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Veneno de peixe niquim é base de novo medicamento

18/08/2014 http://www.jornaldaciencia.org.br/veneno-de-peixe-niquim-e-base-de-novo-medicamento/
Detalhes da descoberta foram divulgados na Reunião Regional da SBPC em São José dos CamposUm medicamento extraído do veneno do peixe niquim, encontrado no litoral nordestino, indicado para o tratamento de asma e a esclerose múltipla, está em fase de desenvolvimento em território nacional e deve ser lançado no mercado ainda nesta década. Fruto de pesquisa de Monica Valdyrce dos Anjos Lopes Ferreira, imunologista do Laboratório Butantan, o produto é desenvolvido em parceria com o laboratório farmacêutico Cristália.Trata-se de um produto 100% brasileiro – desenvolvido e testado no Brasil. Hoje a produção de medicamentos nacionais é modesta, razão pela qual o setor de fármacos registra déficit de cerca de U$$ 12 bilhões anuais em sua balança comercial.Conforme avalia Monica, a invenção do novo medicamento, para o tratamento de asma e esclerose múltipla, representa um estímulo para os pesquisadores brasileiros. “Essa descoberta partiu de uma pesquisa básica”, disse.A pesquisadora assegura a eficácia do novo remédio para o tratamento dessas duas doenças.“Se não for para ser melhor ou igual (aos existentes) não vale a pena lançar um novo produto.”Desde 1996, a pesquisadora do Butantan vem trabalhando para entender o veneno do peixe niquim, mais conhecido como peixe-veneno, coberto por espinhos com substância muito tóxica. No decorrer de 18 anos, segundo disse, foram investidos R$ 1 milhão na descoberta desse novo tratamento, para asma e esclerose múltipla. Esses valores não levam em conta os recursos aplicados pelo laboratório para patentear o produto, cujas cifras não foram reveladas.Análise de patenteConforme a pesquisadora do Butantan, a patente do medicamento foi depositada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), em 2006.Ou seja, a análise do produto está há oito anos na lista de espera do Inpi, que geralmente leva até dez anos para analisar a viabilidade de uma patente de medicamento.Ainda assim, Monica considera normal o tempo que o Brasil leva para lançar um medicamento. “Levam de dez a quinze anos para um medicamento ser descoberto e colocado no mercado.”Atestou, porém, que o Brasil “ainda está muito atrasado nessa matéria” – de análise de patente.Antes de ser comercializado, o medicamento deverá, ainda, passar por testes clínicos, e o laboratório farmacêutico precisa também formular o produto.Isto é, decidir se o tratamento será comercializado em injeção ou comprimido, por exemplo.Viviane Monteiro/Jornal da Ciência nº 760, 06/06/2014
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