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Bernardete Angelina Gatti: Por uma política de formação de professores
30/05/2018
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Pesquisadora expõe obstáculos e desafios enfrentados na preparação de novos educadoresPoucos ruídos da rua chegavam à ampla e silenciosa sala de reuniões do Conselho Estadual de Educação de São Paulo (CEE) durante uma tarde de janeiro. Hoje está tudo quieto, uma delícia, mas amanhã estará bem cheio”, comentou a educadora Bernardete Angelina Gatti, de 75 anos, presidente do conselho desde agosto de 2016. No dia seguinte, todos os assentos estariam ocupados para debates sobre processos de avaliação de instituições de ensino superior e outros temas. É Bernardete quem comanda, sempre às quartas-feiras, as sessões plenárias abertas ao público realizadas na sede do CEE, órgão criado em 1963 com o objetivo de estabelecer regras para as escolas estaduais e particulares e orientar as instituições públicas de ensino superior do estado. O conselho está instalado no segundo andar do edifício Caetano de Campos, na praça da República, região central de São Paulo. Inaugurado em 1894 e conhecido como escola da praça, o prédio histórico formou gerações de normalistas e, desde o final dos anos 1970, abriga a sede da Secretaria Estadual de Educação.Na antessala da diretoria, quadros com imagens de crianças sorridentes manuseando lápis e papéis remetem ao início da carreira de Bernardete, que, durante a graduação em pedagogia na Universidade de São Paulo (USP), na década de 1960, lecionou para crianças e adolescentes em colégios públicos. A experiência como alfabetizadora e o doutorado em psicologia na Universidade Paris VII, na França, prepararam o terreno para que ela iniciasse em 1971 a carreira de pesquisadora na Fundação Carlos Chagas, instituição que é referência em avaliação educacional. Desde então, coordenou estudos pioneiros sobre a formação de professores no Brasil.Um deles, realizado no final da década de 2000, avaliou as propostas curriculares de 94 cursos de licenciatura em pedagogia, língua portuguesa, matemática e ciências biológicas e constatou que elas eram frágeis na formação de competências essenciais para a atividade docente: disciplinas como didática e psicologia da educação representam apenas 10%, ou menos, do currículo desses cursos. Nesta entrevista, Bernardete fala dos problemas que ainda persistem na qualificação dos professores que atuam no ensino fundamental e no médio e relembra os tempos de alfabetizadora.Leia a entrevista na íntegra:Revista Pesquisa Fapesp