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Alvo crescente de discriminação religiosa nas escolas, crianças se calam como forma de proteção

15/06/2026 http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br
Disque 100 do Ministério dos Direitos Humanos registrou nos cinco primeiros meses do ano 17 mil violações

O serviço Disque 100 do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) registrou entre os meses de janeiro e maio deste ano 1.110 denúncias de intolerância religiosa — ao longo do ano passado foram 2.472 casos —, totalizando 1.503 violações. Se somadas a outros índices que envolvem ataques a igualdade e liberdade, como discriminação, racismo, racismo religioso, injúria racial e étnica, as denúncias chegam a 11.513 e resultam em 17.165 violações. As agressões atingem não só adultos. Levando-se em conta todas as denúncias de violações de direitos humanos no período (cerca de 316 mil), 52% foram praticadas contra menores entre zero e 16 anos.

A escola é um dos principais locais para as violações, em especial os casos de intolerância religiosa. Pesquisa feita pelo Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (Niej) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em colégios públicos aponta que, como forma de se protegerem, alunos fiéis de religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé, passaram a não revelar sua crença — parte passou a afirmar ser ateu, enquanto outra se limita a dizer que é cristã.

A pesquisa do Niej foi feita em unidades escolares da Zona Oeste do Rio de Janeiro, com ênfase nos bairros de Campo Grande e Santa Cruz, que registram o maior número de casos de intolerância religiosa na capital. No entanto, há registros de violações em todos as unidades da federação, como o caso de uma estudante de 13 anos ameaçada de ser queimada viva em uma escola pública de Várzea Grande, Região Metropolitana de Cuiabá, em Mato Grosso, por colegas de sala de aula sob pretexto de ser “bruxa” e “macumbeira”. O caso veio à tona após ser denunciado pelo Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público-MT. A estudante é fiel de matriz africana.

Veja o texto na íntegra: O Globo

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