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Para especialistas, Febrace é uma injeção de ânimo na educação básica do País
25/06/2015
http://www.jornaldaciencia.org.br/para-especialistas-febrace-e-uma-injecao-de-animo-na-educacao-basica-do-pais/
Depois do sucesso obtido na captação de jovens talentos, há mais de uma década, organizadores da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) afirmam que o próximo passo do programa – que vem cumprindo seu papel de despertar o interesse de jovens estudantes pelas áreas de ciências – será a criação de um programa de monitoria.A intenção é acompanhar o desempenho de centenas de estudantes que passam pela Feira a cada ano, disse Roseli de Deus Lopes, coordenadora da Febrace desde 2003, ano em que o projeto foi concebido.Roseli avaliou o desempenho da Febrace, ao longo de seus 13 anos de existência, e disse que o projeto é uma “forte semente na educação do Brasil” nos últimos anos.“A Febrace é uma semente forte que precisa ser cuidada”, disse Roseli, durante a 13ª edição da Febrace, realizada na semana passada, de 17 a 20 de março, nas dependências da Universidade de São Paulo (USP), onde, tradicionalmente, se realiza a mostra final de projetos científicos desenvolvidos por jovens talentos, principalmente de escolas públicas da educação básica e de cursos técnicos.O evento é realizado a cada ano pelo Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Escola Politécnica da USP (EPUSP),da qual Roseli é pesquisadora de tecnologias aplicadas à educação do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos.Também secretária regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em São Paulo, Roseli informou que a maioria dos jovens talentos participantes da Febrace é proveniente de escolas públicas, representando entre 70% e 80% do total.A Febrace 2015 reuniu um público de quase mil pessoas, entre alunos e professores, superlotando o Anfiteatro do Prédio da Engenharia Mecânica da EPUSP.Investimento na baseMinutos após a entrega de prêmios, a biomédica Regina Pekelmann Markus, professora titular de Fisiologia da USP, disse no encerramento do evento, na sexta-feira, 20, que a Febrace representa a base do País do futuro. Para ela, o objetivo da Febrace “vai muito além” de melhorar a qualidade da educação brasileira.“A Febrace tem a função de descobrir talentos. E na hora em que se descobrem talentos e se prima pela excelência a educação melhora automaticamente”, avalia a especialista, também secretária geral da SBPC.Fazendo uma avaliação sobre a vibração da plateia durante a entrega de 200 prêmios, aproximadamente (entre troféus, medalhas, bolsas e estágios), Regina enalteceu “a excelência” na educação. Os prêmios são distribuídos a alunos que apresentam os melhores trabalhos da área de ciência.“Os prêmios da Febrace são importantes porque se vê a vibração da excelência. Cada pessoa vibra não pelo futebol que é bom; vibra não por uma música que é boa; vibram porque estão sonhando com um País melhor. E sonhar é preciso”, disse. Ela acrescentou: “Pensar em uma educação pelo mínimo, pelo básico e pela cota é muito pouco para um país como Brasil.”Hoje a Febrace está presente em todo Brasil, praticamente, por intermédio de 100 feiras afiliadas.Com visão semelhante, dirigentes da Intel ISEF (International Science & Engineering Fair), um dos patrocinadores do evento, parabenizaram os esforços dos alunos e dos professores presentes na Febrace 2015. Segundo eles, a Feira, pela qual jovens são incentivados a começar a fazer ciência, é um passo para construir um futuro promissor para o Brasil. O evento é patrocinado também pelo governo federal.Todos os integrantes dos projetos selecionados recebem certificados de participação na Febrace e alguns deles são eleitos para representar o Brasil na feira internacional Intel ISEF, nos Estados Unidos. Outros conquistam bolsas internacionais.Os projetos apresentados são avaliados por profissionais das áreas correlatas, professores universitários e pesquisadores (mestres e doutores). A Febrace também concede prêmios para os professores que se destacam na orientação dos alunos.Na ocasião, Regina destacou a avaliação que fez de um projeto, juntamente com as professoras Alicia Kowaltowski, do Instituto de Bioquímica da USP, e Irene Ficheman, da Escola Politécnica da USP, que permitirá o autor do trabalho passar um mês de estágio no Instituto de Pesquisa Weizmann, situado em Rehovot, em Israel.A secretária geral da SBPC ressalta que o Instituto de Pesquisa Weizmann é um dos mais importantes do mundo, abriga quatro prêmios Nobel e possui uma tradição de transferência de tecnologia de altíssima relevância. “É um local em que esses alunos podem trabalhar no laboratório, desenvolver projetos e fazer um programa de viagem no deserto por uma semana.”Nem bem acabou a Febrace de 2015, Roseli já está em clima de preparação da edição de 2016. Segundo disse, os cartazes já estão em processo de distribuição e as inscrições, em breve, serão abertas no site da Febrace.Bolsas de estudo da Capes e CNPqO coordenador da feira do Mato Grosso do Sul (MS), filiada à Febrace, Ivo Leite Filho, coordenador de bolsas de iniciação científica júnior da Universidade Federal de MS, saiu em defesa dos programas de bolsas de estudo da Capes e CNPq, para o fortalecimento do ensino da educação básica que, segundo avalia, contribuem para o resultado final da Febrace.Nesse caso, citou o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), da Capes, e o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), do CNPq. Pela bolsa de iniciação à docência, por exemplo, escolas públicas da educação básica podem fazer parcerias com universidades para a qualificação de professores.“Temos percebido que essas bolsas vinculadas com programas de iniciação científica têm tido apoio grande dos programas de mestrado e doutorado, como parte de pesquisa desenvolvida em cadeia”, disse.O pesquisador da UFMS destaca, porém, que ainda há um longo caminho a percorrer para melhorar o ensino de todas as escolas públicas da educação básica do País.“Falta muito. É preciso buscar um equilíbrio entre as boas escolas e as boas universidades com as escolas que ainda não chegaram a esse movimento e dinamismo (capturado pela Febrace).”Na visão do coordenador da feira científica de MS, responsável pela delegação mato-grossense -do-sul que recebeu 11 prêmios na Febrace 2015, projetos científicos como os da Febrace são ótimas opções para captação de jovens talentos. “A Febrace consegue ser mais explosiva e irradiante para estimular a ciência em sala de aula.”Viviane Monteiro/ Jornal da Ciência