Voltar para Notícias
Um pacto pela educação, artigo de Marco Antonio Raupp e Isaac Roitman
12/11/2009
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=67186
"As afirmações do "Manifesto dos Pioneiros pela Educação Nova", de1932, ainda guardam muita semelhança com a situação atual no país"<BR><BR>
<P>Marco Antônio Raupp, matemático, diretor-geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos, é presidente da SBPC. Foi diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Laboratório Nacional de Computação Científica. Isaac Roitman, doutor em ciências, é coordenador do Grupo de Trabalho de Educação da SBPC. Foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Universidade de Brasília e da Universidade Estadual do Norte Fluminense, além de reitor da Universidade de Mogi das Cruzes. Artigo publicado na "Folha de SP":</P>
<P>A educação de qualidade no Brasil continua a ser um problema não resolvido. Intelectuais brasileiros produziram, no século passado, duas versões do "Manifesto dos Pioneiros pela Educação Nova". A primeira versão, de 1932, foi assinada por 21 intelectuais, entre os quais Anísio Teixeira, Fernando Azevedo, Cecília Meireles, Roquete Pinto e Júlio de Mesquita Filho. Uma nova versão foi lançada em 1959, dessa vez com o endosso de 161 acadêmicos.</P>
<P>Os dois documentos parecem ter sido escritos recentemente, o que revela que não avançamos na resolução dos nossos problemas educacionais. O documento de 1932, no seu início, diz: "Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade ao da educação (....) todos os nossos esforços, sem unidade de plano e sem espírito de continuidade, não lograram ainda criar um sistema de organização escolar à altura das necessidades modernas e das necessidades do país. Tudo fragmentado e desarticulado".</P>
<P>Passados 77 anos, as afirmações do manifesto ainda guardam muita semelhança com a situação atual da educação brasileira, especialmente nos níveis fundamental e médio.</P>
<P>Nas décadas mais recentes, é verdade, houve um empenho bem-sucedido para a universalização da educação básica. Agora, precisa haver esforços para que a educação tenha qualidade. Oferecemos escola; precisamos oferecer também educação.</P>
<P>A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) congrega cerca de 90 sociedades científicas e caracteriza sua trajetória em ações que visam promover o desenvolvimento científico e tecnológico e melhorias no sistema educacional, além de sempre estar presente nos episódios mais importantes da vida brasileira. Em agosto de 2008, criou o Grupo de Trabalho de Educação, que lançará nesta sexta</P>
<P>(13/11) o movimento "SBPC: Pacto pela Educação".</P>
<P>A iniciativa tem como principal característica a aliança e a parceria de diversos setores da sociedade com o objetivo de alcançar a qualidade na educação em todos os níveis e para todos. Além de entidades acadêmicas, esse pacto pela educação envolverá os setores empresarial, estudantil, sindical, Legislativo, Executivo e associações e organizações sociais voltadas para a melhoria da educação.</P>
<P>Em razão das dimensões dos problemas, sabemos que levará décadas para que ocorra uma transformação radical da educação no Brasil. Assim, serão propostas ações de curto, médio e longo prazo, que serão entregues aos sucessivos governantes nos próximos 20 anos.</P>
<P>Será elaborado um conjunto de indicadores para acompanhar e avaliar a implantação das ações propostas. Esse acompanhamento será executado por todas as entidades que participarem dessa verdadeira e necessária revolução da educação, que deverá ser feita em várias dimensões: formação do professor contemporâneo, valorização da carreira docente, gestão escolar moderna e eficiente, conteúdo adequado como forma do exercício do pensar, utilização de métodos pedagógicos permanentemente atualizados, bibliotecas e outros instrumentos para a busca da informação, avaliação e principalmente as bases para tornar a educação um agente civilizatório.</P>
<P>Em suma, temos que alterar drasticamente o quadro atual do ensino básico brasileiro, que se apresenta como uma perversão social, um indicador claro da desigualdade que vigora na nossa sociedade.</P>
<P>Elevar nossa educação a patamares aceitáveis de qualidade não é só um requisito para a modernização do país e a melhoria das condições de vida das pessoas. É um requisito também para a inclusão, é uma responsabilidade social, é uma demanda de reparação social em uma sociedade desigual.</P>
<P>O ensino de qualidade, especialmente no nível fundamental, que é o nível que mais afeta a cidadania, deve ser visto como um compromisso de todo o país, em todas as suas instâncias e segmentos. Para uma sociedade democrática, que tem como pressuposto o oferecimento de oportunidades iguais para todos, trata-se de um compromisso fundamental.</P>
<P>Esse é, no entendimento da SBPC, o grande desafio que temos pela frente -e imediatamente. É preciso haver uma grande mobilização da sociedade, de modo a fazer com que as estruturas governamentais e políticas promovam o esforço necessário.</P>
<P>Talvez esse seja mesmo o maior desafio que já se colocou para o país em toda a sua história. Dotar a educação básica da qualidade necessária significa promover o salto de qualidade de que o Brasil precisa. O movimento "SBPC: Pacto pela Educação" tem esse compromisso.</P>
<P><FONT size=1>(Folha de SP, 11/11)</FONT></P>
<P>Marco Antônio Raupp, matemático, diretor-geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos, é presidente da SBPC. Foi diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Laboratório Nacional de Computação Científica. Isaac Roitman, doutor em ciências, é coordenador do Grupo de Trabalho de Educação da SBPC. Foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Universidade de Brasília e da Universidade Estadual do Norte Fluminense, além de reitor da Universidade de Mogi das Cruzes. Artigo publicado na "Folha de SP":</P>
<P>A educação de qualidade no Brasil continua a ser um problema não resolvido. Intelectuais brasileiros produziram, no século passado, duas versões do "Manifesto dos Pioneiros pela Educação Nova". A primeira versão, de 1932, foi assinada por 21 intelectuais, entre os quais Anísio Teixeira, Fernando Azevedo, Cecília Meireles, Roquete Pinto e Júlio de Mesquita Filho. Uma nova versão foi lançada em 1959, dessa vez com o endosso de 161 acadêmicos.</P>
<P>Os dois documentos parecem ter sido escritos recentemente, o que revela que não avançamos na resolução dos nossos problemas educacionais. O documento de 1932, no seu início, diz: "Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade ao da educação (....) todos os nossos esforços, sem unidade de plano e sem espírito de continuidade, não lograram ainda criar um sistema de organização escolar à altura das necessidades modernas e das necessidades do país. Tudo fragmentado e desarticulado".</P>
<P>Passados 77 anos, as afirmações do manifesto ainda guardam muita semelhança com a situação atual da educação brasileira, especialmente nos níveis fundamental e médio.</P>
<P>Nas décadas mais recentes, é verdade, houve um empenho bem-sucedido para a universalização da educação básica. Agora, precisa haver esforços para que a educação tenha qualidade. Oferecemos escola; precisamos oferecer também educação.</P>
<P>A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) congrega cerca de 90 sociedades científicas e caracteriza sua trajetória em ações que visam promover o desenvolvimento científico e tecnológico e melhorias no sistema educacional, além de sempre estar presente nos episódios mais importantes da vida brasileira. Em agosto de 2008, criou o Grupo de Trabalho de Educação, que lançará nesta sexta</P>
<P>(13/11) o movimento "SBPC: Pacto pela Educação".</P>
<P>A iniciativa tem como principal característica a aliança e a parceria de diversos setores da sociedade com o objetivo de alcançar a qualidade na educação em todos os níveis e para todos. Além de entidades acadêmicas, esse pacto pela educação envolverá os setores empresarial, estudantil, sindical, Legislativo, Executivo e associações e organizações sociais voltadas para a melhoria da educação.</P>
<P>Em razão das dimensões dos problemas, sabemos que levará décadas para que ocorra uma transformação radical da educação no Brasil. Assim, serão propostas ações de curto, médio e longo prazo, que serão entregues aos sucessivos governantes nos próximos 20 anos.</P>
<P>Será elaborado um conjunto de indicadores para acompanhar e avaliar a implantação das ações propostas. Esse acompanhamento será executado por todas as entidades que participarem dessa verdadeira e necessária revolução da educação, que deverá ser feita em várias dimensões: formação do professor contemporâneo, valorização da carreira docente, gestão escolar moderna e eficiente, conteúdo adequado como forma do exercício do pensar, utilização de métodos pedagógicos permanentemente atualizados, bibliotecas e outros instrumentos para a busca da informação, avaliação e principalmente as bases para tornar a educação um agente civilizatório.</P>
<P>Em suma, temos que alterar drasticamente o quadro atual do ensino básico brasileiro, que se apresenta como uma perversão social, um indicador claro da desigualdade que vigora na nossa sociedade.</P>
<P>Elevar nossa educação a patamares aceitáveis de qualidade não é só um requisito para a modernização do país e a melhoria das condições de vida das pessoas. É um requisito também para a inclusão, é uma responsabilidade social, é uma demanda de reparação social em uma sociedade desigual.</P>
<P>O ensino de qualidade, especialmente no nível fundamental, que é o nível que mais afeta a cidadania, deve ser visto como um compromisso de todo o país, em todas as suas instâncias e segmentos. Para uma sociedade democrática, que tem como pressuposto o oferecimento de oportunidades iguais para todos, trata-se de um compromisso fundamental.</P>
<P>Esse é, no entendimento da SBPC, o grande desafio que temos pela frente -e imediatamente. É preciso haver uma grande mobilização da sociedade, de modo a fazer com que as estruturas governamentais e políticas promovam o esforço necessário.</P>
<P>Talvez esse seja mesmo o maior desafio que já se colocou para o país em toda a sua história. Dotar a educação básica da qualidade necessária significa promover o salto de qualidade de que o Brasil precisa. O movimento "SBPC: Pacto pela Educação" tem esse compromisso.</P>
<P><FONT size=1>(Folha de SP, 11/11)</FONT></P>