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Número de estudantes que entraram em universidades federais por cotas cresce 205% em seis anos

21/07/2023 http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br
Mesmo com esse dado, referente ao período de 2013 a 2019, pesquisas mostram que o acesso a instituições públicas de ensino superior continua desigual

“A cota foi o que me salvou, se não fosse ela talvez eu tivesse desistido antes, e a vida me cobraria outras coisas, como trabalho”, diz Julya Sampaio, de 21 anos, que utilizou as políticas de ação afirmativa para entrar no curso de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 2019. A pesquisa “Avaliação das políticas de ação afirmativa no ensino superior no Brasil: resultados e desafios futuros”, da mesma universidade, mostra que a história de Julya é parecida com a de muitos outros jovens brasileiros. Dados revelam que, de 2013 a 2019, o país registrou um aumento de 205% de estudantes vindos da rede pública, pretos, pardos, indígenas e de baixa renda em instituições federais de ensino superior.

A estudante conta que em 2018, ano em que se formou no ensino médio, começou a fazer um pré-vestibular social voltado para pessoas pretas e de baixa renda em uma igreja de Duque de Caxias, próxima à sua casa. Assim começou a ter perspectiva de fazer uma faculdade, mas ainda tinha poucas esperanças de que passaria, pois não achava que tinha se preparado o suficiente. Foi no Sisu de 2019.2 que passou para o curso de Letras, a partir de cotas raciais e de escola pública.

— Eu devo tudo às cotas raciais e ao colégio público, porque o meu ensino médio foi muito defasado. A escola que eu estudei aqui em Caxias teve quase dois anos de greve, eu praticamente não tive o segundo ano, só tinha aula de geografia porque foi o único professor que não aderiu à greve. O terceiro e o primeiro ano também eram muito defasados, faltava professor, as aulas eram ruins. Até hoje, na faculdade, eu sinto que corro contra o tempo pra tentar suprir o que eu não tive na escola. Por isso eu acho que sem as cotas eu não estaria onde estou hoje, ou precisaria suar 50 vezes mais para conseguir — contou ela.

Veja o texto na íntegra: O Globo

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