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“As crianças brincam menos hoje por sobrecarga de tarefas e telas”, diz pesquisador especialista em brincadeiras
30/06/2026
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Doutor em Educação que pesquisa as tradições populares da infância brasileira afirma que “Atirei o pau no gato” corre o risco de desaparecer e defende que parlendas como o “Uni, duni, tê” são essenciais para as crianças
Uma mudança na letra de “Atirei o pau no gato”, mesmo que bem-intencionada, está colocando a canção em risco, afirma Nélio Spréa, doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador das tradições populares da infância brasileira. Ao GLOBO, ele diz ainda que as crianças brincam menos do que outras gerações porque estão ocupadas demais com afazeres e telas. E reforça que as parlendas — típicas brincadeiras infantis, como as canções “Uni, duni, tê” ou “Um, dois, feijão com arroz” — são momentos em que se aprende do letramento até a sincronia de movimentos.
As crianças hoje brincam menos que seus pais e avós?
Sim. Brincava-se mais porque as crianças se encontravam mais e tinham mais possibilidade de, juntas, acharem soluções para o tédio. Quando não há nada para fazer, elas têm que criar, inventar. Hoje, as crianças estão sobrecarregadas de tarefas e agendas, além de estarem entretidas por tempo demais com as ofertas do mundo digital.
O senhor publicou um vídeo dizendo que a mudança na letra de “Atirei o pau no gato” pode ter prejudicado a popularidade dela entre as crianças. O que aconteceu?
Essa é uma cantiga secular. Está no Brasil e em Portugal desde o século XIX. A razão para a alteração da letra é muito legítima (a nova versão é contra os maus-tratos ao animal), mas sugiro que essa adaptação não seja tão dramática. A métrica do texto é fundamental nessa cantiga. E no final tem um fator lúdico que é o “miau”, hora em que todas as crianças, numa roda, caem no chão. É uma diversão, que foi retirada da nova versão. A letra mexida deixou mais difícil para as crianças cantarem. Sugiro apenas uma mudança sutil: mudar “pau” por “pão” e “morreu” por “comeu”.
Veja o texto na íntegra: O Globo
O Globo não autoriza a reprodução do seu conteúdo na íntegra. No entanto, é possível fazer um cadastro rápido que dá direito a um determinado número de acessos.
Uma mudança na letra de “Atirei o pau no gato”, mesmo que bem-intencionada, está colocando a canção em risco, afirma Nélio Spréa, doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador das tradições populares da infância brasileira. Ao GLOBO, ele diz ainda que as crianças brincam menos do que outras gerações porque estão ocupadas demais com afazeres e telas. E reforça que as parlendas — típicas brincadeiras infantis, como as canções “Uni, duni, tê” ou “Um, dois, feijão com arroz” — são momentos em que se aprende do letramento até a sincronia de movimentos.
As crianças hoje brincam menos que seus pais e avós?
Sim. Brincava-se mais porque as crianças se encontravam mais e tinham mais possibilidade de, juntas, acharem soluções para o tédio. Quando não há nada para fazer, elas têm que criar, inventar. Hoje, as crianças estão sobrecarregadas de tarefas e agendas, além de estarem entretidas por tempo demais com as ofertas do mundo digital.
O senhor publicou um vídeo dizendo que a mudança na letra de “Atirei o pau no gato” pode ter prejudicado a popularidade dela entre as crianças. O que aconteceu?
Essa é uma cantiga secular. Está no Brasil e em Portugal desde o século XIX. A razão para a alteração da letra é muito legítima (a nova versão é contra os maus-tratos ao animal), mas sugiro que essa adaptação não seja tão dramática. A métrica do texto é fundamental nessa cantiga. E no final tem um fator lúdico que é o “miau”, hora em que todas as crianças, numa roda, caem no chão. É uma diversão, que foi retirada da nova versão. A letra mexida deixou mais difícil para as crianças cantarem. Sugiro apenas uma mudança sutil: mudar “pau” por “pão” e “morreu” por “comeu”.
Veja o texto na íntegra: O Globo
O Globo não autoriza a reprodução do seu conteúdo na íntegra. No entanto, é possível fazer um cadastro rápido que dá direito a um determinado número de acessos.