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MEC reprova 31% do ensino superior

09/09/2008 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58505
<P>3 em cada 10 instituições do país obtêm desempenho considerado inadequado; rede privada puxa a nota para baixo <BR><BR>O raio-X do ensino superior, divulgado ontem pelo Ministério da Educação, permite duas importantes conclusões:<BR><BR>a) De cada dez instituições de ensino superior -ou seja, universidades, centro universitários e faculdades-, três têm nível inadequado (nota 1 ou 2).<BR><BR>b) É a rede privada que puxa o resultado para baixo, com quase a totalidade (96%) das instituições com desempenho considerado insatisfatório.<BR><BR>O raio-X faz parte do primeiro ranking oficial de instituições superiores, apresentado em Brasília pelo ministro Fernando Haddad (Educação).<BR><BR>De todas as 1.448 instituições avaliadas, foram dadas notas baixas a 454 delas (31%). A que obteve a melhor nota é a Ebef (Escola Brasileira de Economia e Finanças), do Rio, que pertence à Fundação Getulio Vargas.<BR><BR>Considerando apenas as universidades, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) é a que obteve o melhor desempenho no levantamento.<BR><BR>Outras 400 instituições não foram analisadas por serem novas e não terem turmas formadas ou porque pertencem à rede estadual e não aceitaram participar da avaliação -caso da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). <BR><BR>Para chegar ao novo ranking, o MEC (Ministério da Educação) avaliou o nível de aprendizado dos formandos nos três últimos Enades (antigo Provão), a qualidade dos cursos de graduação e de pós (quando foi o caso), a titulação dos professores, a opinião dos alunos e a infra-estrutura física.<BR><BR>No final, chegou-se ao chamado IGC (índice geral de cursos. São notas que vão de zero a 500 e que, como resultado, enquadram as instituições em faixas de 1 (as piores, com nota de 0 a 94) a 5 (as melhores, com nota 395 a 500). As instituições consideradas ruins são as que ficaram nas faixas 1 e 2.<BR><BR>Fiscais<BR><BR>O IGC será utilizado pelos fiscais do MEC que visitam as instituições periodicamente para avaliar se elas têm condição de abrir novos cursos e se os cursos que já são oferecidos podem seguir funcionando.<BR><BR>Até agora, de acordo com o governo, esses fiscais tinham poucos critérios objetivos para a fazer avaliação. Eles agora chegarão às instituições com dados concretos.<BR><BR>Dessa forma, para abrir um curso novo, a instituição não terá apenas a sua proposta de curso considerada. Se a instituição como um todo for ruim, ela, diz o governo, dificilmente terá sucesso na ampliação.<BR><BR>"Por que vamos dar nova autorização se ela está fazendo mau uso das que já têm?", diz Haddad. "No limite, as instituições mal avaliadas poderão ser descredenciadas."<BR><BR>A situação é pior entre as faculdades. Das 1.144 avaliadas, 429 tiveram nota 1 ou 2. De 131 centros universitários, 16 foram mal avaliados. E, de 173 universidades, só nove tiveram nível crítico.<BR><BR>USP e Unicamp<BR><BR>Haddad lamentou o fato de a USP e a Unicamp não participarem das avaliações do MEC. Elas não são obrigadas a isso, pois pertencem à rede estadual. Respondem ao MEC as instituições federais e as privadas.<BR><BR>"Lamento a ausência delas, pois teriam um excepcional desempenho e se tornariam referência", afirmou Haddad.<BR><BR>O ex-presidente do Inep (órgão do MEC responsável pelas avaliações) Otaviano Helene diz que o critério mais fidedigno de avaliação é o de cursos, não o de instituições.<BR><BR>"Numa região pobre, por exemplo, o curso pode ser ótimo, mas os alunos são fracos, já que tiveram uma formação escolar deficiente. O curso não deixa de ser bom por isso."<BR><BR>FGV do Rio obtém a maior nota no ranking do MEC <BR><BR>As faculdades privadas com foco em uma determinada área foram as que obtiveram as quatro maiores notas no índice geral de cursos, indicador do MEC que busca avaliar a qualidade das escolas superiores.<BR><BR>A líder foi a Escola Brasileira de Economia e Finanças, da FGV do Rio, que ficou com 483 pontos em 500 possíveis, acima dos 439 pontos da Unifesp, líder na categoria universidades. Em seguida vieram a Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic (Campinas), com 482; a Escola de Administração da FGV do Rio (467); e a Escola de Administração da FGV de São Paulo (458).<BR><BR>"Essas escolas são como butiques. Quem pode pagar vai ter um ensino de altíssima qualidade, pois elas têm graduação e pós-graduação muito fortes, com boa infra-estrutura e corpo docente", disse o pesquisador Oscar Hipólito, do Instituto Lobo e ex-diretor do Instituto de Física da USP-São Carlos.<BR><BR>Em geral, as mensalidades passam dos R$ 1.000 - a Escola de Economia da FGV do Rio, por exemplo, cobra R$ 1.320; o curso de administração da FGV de SP, mais de R$ 2.000.<BR><BR>"Elas conseguem alto grau de especialização por serem focadas. Por outro lado, os alunos não têm um convívio com outras áreas, como em uma universidade", disse Hipólito.<BR><BR>Segundo Carlos Ivan Simonsen Leal, presidente da FGV, os resultados não surpreendem. No caso da escola com melhor avaliação (economia e finanças), ele diz que o vestibular é rigoroso. "Poderíamos ter mais alunos, mas fazemos um processo de seleção rigoroso porque o objetivo é formar os melhores. Queremos ser reconhecidos como um curso de excelência internacional", diz ele.<BR><BR>Se por um lado as faculdades estão entre as instituições top do país, 28,1% dessas escolas obtiveram conceitos 1 ou 2 (os mais baixos).<BR><BR>"Esse tipo de organização possui os extremos, pois toda instituição tem de começar como faculdade. Por isso, muitas escolas são novas, sem a devida estrutura", disse Hipólito.<BR><BR>Das 21 instituições que obtiveram conceito 5 (o maior, com notas entre 395 e 500), apenas três são universidades.<BR><BR>As universidades possuem mais autonomia para abrir cursos e vagas, mas têm de cumprir exigências como contar com um terço do corpo docente com a titulação de mestre ou doutor. Já as faculdades não precisam cumprir regras como essa, mas precisam de autorização do MEC para abrir cursos.<BR><BR>As 5 maiores universidades obtêm nota 3 <BR><BR>As cinco maiores universidades do país ficaram entre as 40 últimas no índice geral de cursos. Juntas, elas têm 20% dos alunos do setor. Apesar de estarem no grupo das piores, essas grandes escolas ficaram com conceito 3 (entre 195 a 294 pontos), considerado como mediano pelo governo federal.<BR><BR>No total, 173 universidades foram avaliadas. Entre as cinco maiores em matrículas, a Estácio de Sá (Rio) foi a mais bem posicionada: segunda maior instituição do país, ela ficou em 132º lugar no ranking.<BR><BR>A pior do grupo foi a Uniban (quarta em matrículas e 164ª na listagem). A Unip, que possui o maior número de estudantes do Brasil, ficou na 154ª posição. A Uninove é a terceira em matrículas e 145ª no ranking. A Universo, 158ª no ranking, é a quinta em matrículas.<BR><BR>A partir de uma guerra de preços nas mensalidades, o crescimento dessas cinco instituições é quase três vezes maior do que a média das outras escolas, conforme a Folha informou em janeiro passado.<BR><BR>"As universidades maiores têm, por natureza, mais dificuldades para manter o padrão de qualidade. Mas, em um país pobre como o nosso, elas são importantes para ampliar as matrículas", disse o pesquisador Oscar Hipólito, do Instituto Lobo e ex-diretor do Instituto de Física da USP-São Carlos.<BR><BR>Avaliação semelhante tem Nelson Pretto, da Faculdade da Educação da Universidade Federal da Bahia. Ele defende aumento de investimento nas universidades públicas para melhorar a qualidade do ensino. Ele diz, porém, que enquanto isso não ocorre, o setor privado democratiza o ensino.<BR><BR>Por outro lado, afirma que "apenas certificar o jovem, sem que ele tenha uma formação adequada para a cidadania e o trabalho, é lamentável".<BR><BR>Outro lado <BR><BR>A Uninove disse considerar um fato positivo ocupar a faixa 3 na medição. Para a entidade, se fossem considerados dados mais atualizados, "a instituição teria, certamente, uma pontuação diferenciada por realizar melhorias contínuas".<BR><BR>A Uninove cita como exemplos o crescimento de dois programas de mestrado na época da avaliação para três, atualmente, e dois de doutorado, "salto que reflete o contínuo investimento em pesquisa e produção acadêmica".<BR><BR>A Estácio de Sá disse, em nota, reconhecer o ranking, mas que prefere analisar os resultados quando os dados completos forem divulgados.<BR><BR>A Universo (Universidade Salgado de Oliveira), do Rio de Janeiro, a Unip e a Uniban não responderam até a conclusão desta edição. <BR><FONT size=1>(Folha de SP, 9/9)</FONT></P>
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