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Em carta, empresas prometem reduzir emissão de carbono

27/08/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65629
Assim como setor público, documento do setor privado não tem meta, mas sugere ao governo que defina o número. Esforço do país em migrar para uma economia de baixo carbono pode ser comprometido pelo pré-sal, indica Instituto Ethos<BR><BR>
<P>Por uma questão puramente econômica, grandes empresas brasileiras anunciaram nesta terça-feira em São Paulo um compromisso para reduzir suas emissões de gases que contribuem para o aumento do efeito estufa.</P>
<P>O documento, apresentado durante um seminário realizado pelo jornal "Valor Econômico" e pela "Globonews", é assinado por siderúrgicas, empresas de energia, empreiteiras, redes de supermercados, entre outros setores.</P>
<P>As signatárias se comprometem, por exemplo, a publicar anualmente, a partir de 2010, um inventário de emissões de gases de efeito estufa. Assim como o governo federal, o setor empresarial ainda não apresentou metas de redução. Só a promessa de que fará algo.</P>
<P>A chamada "Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas" também oferece sugestões ao governo, tanto para a reunião sobre clima de Copenhague, em dezembro, quanto para o cenário interno.</P>
<P>Os empresários querem que a diplomacia brasileira, no fim do ano, assuma uma posição de liderança para a definição de metas claras de redução global de emissões de carbono, que defenda e agilize a implementação de mecanismos de desenvolvimento limpo e que regulamente o chamado Redd. Por esse mecanismo, recursos seriam dados para quem reduzisse o desmatamento.</P>
<P>No escopo nacional, a pedida não poderia ser outra: que o Brasil publique estimativas anuais de emissões e, a cada três anos, divulgue um inventário nacional. O último documento deste tipo que existe de forma oficial no país é de 1994.</P>
<P>Os compromissos divulgados ontem não são setoriais, mas individuais, assumidos por 18 grandes companhias nacionais. Mesmo assim, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), presente ao evento, classificou a carta lançada por parte do setor privado como histórica.</P>
<P>A fala de Roger Agnelli, diretor-presidente da Vale, resume o espírito dos grandes empresários. "A sociedade tem exigido [esse compromisso ambiental]". De acordo com o executivo, qualquer empresa que esteja no mercado internacional hoje precisa colocar a questão das mudanças climáticas em seus planos estratégicos, sob pena de sofrer prejuízos reais.</P>
<P>O setor automobilístico, por exemplo, é um dos que estão na berlinda. Carros que poluem mais, como os a diesel, poderão deixar de ser lucrativos para os fabricantes caso ocorra uma taxação ao carbono extra lançado por esses automóveis.</P>
<P>Em contrapartida, os veículos menores, a álcool, teriam até incentivos fiscais, por parte dos governos, para serem fabricados em maior quantidade.</P>
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<P>Pré-Sal</P>
<P>A questão energética esteve também presente. Alguns comemoravam o avanço tímido da energia eólica na matriz brasileira. Outros, como o ministro Carlos Minc, tiveram que responder sobre a exploração do petróleo da camada pré-sal.</P>
<P>"Preferia que a matriz fosse outra. Mas uma vez que temos de explorá-la, o ideal é que haja mecanismos tecnológicos para evitar que o carbono seja lançado na atmosfera."</P>
<P>O ministro diz apostar na ainda incerta técnica de estocagem de carbono em cavidades naturais no fundo da terra. A técnica está sendo estudada, no Brasil, pela Petrobras.</P>
<P>A incorreta exploração do petróleo na camada pré-sal, segundo Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, fará com que a curva de emissões do Brasil, "a partir de 2015", deixe de apontar para baixo.</P>
<P><FONT size=1>(Eduardo Geraque)</FONT></P>
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<P>Desmate perde peso em produção de CO2</P>
<P>O desmatamento deixou de responder por 75% das emissões brasileiras de gases-estufa. Números a serem divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente indicam que, em 2008, o corte de florestas contribuiu com cerca de um terço do gás carbônico que o país emitiu.</P>
<P>Os dados ainda são preliminares e não têm pretensão de serem completos como os do inventário nacional de emissões, que ficará pronto no final do ano - e que tem uma defasagem de quase dez anos.</P>
<P>Mas eles mostram que o ritmo de desmatamento caiu, enquanto as emissões da agricultura e do setor industrial subiram. Na Amazônia, por exemplo, as emissões por desmatamento em 2008 foram de cerca de 460 milhões de toneladas de CO2, contra 550 milhões em 1994.</P>
<P>No setor industrial, que inclui transportes e geração de energia, as emissões passaram de 230 milhões para 375 milhões de toneladas, mostra cálculo feito pela Folha a partir de dados da organização sem fins lucrativos Economia &amp; Energia, que faz o balanço de carbono nacional (www.ecen.com).</P>
<P>"O que era dois terços não permaneceu assim", disse à Folha Tasso Azevedo, consultor do Ministério do Meio Ambiente. Segundo ele, a proporção hoje está provavelmente mais próxima de um terço para florestas, um terço para indústria e um terço para agricultura.</P>
<P>Ninguém sabe realmente quanto o Brasil emite, já que o único inventário disponível hoje é de 15 anos atrás. Ontem o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) prometeu para amanhã a divulgação dos dados dos setores industrial, elétrico e de transportes.</P>
<P>A mudança no perfil de emissões tem causado preocupação no governo, que neste momento se prepara para definir a meta de corte que o país apresentará na conferência do clima de Copenhague, em dezembro.</P>
<P>O Itamaraty já declarou que o Brasil apresentará uma trajetória de emissões que represente um desvio do cenário atual - ou seja, que tenha um "viés de queda". A trajetória está sendo calculada. Espera-se que outros países desobrigados de metas pelo Protocolo de Kyoto façam a mesma coisa.</P>
<P>Assim, as emissões poderiam até continuar a crescer até 2020, mas num ritmo menor ao que seria se nada fosse feito. Após 2020, elas deveriam cair.</P>
<P>A maneira mais fácil de fazer isso no Brasil é reduzir o desmatamento. Isso tem a vantagem de produzir uma redução significativa das emissões brasileiras enquanto outros países ainda teriam emissões crescentes. O problema é que após 2020, zerado o desmate, o país ainda ficará com uma curva de emissões ascendente no setor energético - especialmente na área de petróleo, com a exploração do pré-sal.</P>
<P>Como a matriz energética nacional é limpa, isso deixa o Brasil numa situação parecida com a do Japão, país que já usa energia de forma muito eficiente. Em ambos os casos, cortar emissões adicionais implicará em custos altos. E aqui o governo brasileiro vê nas metas uma ameaça ao desenvolvimento. "A proposta de trajetória do Brasil deve ser diferente da de outros países", disse Azevedo.</P>
<P><FONT size=1>(Claudio Angelo)</FONT></P>
<P><FONT size=1>(Folha de SP, 26/8)</FONT></P>
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