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Bird quer pacote de US$ 475 bi para clima
17/09/2009
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=66053
Dinheiro deve ser suprido pelos países desenvolvidos para corte de emissões e adaptação nas nações pobres até 2020<BR><BR>
<P>Claudio Angelo escreve para a "Folha de SP":</P>
<P> </P>
<P>O combate e a adaptação às mudanças climáticas se tornaram parte obrigatória de qualquer plano de desenvolvimento. E custarão, no Terceiro Mundo, US$ 475 bilhões por ano nos próximos 20 anos, segundo um relatório do Banco Mundial divulgado ontem.</P>
<P> </P>
<P>É a primeira vez que o tema do aquecimento global aparece como assunto principal do "World Development Report", uma espécie de guia anual publicado pelo Bird desde 1978.</P>
<P> </P>
<P>O relatório vem num momento estratégico, a três meses da conferência da ONU em Copenhague, que forjará o novo acordo de proteção ao clima, e a oito dias do encontro do G20 que debaterá o assunto.</P>
<P> </P>
<P>Segundo o documento, os efeitos da mudança climática -mais tempestades, secas e ondas de calor-, que já acontecem e tendem a se agravar, tornam mais difícil a tarefa de aliviar a pobreza, pois "drenam recursos do desenvolvimento" e aumentam o preço da comida.</P>
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<P>"Países em desenvolvimento são afetados desproporcionalmente pela mudança climática -uma crise que eles não produziram e para a qual não estão preparados", disse o presidente do banco, Robert Zoellick.</P>
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<P>É nesses países, como o Brasil, que está o potencial de corte de emissões com menor custo.</P>
<P> </P>
<P>Mas esse corte terá de ser financiado pelos países ricos, diz o banco. E aqui há uma lacuna: hoje, ações de adaptação e de mitigação (redução de emissões) no Terceiro Mundo têm US$ 10 bilhões por ano. Mas o relatório estima que serão necessários US$ 400 bilhões por ano para a mitigação e US$ 75 bilhões para a adaptação. Para comparação, a crise econômica mundial já tragou US$ 3 trilhões em um ano.</P>
<P> </P>
<P>O relatório aponta problemas nos atuais mecanismos de financiamento de ações antiaquecimento. Um exemplo é o MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), criado pelo Protocolo de Kyoto, de 1997. Através dele, ações de redução em países pobres poderiam valer créditos de carbono, a serem abatidos das metas de corte de emissões dos países ricos.</P>
<P>Mas o MDL, avalia o banco, rendeu poucos recursos (serão no máximo US$ 18 bilhões em 11 anos) e fracassou em seu objetivo: "Ele não levou os países em desenvolvimento para trajetórias de baixo carbono".</P>
<P>O relatório propõe novos mecanismos de financiamento, como impostos "fiscalmente neutros" sobre as emissões de carbono -ou seja, que fossem restituídos com redução de outros impostos- até uma taxa sobre o transporte internacional, ecoando uma proposta feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva dois anos atrás.</P>
<P>Álcool brasileiro</P>
<P>Outra lacuna apontada é a do desenvolvimento de tecnologias de energia limpa. Elas são vistas como a principal arma para impedir que o aquecimento global fique muito acima de 2C até 2100.</P>
<P>"Os subsídios globais ao petróleo e derivados são de US$ 150 bilhões por ano, mas o gasto público em desenvolvimento e emprego de tecnologias de energia é de cerca de US$ 10 bilhões há décadas", diz o banco.</P>
<P>Aqui, mais uma vez, a responsabilidade é dos países ricos, não só de investir em tecnologia e na sua transferência às nações pobres, mas também de derrubar tarifas a essas tecnologias quando desenvolvidas a baixo custo no Terceiro Mundo. O álcool brasileiro é citado.</P>
<P>"Os subsídios dos países da OCDE [desenvolvidos] a seus biocombustíveis foram de US$ 11 bilhões em 2006. Como resultado, não se fazem investimentos nos países onde a tecnologia tem uma melhor relação custo/benefício. O Brasil, o produtor de etanol a custo mais baixo, viu um crescimento modesto de 6% na sua produção de etanol entre 2004 e 2005, enquanto os EUA e a Alemanha tiveram crescimentos de 20% e 50% (...)", conclui o Bird, pedindo menos tarifas.</P>
<P>Mídia induz imobilismo, diz texto</P>
<P>A imprensa pode estar involuntariamente contribuindo para a "inércia" do mundo para enfrentar o aquecimento global, diz o relatório do Bird. Segundo ele, o catastrofismo dos meios de comunicação pode ter um efeito de imobilizar as pessoas.</P>
<P>"Quanto mais as pessoas são bombardeadas com palavras ou imagens de efeitos devastadores, quase bíblicos, da mudança climática, mais elas tendem a mudar de canal", diz. A percepção induzida por reportagens apocalípticas é a de que "não há nada que se possa fazer".</P>
<P>Além disso, como o debate científico envolve incertezas, diz o Banco Mundial, a imprensa pode estar complicando as coisas ao passar a impressão de que não existe progresso científico e sim um conjunto de opiniões opostas.</P>
<P>"Além disso, a necessidade de apresentar matérias "equilibradas" tem dado uma cobertura desproporcional a céticos do clima que não têm conhecimento nem estatura científica."</P>
<P><FONT size=1>(Folha de SP, 16/9)</FONT></P>
<P>Claudio Angelo escreve para a "Folha de SP":</P>
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<P>O combate e a adaptação às mudanças climáticas se tornaram parte obrigatória de qualquer plano de desenvolvimento. E custarão, no Terceiro Mundo, US$ 475 bilhões por ano nos próximos 20 anos, segundo um relatório do Banco Mundial divulgado ontem.</P>
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<P>É a primeira vez que o tema do aquecimento global aparece como assunto principal do "World Development Report", uma espécie de guia anual publicado pelo Bird desde 1978.</P>
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<P>O relatório vem num momento estratégico, a três meses da conferência da ONU em Copenhague, que forjará o novo acordo de proteção ao clima, e a oito dias do encontro do G20 que debaterá o assunto.</P>
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<P>Segundo o documento, os efeitos da mudança climática -mais tempestades, secas e ondas de calor-, que já acontecem e tendem a se agravar, tornam mais difícil a tarefa de aliviar a pobreza, pois "drenam recursos do desenvolvimento" e aumentam o preço da comida.</P>
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<P>"Países em desenvolvimento são afetados desproporcionalmente pela mudança climática -uma crise que eles não produziram e para a qual não estão preparados", disse o presidente do banco, Robert Zoellick.</P>
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<P>É nesses países, como o Brasil, que está o potencial de corte de emissões com menor custo.</P>
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<P>Mas esse corte terá de ser financiado pelos países ricos, diz o banco. E aqui há uma lacuna: hoje, ações de adaptação e de mitigação (redução de emissões) no Terceiro Mundo têm US$ 10 bilhões por ano. Mas o relatório estima que serão necessários US$ 400 bilhões por ano para a mitigação e US$ 75 bilhões para a adaptação. Para comparação, a crise econômica mundial já tragou US$ 3 trilhões em um ano.</P>
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<P>O relatório aponta problemas nos atuais mecanismos de financiamento de ações antiaquecimento. Um exemplo é o MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), criado pelo Protocolo de Kyoto, de 1997. Através dele, ações de redução em países pobres poderiam valer créditos de carbono, a serem abatidos das metas de corte de emissões dos países ricos.</P>
<P>Mas o MDL, avalia o banco, rendeu poucos recursos (serão no máximo US$ 18 bilhões em 11 anos) e fracassou em seu objetivo: "Ele não levou os países em desenvolvimento para trajetórias de baixo carbono".</P>
<P>O relatório propõe novos mecanismos de financiamento, como impostos "fiscalmente neutros" sobre as emissões de carbono -ou seja, que fossem restituídos com redução de outros impostos- até uma taxa sobre o transporte internacional, ecoando uma proposta feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva dois anos atrás.</P>
<P>Álcool brasileiro</P>
<P>Outra lacuna apontada é a do desenvolvimento de tecnologias de energia limpa. Elas são vistas como a principal arma para impedir que o aquecimento global fique muito acima de 2C até 2100.</P>
<P>"Os subsídios globais ao petróleo e derivados são de US$ 150 bilhões por ano, mas o gasto público em desenvolvimento e emprego de tecnologias de energia é de cerca de US$ 10 bilhões há décadas", diz o banco.</P>
<P>Aqui, mais uma vez, a responsabilidade é dos países ricos, não só de investir em tecnologia e na sua transferência às nações pobres, mas também de derrubar tarifas a essas tecnologias quando desenvolvidas a baixo custo no Terceiro Mundo. O álcool brasileiro é citado.</P>
<P>"Os subsídios dos países da OCDE [desenvolvidos] a seus biocombustíveis foram de US$ 11 bilhões em 2006. Como resultado, não se fazem investimentos nos países onde a tecnologia tem uma melhor relação custo/benefício. O Brasil, o produtor de etanol a custo mais baixo, viu um crescimento modesto de 6% na sua produção de etanol entre 2004 e 2005, enquanto os EUA e a Alemanha tiveram crescimentos de 20% e 50% (...)", conclui o Bird, pedindo menos tarifas.</P>
<P>Mídia induz imobilismo, diz texto</P>
<P>A imprensa pode estar involuntariamente contribuindo para a "inércia" do mundo para enfrentar o aquecimento global, diz o relatório do Bird. Segundo ele, o catastrofismo dos meios de comunicação pode ter um efeito de imobilizar as pessoas.</P>
<P>"Quanto mais as pessoas são bombardeadas com palavras ou imagens de efeitos devastadores, quase bíblicos, da mudança climática, mais elas tendem a mudar de canal", diz. A percepção induzida por reportagens apocalípticas é a de que "não há nada que se possa fazer".</P>
<P>Além disso, como o debate científico envolve incertezas, diz o Banco Mundial, a imprensa pode estar complicando as coisas ao passar a impressão de que não existe progresso científico e sim um conjunto de opiniões opostas.</P>
<P>"Além disso, a necessidade de apresentar matérias "equilibradas" tem dado uma cobertura desproporcional a céticos do clima que não têm conhecimento nem estatura científica."</P>
<P><FONT size=1>(Folha de SP, 16/9)</FONT></P>