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Universidades federais farão reforma curricular

14/11/2008 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=59909
<P>Segundo balanço do MEC, 20 instituições vão adotar mudanças como cursos de graduações interdisciplinares, incluindo bacharelado em ciência e tecnologia <BR><BR>Demétrio Weber escreve para “O Globo”:<BR><BR>No ano que vem, algumas instituições oferecerão graduações interdisciplinares, espécie de ciclo básico com duração de três anos e direito a diploma. Outra inovação será permitir que universitários da área de ciências exatas estudem um ou dois anos antes de escolher o tipo de engenharia que querem cursar.<BR><BR>A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) adotaram uma ou mais inovações. Balanço do Ministério da Educação mostra que mais de 20 instituições pretendem mexer nos currículos em 2009.<BR><BR>A principal novidade são os bacharelados interdisciplinares. A UFBA tem o projeto mais ousado e vai oferecer 900 vagas em quatro cursos de artes, humanidades, saúde e ciência e tecnologia. A UFRN atenderá 500 alunos no bacharelado interdisciplinar de ciência e tecnologia.<BR><BR>Na federal da Bahia, cada área terá um terço de disciplinas comuns aos respectivos alunos. O restante será de livre escolha, permitindo que o estudante direcione a formação. Com o diploma, poderá ingressar em mestrados ou fazer concursos públicos que não exijam especialidade profissional. Uma das dúvidas no meio acadêmico é o que farão esses bacharéis.<BR><BR>O novo modelo poderá ser aplicado aos cursos de jornalismo. Os estudantes fariam o ciclo básico de três anos e completariam a formação com mais dois anos para também receber o diploma de jornalista. A lógica é que o ciclo básico dê um diploma genérico e o curso tradicional, o certificado prossional.<BR><BR>Favorável à novidade, o presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, Paulo Barone, diz que eles terão perfil, por exemplo, de gestores de políticas públicas em prefeituras.<BR><BR>Proposta divide opiniões no meio acadêmico Barone lembra que a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) prevê a distinção entre formação acadêmica e profissional. O modelo está em vigor desde 2007 na nova Universidade Federal do ABC, em Santo André (SP): — É um progresso para o Brasil, que assim segue a experiência européia e americana.<BR><BR>Os novos formatos são estimulados pelo Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), do MEC. A proposta, porém, divide opiniões no meio acadêmico.<BR><BR>— Os cursos de graduação têm um formato conservador. É preciso ajustar nossas metodologias de ensino e currículo às necessidades do século 21 — diz o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Amaro Lins, que é reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).<BR><BR>A UFPE não oferece bacharelados interdisciplinares. Este ano, adotou o sistema de ingresso único em que estudantes das engenharias cursam as mesmas disciplinas no primeiro ano e só escolhem a carreira (engenharia civil, mecânica, etc.) no segundo. As vagas são preenchidas conforme as notas.<BR><BR>Na UFRN, a idéia é que o ciclo interdisciplinar seja um degrau para cursos tradicionais. O coordenador do Reuni na instituição, Fred Pinheiro, lembra que o ingresso no segundo ciclo levaem conta as notas: — Vamos provocar a competição. O estudante terá motivação para se empenhar mais.<BR><BR>Na UFRJ, escolha da engenharia só dois anos depois<BR><BR>A UFRJ seguirá modelo semelhante nas engenharias, com a escolha definitiva ocorrendo só após dois anos de aulas. No campus de Macaé, alunos da área de saúde, inclusive medicina e enfermagem, terão disciplinas comuns.<BR><BR>Será criado também o bacharelado em ciências da matemática e da Terra, uma opção aos cursos científicos tradicionais de física, química ou biologia.<BR><BR>— Estamos chegando numa época em que cursar a universidade será um direito de cidadania como é o ensino básico. E essa universidade não servirá exclusivamente para a formação profissional de médicos, engenheiros e advogados — diz o reitor da UFRJ, Aloisio Teixeira.<BR><BR>Ele admite, porém, que a instituição avança com cautela: — A UFRJ ficou no meio do caminho, nem muito conservador nem tão inovadora.<BR><BR>Na federal da Bahia, 20% de vagas para bacharelados A partir de 2012, a federal da Bahia reservará 20% das vagas dos cursos tradicionais para egressos dos bacharelados profissionalizantes. A idéia é que parte dos bacharéis dê continuidade aos estudos em cursos de formação profissional.<BR><BR>“A proposta é que, no futuro, o acesso a todos os cursos profissionais da UFBA se dê através do bacharelado interdisciplinar, acabando com o sistema de vestibular convencional”, diz nota divulgada pela UFBA.<BR><BR>A Universidade de Brasília (UnB) ficou no meio termo, conta a decana (pró-reitora) de Ensino de Graduação, Márcia Abrahão Moura. Além de já ter adotado o sistema de ingresso único nos cursos de engenharia da unidade no Gama, cidade-satélite a 40 quilômetros de Brasília, a instituição vai oferecer bacharelados em ciências da vida, na área de biologia, e computação e tecnologia, ambos com três anos de duração.<BR><BR>— O Reuni é uma oportunidade de repensar a universidade — diz Márcia.<BR><FONT size=1>(O Globo, 13/11)</FONT></P>
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