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MEC anuncia mais de 100 mil vagas para formação de professor da rede pública
30/03/2016
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Inscrições para vagas remanescentes em universidades federais, institutos e ensino à distância iniciam em 05 de abril. Levantamento diz que mais de 200 mil docentes dão aula em disciplinas diferentes das de sua formaçãoNa tentativa de corrigir falhas e melhorar os indicadores da educação básica, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, divulgou na tarde desta segunda-feira, 28, 105 mil vagas para professores da rede pública que precisam complementar sua formação em disciplinas específicas. As inscrições, para cursos presenciais e a distância, começam em 5 de abril e encerram em 5 de maio. As aulas começam no segundo semestre deste ano.Em coletiva à imprensa, o ministro avisou que serão 20 mil vagas remanescentes em universidades federais, 4 mil em institutos federais; e 81 mil (a maioria) à distância, pela Universidade Aberta do Brasil. O anúncio das vagas foi seguido da apresentação do Censo Escolar de 2015, levantamento inédito que apontou que 38,7% dos docentes da rede pública da educação básica (200.816) ministram aulas em disciplinas diferentes da de sua formação, com destaque para Física.Segundo o levantamento, o Brasil possui um total de 518.313 professores efetivos no ensino básico da rede pública. Em razão da carência de professores com formação em áreas específicas, porém, alguns docentes chegam a dar aula em mais de uma disciplina, inflacionando os registros para 709.546 docentes em exercício, segundo a radiografia apresentada pelo ministro. Desse total, quase metade (334.717) dos docentes que lecionam em uma ou mais disciplinas têm a formação específica para o ensino em sala de aula.Nesse contexto, o ministro destacou que o desafio é ofertar cerca de 200 mil vagas até 2017. Caso não exista vaga suficiente para atender toda a demanda nos órgãos já citados, Mercadante sinalizou a possibilidade de fechar parcerias com universidades privadas. O ministro também garantiu a implementação de laboratórios nas universidades federais onde os docentes precisarem de equipamentos para a prática de experimentos científicos. Tal iniciativa foi anunciada pelo ministro como ação prioritária para o próximo ano.Física, um dos cenários mais críticosO ministro discorreu sobre a carência de pessoal com formação em todas as disciplinas e citou a área da Física como o cenário mais crítico. “Temos na Física um imenso desafio”, afirmou.Segundo Mercadante, o Brasil forma 1.826 físicos por ano, mas existem 27.886 mil professores efetivos em exercício na educação básica da rede pública. Refletindo sobre esse cenário, somente 31,3% (ou 8.725) dos professores que lecionam a disciplina são físicos formados, segundo o levantamento. Já a maioria (56,6%) que ministra a aula de física possui licenciatura em outras disciplinas.A boa notícia, conforme avaliou o ministro, é que 62% desse percentual (56,6%) são professores com formação em matemática, cujos desafios se aproximam dos da Física. Dessa forma, ele acredita ser possível o matemático complementar sua formação em física, com uma pequena carga horária. Entretanto, ele demonstrou preocupação com a informação de que uma parcela de 10,1% dos docentes são biólogos, 10,1% formados em Química; 5,1%, em Pedagogia; 1,7% em Letras; e outros 10,3% com outras formações. Enquanto uma parcela menor, 2,9%, não tem graduação; e 1,6% têm bacharelado em Física com complementação em pedagogia.De acordo com o ministro, o Brasil precisa de 19.161 professores com alguma complementação para ter condições plenas para ministrar a disciplina de Física.“É difícil reverter isso, porque o professor que está lá em baixo para motivar o aluno não é formado em Física e que, portanto, dá uma aula improvisada para poder preencher a carga horária”, disse.Cenário confortável: BiologiaJá a Biologia está em posição favorável, segundo o ministro: 78,4% dos docentes possuem a licenciatura ou bacharelado com curso de complementação pedagógica especifica para ser professor, uma exigência da Lei de Diretrizes Básicas (LDB), de 1996. Em seguida, na ordem, vem a língua portuguesa (2º lugar), química, matemática, ciências, história e geografia.O ministro reconheceu a necessidade de aumentar a remuneração dos professores para melhorar a qualidade da educação. Mas disse que os estímulos concedidos à formação dos docentes podem auxiliar nisso. “Se vincular a formação à valorização salarial, se estimula novos talentos para as salas de aula e, por tabela, melhora a qualidade do ensino”.Recursos adicionaisMercadante também disse ser favorável à criação de um imposto ou contribuição que seja destinado à educação. “Sou totalmente favorável a um esforço para melhorar a situação fiscal vinculada à saúde e à educação. Se eu estivesse no Congresso, minha votação seria favorável e eu lutaria por isso. Porque o Brasil precisa fazer um esforço para melhorar as condições dos professores e da saúde pública”, disse.(Viviane Monteiro/ Jornal da Ciência) Leia também:Agência Brasil – Quase 40% dos professores no Brasil não tem formação adequada