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Tecnologia ainda não substitui professor, dizem especialistas em evento da Fundação Clinton
11/12/2013
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=91136
Novas ferramentas, no entanto, exigem treinamento de profissionais para lidar com alunos familiarizados com eletrônicos. Gargalos de infraestrutura também atrapalham adoção de salas de aula mais modernas As tecnologias do século XXI ainda não substituem a figura do professor. Na verdade, elas servem como ferramentas para o docente. Essas foram as principais conclusões da mesa de debates "Aprimorando a Qualidade da Educação Através da Inovação Tecnológica", promovida pelo Clinton Global Iniciative nesta segunda-feira no Copacabana Palace. Moderado por Shannon Schuyler, da PricewaterhouseCoopers, o evento contou com a presença de quatro nomes da Educação na América Latina. Responsável por desenvolver softwares e plataformas educacionais para jovens de baixa renda no México, o diretor da Enova, Jorge Camil Starr, acredita que computadores ou outros aparelhos eletrônicos nunca substituirão a função do docente ou tornarão o aluno um autodidata. - Precisamos desenvolver projetos que deem autonomia ao professor, e não que o eliminem. O modelo de autodidatismo 100% online não funciona. Por mais fácil que seja um programa, ainda assim o aluno precisa de um mentor ou um tutor, e essa pessoa é o professor. Ele é um facilitador da aprendizagem - afirmou o especialista. A peruana Daniella Raffo concorda. Diretora do Innova Schools, rede de escolas com modelos curriculares diferenciados e onde cada aluno tem um computador, Raffo chama atenção para a situação cada vez mais frequente onde a própria criança sabe mais sobre o mundo da tecnologia do que o próprio professor. Por isso, para ela, é preciso treiná-los antes de tudo: - No século XXI, muitos alunos já trazem de casa experiências com aparelhos eletrônicos, e, por isso, eles aprendem mais facilmente a mexer em softwares. Já os professores são de outra geração, mais antiga, e muitos apresentam certa resistência em aprender a ensinar com recursos tecnológicos. Precisamos orientá-los para que eles saibam lidar com situações onde eles podem saber menos que seus próprios alunos - afirma. Já o uruguaio Miguel Brechner, lembrou dos gargalos de infraestrutura que dificultam o avanço das tecnologias em direção às salas de aula. Brechner é presidente do Plano Ceibal, que leva um laptop para cada estudante no Uruguai. Para ele, são os governos que devem primordialmente oferecer condições de logística para que a iniciativa privada entre com as iniciativas inovadoras. Sem isso, não adiantaria discutir sobre tecnologia na escola. - Venho do Uruguai, país pequeno, onde decidimos que cada criança deveria ter direito a acesso a um computador, do mesmo jeito que elas têm direito à educação ou energia elétrica. Precisamos resolver primeiro o problema da infraestrutura, e uma vez feito isso, partimos então para o programa de treinamento de professores - disse o presidente do Plano Ceibal. Por sua vez, a gerente do programa Parceiros no Aprendizado da Microsoft América Latina, Mariana Maggio, lembrou questões acadêmicas que ainda devem ser enfrentadas por diversos países na região, como a crise nos modelos curriculares do ensino médio. Segundo ela, as novas tecnologias podem ajudar educadores a enfrentar esses problemas, contanto que haja boa vontade e esclarecimento: - Milhões de professores poderiam estar participando conosco desse debate se soubessem usar o Twitter - destacou Mariana. (Leonardo Vieira/O Globo)http://oglobo.globo.com/educacao/tecnologia-ainda-nao-substitui-professor-dizem-especialistas-em-evento-da-fundacao-clinton-11018648#ixzz2n53134sG