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Com a missão de estimular o desenvolvimento no DF
08/06/2015
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Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Paulo Salles vê a implementação do Parque Tecnológico como uma das demandas mais necessáriasNascido em Garça (SP), Paulo Sérgio Brêtas de Almeida Salles é coordenador de objetivos estratégicos da equipe de transição de governo e coordenou a elaboração do programa de administração do governador Rodrigo Rollemberg. É biólogo e PhD em Ecologia pela Universidade de Edimburgo, na Escócia e fez pós-doutorado na Universidade de Amsterdã, na Holanda. Atuou em cursos de graduação e pós-graduação em ciências biológicas como orientador de alunos de mestrado e doutorado e, em 2014, aposentou-se como professor associado da UnB. Em 2011 foi diretor-presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF e diretor-secretário da Fundação para Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Fnatec). Atuou também na gestão de recursos hídricos como vice-presidente (2008-2010) e presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do rio Parnaíba (2010-2013). Além disso, presidiu o Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Paranoá, onde atualmente é vice-presidente.Em entrevista ao jornal Alô Brasília, o secretário fez um balanço dos primeiros meses de gestão, falou sobre o Fórum Mundial das Águas e sobre a criação do Parque Tecnológico de Brasília, parado desde 2003.ENTREVISTAQual o balanço que o senhor faz desses primeiros meses à frente da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação?A Secretaria de Ciência e Tecnologia, na gestão anterior, não chegou a cumprir as principais missões pelas quais ela foi pensada, que é tornar-se um agente ativo no sentido de estimular o desenvolvimento científico com conhecimentos de pesquisa científica, desenvolvendo e promovendo novas aplicações tecnológicas que resolvam problemas da sociedade de forma geral, do governo, além de fomentar o aparecimento de inovações tecnológicas. Ela (a Secretaria) não promoveu desenvolvimento científico que hoje ocorre em função da UnB, da Embrapa, da Universidade Católica, do Instituto Federal de Tecnologia que estimulam pesquisas fazendo ciência além de desenvolver tecnologias e inovação. Ela trabalhou com outras coisas como o Wi-Fi e outras atividades, mas foram projetos desconectados porque não existia uma política de desenvolvimento de ciência e tecnologia. Então o que nós fizemos durante esse tempo que nós assumimos o cargo foi reorganizar a Secretaria, colocar pessoas capacitadas e que estão fazendo planejamentos além de estarem fazendo a base do que vai ser a nossa ação na área de ciência, tecnologia e inovação. Não acredito que vamos começar do zero, mas iremos reorganizar a pasta dando uma nova destinação mais clara e objetiva. Nós temos conversado muito com a comunidade científica, de onde eu sou oriundo, para dinamizar a ação da Secretaria. Do ponto de vista da tecnologia, nós vamos promover o desenvolvimento tecnológico de diversas maneiras e na inovação nós objetivamos nos aproximar com esse pessoal que está promovendo esse tipo de modernização; ao entrar em contato com empresas que buscam novos tipos de inovação, para que elas venham a colocar aqui as suas áreas de desenvolvimento tecnológico. Temos uma missão, dada pelo governador, que parte do pressuposto de que a ciência e a tecnologia são coisas transversais e que devem ser trabalhadas com todas as secretarias, promovendo desenvolvimento inclusive econômico. Brasília não vai competir com a agricultura do Goiás ou com a indústria do sudeste, mas vamos promover o desenvolvimento dos nossos produtos, pois temos aqui no Distrito Federal (DF) uma base científica e tecnológica muito forte como a Embrapa, a UnB, o Uniceub e a Universidade Católica de Brasília. Percebemos que a nossa região, em comparação com outros estados do Brasil, é muito rica nessa infraestrutura e cabe a nós identificá-las e, através da FAP-DF, fazer financiamentos por meio de editais para que seja injetado dinheiro na ciência e tecnologia com aplicações em várias áreas.Em que pé está a proposta para criação do Parque Tecnológico do Distrito Federal, emperrado desde 2003? A criação do Parque Tecnológico é uma das grandes prioridades da Secretaria para os próximos anos. O Parque tem uma longa história e ele tinha alguns problemas básicos na parte conceitual e na parte de administração. O primeiro problema é que ele se confundia com um polo industrial que é o local de produção do produto e isso é uma visão equivocada, pois a ideia é que o parque torne-se um ambiente de inovação onde são produzidas novas tecnologias, não sendo a fábrica propriamente dita. Então, quem vai estar lá são pessoas ligadas a universidades, centros de pesquisas e empresas fazendo projetos enquanto que a produção industrial acontece em outro lugar. Essa confusão de sentidos é tão grande que pessoas já chegaram a entrar em contato com a Terracap perguntando quando seriam licitados os lotes do local pensando que lá será instalada uma indústria. Portanto, o nosso trabalho, nesse momento, está sendo criar esse ambiente de inovação ao fazer contato, por exemplo, com a Embrapa, que deverá ser uma grande parceira nossa, porque é uma grande empresa inovadora e reconhecida mundialmente. E eles têm um grande interesse em agricultura e pecuária tropical que é algo que é interessante para o Brasil e para os países que vivem nessa região. A UnB também tem um espaço de desenvolvimento de biotecnologia e comunicações muito fortes, laboratórios de nanotecnologia, além de pesquisas ligadas a grandes indústrias internacionais e todas essas áreas devem encontrar, no Parque Tecnológico, esse ambiente de inovação. A nossa meta é criar o Parque oficialmente ocupando aquela área de 123 hectares com prédios de gestão do próprio Parque levando instituições de ensino e grandes empresas chamadas empresas âncoras como a Embrapa, por exemplo, para o local. Brasília é o centro do país e possui condições privilegiadas, uma vez que está perto do Governo Federal, atraindo todos os tipos de interesses. Esses dias, estivemos com uma parte da delegação chinesa e eles têm interesse no espaço no sentido de desenvolver carros e energia solares aqui. E a nossa função, como Secretaria, é oferecer o espaço, mas também cobrar transferência de tecnologia ou colocar pessoas ligadas a nós para trabalhar conjuntamente com eles. A criação desse parque acaba por ajudar na ampliação da nossa economia que obviamente não vai deixar de ser voltada a serviços, mas podemos estimular mudanças em outros setores através da inovação científica e tecnológica provinda do parque.Vocês irão participar do Fórum Mundial das Águas. Qual o papel da pasta na gestão de recursos hídricos do Distrito Federal?Nós temos que ter muitas estratégias para desenvolver a manipulação desse recurso, pois temos que ter água em quantidade e qualidade necessárias para a nossa vida não só para o lado biológico, mas para todas as atividades econômicas. Para isso nós temos que olhar certos parâmetros como a prospecção de água, conhecer melhor o subsolo, conhecer melhor os processos que estão fazendo a água fluir pelas nascentes e correr nos rios. Hoje, estudos científicos mostram que o desmatamento reduz sensivelmente o nível de água em uma região alterando o clima desse local. Nesse sentido, a ciência e tecnologia entram com o objetivo de regenerar esses espaços aumentando a quantidade de água e melhorando o clima dessa região. Outro ponto é o reuso da água que, hoje em dia, é muito precário aqui no Brasil. Atualmente existe a necessidade de poupar a água, antes e depois dela ser tratada. E para isso os estudos científicos, juntamente com o desenvolvimento de aplicações tecnológicas, ajudam facilitando o reuso, circulação e tratamento da água, além de evitar meios de poluí-la. Então (há) muitas aplicações que a ciência e a tecnologia têm para acrescentar no desenvolvimento e aproveitamento desse recurso. Estive recentemente com o governador na Coreia e nós fizemos um acordo para trazer o Fórum Mundial das Águas em 2018 para o Brasil e isso será um grande evento para a gente. No fórum, que foi realizado lá na Coreia, percebemos um envolvimento e participação muito da ciência e tecnologia. Os coreanos investiram muito para trazer produtos que ajudem no processo de uso da água, como a dessalinização da água, e isso nos fez querer mostrar o que temos a oferecer nesse fórum. Primeiro, as nossas boas práticas porque nós temos uma legislação eficiente nessa área de gestão de recursos hídricos, embora ainda não esteja pronta e seja perfeita. Também queremos evidenciar e organizar nossa questão de ciência e tecnologia para mostrar a todos que aqui existe um investimento tecnológico em relação à água e que ele é bem desenvolvido; e o Fórum é um motivo para se reunir para otimizar os processos. E também queremos trazer o Fórum para tratar tanto da questão do meio-ambiente que, como disse antes, necessita de água e para se formar um equilíbrio, sustentabilidade e ajudar na questão econômica.A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) terá neste ano R$ 23 milhões para fomentar projetos ligados às áreas de ciência, tecnologia e inovação. Como será o trabalho de seleção desses projetos e qual a sua expectativa com relação aos resultados?O dinheiro já está em caixa e os processos de seleção vão sair através de editais para que as instituições apresentem propostas. Dificilmente, alguém sozinho apresenta uma proposta porque ciência e tecnologia, cada vez mais, não são mais um entendimento individual. Normalmente são grandes instituições ligadas à ciência e tecnologia como universidades, institutos federais e alguns órgãos públicos associados a essas entidades. As avaliações dos editais, por sua vez, sempre são feitas por meio dos seus pares, ou seja, pessoas que são ligadas à área. A análise é feita no ponto de vista conceitual, da relevância, da base tecnológica e são dadas notas e críticas, explicando, através de um parecer, o porquê da aceitação ou reclusa do projeto. Quase sempre o projeto recebe sugestões para que ele seja aperfeiçoado e por isso que é importante que ele seja analisado por seus pares. Após a sua aprovação, ele recebe os recursos para fazer o projeto e obviamente deve prestar contas mostrando relatórios e produtos intermediários; lógico que depende da natureza do projeto, até que ele complete o projeto sendo que, ao final, o mesmo deve fazer uma prestação de contas que vai ser auditado e analisado com todos os cuidados. Esse é o mecanismo que todas as fundações de apoio e pesquisa do país fazem como a FAPESP e FAPEMIG. Isso é importantíssimo porque faz avançar o conhecimento, reduzindo o favorecimento e a seleção feita por meio de amigos ou de ligações políticas. Se você olhar a história da FAP-DF, infelizmente não é uma história de sucesso e isso nós queremos mudar.O senhor fez pós-doutorado na Universidade de Amsterdã, na Holanda. Como o senhor vê as denúncias do Ministério Público sobre irregularidades no Brasília Sem Fronteiras? Acredita na manutenção do programa e na importância do intercâmbio na formação dos estudantes?Cada vez mais a ciência é feita em rede e cada vez mais ela é mundial. Quando eu fui para o exterior, poucas pessoas podiam ir porque não existiam tantos recursos e tudo era mais difícil. Hoje em dia existe um intercâmbio muito maior na rede de pesquisa, no conhecimento tecnológico e no envio de estudantes para outros países e isso tem que existir mesmo. Por isso, uma das coisas que nós temos que fazer é estimular a ida dos brasileiros para o exterior. Agora, quando investimos dinheiro público nesse tipo de ação, é fundamental que nós tenhamos que ter objetivos bem claros como critério de seleção e interesse público bem definido. O que vemos em Brasília, em relação ao Brasília Sem Fronteiras é que alguns brasileiros, financiados pelo GDF, estavam indo sem critérios de seleção como eu acredito que devem ser feitos. Os interesses eram difusos e, quando o aluno voltava, ele não apresentava relatórios e não prestava contas sobre os objetivos que o fizeram ser contemplado pelo programa não trazendo grandes benefícios para o Estado. Óbvio que tiveram pessoas que foram e aproveitaram e melhoraram individualmente, mas não trouxerem contribuições valiosas voltadas ao interesse público. Existe a necessidade de reforçar o programa e fazer com que ele seja mais criterioso e com planos definidos. Penso que a ideia é muito boa, mas foi mal implementada. Se nós fôssemos fazer seria bem diferente, mas agora estamos sem recursos, portanto o programa deve continuar parado.Quais as prioridades e principais metas da pasta para estes quatro anos de gestão?A nossa principal meta é fazer com que Brasília tenha a ciência e a tecnologia presentes como força motora do desenvolvimento econômico, do desenvolvimento sustentável, do desenvolvimento humano. Lógico que não vamos resolver todos os problemas e mudar o mundo, mas queremos colocar a Secretaria em um lugar de destaque como deve ser. Estamos vivendo em um mundo cada vez mais influenciado pela ciência e tecnologia e elas trazem, cada vez mais, mudanças mais rápidas e profundas na sociedade. Por isso, a gente tem que ter uma secretaria e uma FAP funcionando sintonizadas e integrando todos os órgãos do governo, como disse o governador (Rodrigo Rollemberg). Além disso, temos que ter o Parque Tecnológico funcionando, pois temos que ter esse sistema de inovação mais desenvolvido do que ele é hoje. Precisamos também ter esse trabalho de educação superior e tecnológico mais organizado. E por fim, estimular a sociedade para que ela viva esse âmbito tecnológico através de museus, exposições, planetário e grandes eventos como o Fórum Mundial da Água que, a meu ver, é uma grande oportunidade de mobilizar Brasília no ponto de vista da água.(Secretaria de CT&I do DF)