lígia Formenti)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Estado de SP, 12/2)</FONT></P>
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