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Piores faculdades crescem mais que a média
05/02/2009
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=61479
Aumento de matrículas nas instituições mal avaliadas pelo MEC foi de 7,3% entre 2006 e 2007; o sistema cresceu; Instituições com notas 1 e 2 (numa escala até 5) no Índice Geral de Cursos atendem 588 mil alunos, 12% das matrículas no país <BR><BR>Fábio Takahashi e Angela Pinho escrevem para a “Folha de SP”:<BR><BR>As universidades consideradas piores pelo próprio Ministério da Educação cresceram mais que a média do setor em número de alunos entre 2006 e 2007, de acordo com o novo Censo da Educação Superior, divulgado anteontem.<BR><BR>O sistema como um todo cresceu 4,5% no período -passou de 4,6 milhões para 4,8 milhões. Já as 454 instituições que receberam as mais baixas notas (1 e 2) do MEC aumentaram suas matrículas em 7,3% -de 548 mil para 588 mil.<BR><BR>Com isso, 12% dos universitários do país estudam em escolas consideradas ruins. A nota é dada pelo IGC (Índice Geral de Cursos) -que varia de 1 a 5- e leva em conta prova feita pelos alunos e critérios como titulação de professores.<BR><BR>Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, Paulo Barone diz ser "extremamente preocupante" que cursos mal avaliados há anos cresçam sem melhorar a qualidade. Ele ressalta, porém, que isso não pode servir de motivo para que a ampliação de vagas pare.<BR><BR>"O MEC tem que ser duro com as instituições mal avaliadas, não para inibir a expansão, mas para melhorar a qualidade, que hoje deixa muito a desejar", diz. Barone cita a redução de gastos com docentes, livros e laboratórios como causas da falta de qualidade.<BR><BR>O consultor em ensino superior Raulino Tramontin afirma que a situação tende a se agravar. "Muitas das pequenas escolas estão morrendo e sendo compradas por grandes grupos. Para terem poder aquisitivo e reduzir custos, cortam mensalidades. E não dá para ter excelência com baixo custo", diz.<BR><BR>"O governo deveria ter mais cautela na política de expansão, principalmente em locais onde o número de cursos está saturado e nem há docentes qualificados em número suficiente."<BR><BR>Nota 1 e 2<BR><BR>Entre as escolas com notas 1 e 2, as que mais cresceram foram a Faculdade Maurício de Nassau (PE), a Faculdade Comunitária de Campinas (SP) e o Centro Universitário Sant'Anna (SP). As três ampliaram em cerca de 3.000 o número de matrículas. Cresceram, respectivamente, 78%, 68% e 48%.<BR><BR>As duas últimas obtiveram nota 2 no IGC. A Maurício Nassau, que foi a que mais cresceu, teve média 1 (a mais baixa).<BR><BR>Para estipular uma nota para a instituição, o MEC avalia a qualidade dos cursos de graduação (com base no Enade, questionários socioeconômicos e outros fatores) e de pós-graduação (nota da Capes).<BR><BR>O indicador é utilizado pelos fiscais do ministério que visitam as instituições periodicamente para avaliar se elas têm condição de abrir cursos e se as vagas que já são oferecidas podem seguir funcionando.<BR><BR>A Folha tabulou os dados de evolução de matrículas a partir dos censos 2006 e 2007, feitos pelo Inep (instituto de estudos e pesquisas do MEC).<BR><BR>Das 454 escolas com os piores desempenhos, 436 são da rede privada (96%). Outras 16 (3,5%) são municipais. Há ainda uma federal e uma estadual.<BR><BR>São Paulo é o Estado que mais concentra essas instituições (25%), seguido de Rio de Janeiro, Paraná, e Minas Gerais (7% cada um).<BR><FONT size=1>(Folha de SP, 4/2)</FONT><BR>