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Universidades privadas pedem apoio do BNDES
27/02/2009
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=61882
Setor quer uma linha especial de financiamento, com recursos públicos e condições melhores que as praticadas hoje <BR><BR>Fábio Takahashi e Márcio Pinho escrevem para a “Folha de SP”:<BR><BR>Levantamento feito pelo sindicato das Universidades privadas de SP aponta que 41,5% das instituições terão um volume menor de novos alunos (ingressantes) neste ano em relação ao ano passado. Segundo a entidade, a redução é reflexo da crise econômica.<BR><BR>Será a primeira vez desde 1996 que as escolas privadas do Estado sofrerão tal redução, se for confirmada a diminuição (a ser oficializada com a tabulação do Ministério da Educação).<BR><BR>"Nosso alunado é formado em sua maioria de aluno-trabalhador. Em qualquer problema de desemprego, dele ou de algum integrante da família, ele desiste do curso superior", afirma o presidente do Semesp (sindicato das instituições particulares), Hermes Figueiredo.<BR><BR>De acordo com o IBGE, o número de desempregados na região metropolitana de SP aumentou 32% entre dezembro e janeiro.<BR><BR>A pesquisa do Semesp foi respondida por 266 instituições, 69,5% do total de SP. Apenas 26,8% afirmaram que terão mais ingressos neste ano. "A redução é preocupante. Menos alunos hoje significa menos alunos por quatro ou cinco anos [duração dos cursos]", disse o pesquisador Oscar Hipólito, do Instituto Lobo e ex-diretor do Instituto de Física da USP de São Carlos.<BR><BR>"A diminuição [dos novos alunos] desestrutura a instituição, pois muitos dos gastos são constantes. E, ao tentar cortar as despesas, pode haver perda de qualidade. Muitas, por exemplo, mandam embora os professores mais preparados, que têm melhores salários."<BR><BR>BNDES<BR><BR>Para tentar atenuar os efeitos da crise, o Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular solicitou ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) uma linha especial de financiamento, com recursos públicos, para a área.<BR><BR>As instituições pedem recursos com taxas menores do que as do mercado, tanto para capital de giro (manutenção dos cursos) quanto para investimento (ampliação e modernização da infraestrutura). O banco já possui uma linha para financiar o investimento, mas o fórum pleiteia condições melhores. Já a linha para capital de giro seria inédita.<BR><BR>Segundo Hermes Figueiredo, o presidente do Semesp, desde que começou a crise econômica, no final do ano passado, as Universidades têm encontrado dificuldade para fazer empréstimos bancários. E, quando conseguem, afirma, as taxas estão altas (foram de uma média de 1,5% ao mês no ano passado para 2% a 3% neste ano).<BR><BR>"Estamos com menos alunos, menos crédito e a inadimplência subindo. Precisamos de recursos para evitar, por exemplo, demissão de professores."<BR><BR>O banco não se manifestou ontem sobre a solicitação das Universidades privadas.<BR><BR>"Falta de qualidade"<BR><BR>Antes mesmo da crise econômica, o ensino superior já passava por dificuldades pelo fato de o número de vagas ter crescido nos últimos anos muito mais que a demanda.<BR><BR>Entre os anos de 1997 e 2007, o número de instituições de ensino superior privadas do Estado passou de 266 para 496 (aumento de 86,5%). Já o total de alunos no ensino médio teve queda -de 1,8 milhão para 1,7 milhão.<BR><BR>Para Carlos Monteiro, consultor em ensino superior, o setor passa por dificuldades porque não conseguiu se estruturar para permitir a permanência nas salas de aula da classe C, público disputado hoje por muitos cursos de graduação.<BR><BR>"A falta de qualidade em muitas instituições afasta o aluno. Um problema maior é a falta de opções de financiamento para quem tem dificuldade para pagar os estudos. São problemas estruturais. A crise financeira é apenas mais um problema."<BR><BR>Consultores divergem sobre financiamento<BR><BR>O consultor Ryon Braga, da Hoper Consultoria, concorda com uma linha especial de financiamento para as Universidades particulares. "O governo já diminuiu o IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] dos automóveis. Também pode ajudar a educação."<BR><BR>Já o consultor Carlos Monteiro diz que o governo tem a "obrigação" de criar essa linha, "pois foi o setor privado quem assumiu a maior parte da educação superior em razão da ausência das vagas públicas".<BR><BR>O pesquisador Oscar Hipólito discorda: "Prefiro financiamento para os alunos. Assim, você garante que o recurso vai para onde deve ir".<BR><BR>"A maioria das instituições é familiar, sem reserva de caixa para aguentar a crise. Achamos ser justo que nós, que representamos 4 milhões de alunos, recebamos uma linha do BNDES, como tantos outros setores", disse Hermes Figueiredo, um dos representantes do fórum das instituições, que pediu a ajuda ao BNDES.<BR><BR>A Folha apurou que o Ministério da Educação, que será consultado pelo BNDES, recomendará que haja condições para os empréstimos: que os recursos sejam liberados só para instituições com boas notas nas avaliações de ensino ou que apresentem, detalhadamente, onde gastarão a verba. A pasta quer evitar desvio de recursos para outro fim.<BR><FONT size=1>(Folha de SP, 26/2)</FONT><BR>