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Aprovada mudança no currículo do ensino médio

02/07/2009 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=64420
Carga horária vai aumentar, serão criados eixos interdisciplinares, e alunos poderão escolher 20% das matérias <BR><BR>Demétrio Weber escreve para “O Globo”:<BR><BR>O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou ontem, por unanimidade, proposta do Ministério da Educação que promove uma reviravolta no currículo das escolas de ensino médio. Disciplinas tradicionais, como português, matemática e história, darão dar lugar a eixos interdisciplinares.<BR><BR>Os alunos terão liberdade para escolher 20% das matérias, e a carga horária vai aumentar das atuais 2.400 horas em três anos (800 por ano) para 3.000 (1.000 por ano). O objetivo é tornar as escolas mais atraentes para os jovens.<BR><BR>O MEC considera que o ensino médio vive uma crise de identidade, e que o problema vai além da falta de qualidade. Prova disso seria o desinteresse de parte da juventude pelo modelo de ensino predominante na rede pública. Nas escolas técnicas federais, porém, as vagas são tão disputadas que é preciso fazer vestibulares.<BR><BR>— A escola tem que corresponder à expectativa dos estudantes — disse ontem o ministro Fernando Haddad.<BR><BR>Num primeiro momento, o MEC vai financiar projetos inovadores apresentados por governos estaduais. Os repasses começam no ano que vem e serão limitados a cem escolas públicas. O investimento federal oscilará, ao todo, entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões, segundo Haddad. O dinheiro será divido pelas cem escolas, o que sugere um teto médio de R$ 1 milhão por colégio.<BR><BR>O ministro evita dizer que o projeto Ensino Médio Inovador é a grande aposta do MEC para tornar as escolas atraentes. Ele não quer melindrar os governos estaduais, que são responsáveis por 85% das matrículas. Por lei, o ministério não tem poder para interferir nas redes dos estados, e depende da adesão voluntária.<BR><BR>Assim, a ideia é somar esforços para mudar o atual modelo, abrindo espaço para que cada rede proponha soluções distintas, desde que sintonizadas com o espírito da reforma.<BR><BR>Enquanto Haddad se esforçava para passar a ideia de que o Ensino Médio Inovador é apenas uma entre as muitas iniciativas de diversificação do ensino, a secretária de Educação Básica, Maria do Pilar Lacerda, foi mais direta: “Esperamos que essa proposta seja acompanhada e avaliada e possa se tornar uma política universal”, escreveu ela, em texto divulgado pelo MEC.<BR><BR>De acordo com Haddad, o Conselho Nacional de Educação fez alterações na proposta original. Uma delas, segundo ele, foi dar liberdade aos estados para apresentar propostas inovadoras, desde que adequadas a regras definidas pelo ministério, como o aumento da carga horária e a possibilidade de que os alunos escolham parte das disciplinas.<BR><BR>De início, o ministério pretendia também selecionar as cem escolas com piores resultados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A intenção foi deixada de lado a pedido do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).<BR><BR>Segundo Haddad, o argumento é que a transição para o novo modelo poderia ser mais fácil em outras escolas que não as piores no Enem.<BR><BR>Com 97,6% das crianças e jovens de 7 a 14 anos na escola, o Brasil vive situação bem diferente na faixa dos 15 aos 17 anos: apenas 82,1% estudavam em 2007, segundo o IBGE. O pior é que somente 48% deles frequentavam o ensino médio.<BR><FONT size=1>(O Globo, 1/7)</FONT><BR>
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