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Tragédia no Haiti: Energia igual à de 30 bombas de Hiroshima

15/01/2010 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=68454<br>
País é vulnerável a sismos, e cientistas haviam alertado em 2008 para risco elevado de grande terremoto<BR><BR>
<P>O terremoto que atingiu o Haiti na terça-feira (13/1) liberou uma energia equivalente à de 30 bombas nucleares como a de Hiroshima. A energia foi liberada de apenas um ponto, a oito quilômetros de profundidade e 15 quilômetros de distância do centro de Porto Príncipe, ainda dentro da área urbana da capital. Os terremotos são causados pelo movimento de placas tectônicas.</P>
<P>A capital haitiana é especialmente vulnerável a esse fenômeno, por estar localizada no limite de duas placas, a caribenha e a norte-americana. Ambas chocam-se frontalmente e raspam uma na outra. Um raspão teria provocado a catástrofe de terça-feira. O sistema de falhas de EnriquilloPlaintain, que corta o sul do Haiti, foi a origem do terremoto.</P>
<P>A iminência de um desastre na região preocupava especialistas desde 2008. Naquele ano, a 18a Conferência Geológica do Caribe divulgou um documento assegurando que, se toda a tensão na falha fosse liberada, provocaria um terremoto com a magnitude de 7,2 graus na escala Richter. Ainda de acordo com a pesquisa, duas capitais seriam mais suscetíveis aos estragos - Kingston, na Jamaica, e Porto Príncipe. Até 3,6 milhões de pessoas poderiam ser atingidas.</P>
<P>O Haiti tem uma trágica história de catástrofes naturais, mas o terremoto de terça-feira foi o maior dos últimos dois séculos. Como a energia foi toda liberada de apenas um ponto, a República Dominicana, vizinha do Haiti, não registrou danos materiais sérios. O país teria sentido os tremores em menor escala, mas sua capital, Santo Domingo, foi protegida pelos 250 quilômetros que a separam de Porto Príncipe.</P>
<P>- Cerca de 90% dos terremotos que acontecem no planeta são em regiões de contato de placas - explica Jorge Luís Souza, pesquisador de geofísica do Observatório Nacional. - Em uma região geologicamente problemática como Porto Príncipe, um terremoto de grande magnitude é trágico, mas esperado. E o impacto torna-se ainda maior se considerarmos que o país é extremamente pobre e não conta com qualquer infraestrutura para atender às vítimas.</P>
<P>Porto Príncipe registrou mais 32 abalos em 20 horas</P>
<P>Os terremotos são sucedidos por abalos menores, que podem durar até cinco dias. O que provoca estes tremores é a tentativa das placas tectônicas de se estabilizarem. Em menos de 20 horas, Porto Príncipe registrou 32 desses abalos. A maioria tinha magnitude superior a 4,5 graus na escala Richter - dimensão suficiente para provocar trincas nas paredes.</P>
<P>- A força liberada pelo terremoto é equivalente a 18 bilhões de quilos de TNT detonados ao mesmo tempo - compara João Willy Rosa, geofísico da UnB. - A qualidade das construções de Porto Príncipe não é boa, o que aumentou o número de desmoronamentos.</P>
<P>Rosa não descarta a possibilidade de o Haiti ter registrado liquefação - fenômeno provocado por tremores intensos que torna o solo fluido durante o terremoto.</P>
<P>Uma pessoa, assim, pode afundar no asfalto liquefeito, e morrer presa ali quando o material ficar sólido novamente.</P>
<P>Os pesquisadores negam qualquer relação entre a catástrofe no Haiti e o tremor de terra sentido no início da semana no Rio Grande do Norte, com reflexos em Pernambuco e na Paraíba. O fenômeno brasileiro deveu-se a sismos do interior da placa sul-americana.</P>
<P>- No Caribe houve um encontro de duas placas diferentes, que em momento algum encontram nosso território - ressalta Souza. - Além disso, há uma distância significativa entre o Nordeste e o Haiti. Um abalo não causou o outro.</P>
<P><FONT size=1>(Renato Grandelle)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(O Globo, 14/1)</FONT></P>
<P><A href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=68454"><FONT size=1>http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=68454</FONT></A></P>
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