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Desigualdade persiste na América latina, dizem especialistas

26/11/2013 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=90806
A contribuição da ciência para o desenvolvimento latino americano foi tema de debate no último dia do Seminário Brasil - Ciência, Desenvolvimento e Sustentabilidade  "A ciência tem sido um elemento político em poucos países da América Latina". Com essa afirmação o representante da Academia Cubana de Ciências, Sergio Pastrana, abriu sua participação no debate sobre "a contribuição da ciência para o desenvolvimento latino americano", realizado no último dia do Seminário Brasil - Ciência, Desenvolvimento e Sustentabilidade realizado na Uerj , na sexta-feira, dia 22. Segundo Pastrana, o fortalecimento da academia deve ser o foco das instituições e o desenvolvimento da ciência e tecnologia é fundamental para o setor produtivo, seja público ou privado. "Diante disso nos perguntamos que padrão de desenvolvimento devemos construir com o objetivo de assessorar o governo e beneficiar toda a sociedade", questionou. Sob a coordenação do reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves de Castro, o encontro teve a inda a participação de Mariano Laplane do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Jorge Grandi do Escritório Regional América Latina e Caribe da UNESCO, Mario Cimoli da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL) e Sergio Pastrana da Academia Cubana de Ciências. Para Pastrana a Declaração da América Latina e Caribe, documento que será entregue no Fórum Mundial de Ciência aberto ontem no Rio, é um esforço para que os países da América Latina tenham um papel protagonista. "Esse documento é resultado de muita discussão e estou feliz que o fórum mundial seja no Brasil. De alguma forma chegou a hora da América Latina no cenário da ciência", afirmou. O brasileiro Mariano Laplane do CGEE afirmou que o Brasil se encontra num processo de tentar construir um novo modelo de desenvolvimento. Ele lembrou a trajetória do país em outros modelos que foram adotados entre os anos 50 e 80. "No pós-guerra, o modelo favoreceu a classe média e a urbanização, não era inclusivo e boa parte do conhecimento vinha do exterior", relatou. Segundo Laplane, a partir dos anos 80, o modelo adotado até então deixou de funcionar devido a transformações na economia mundial. "A América Latina optou por descer desse trem, sair desse modelo. Daí pra frente, o Brasil apostou na ciência e na tecnologia como ferramenta de crescimento. Apostamos no mercado interno, na criação de novas formas de crédito e em programas sociais", enfatizou. Ainda de acordo com ele, o desafio agora é consolidar este novo modelo. Desafios - Para o representante do CGEE, a América Latina e o Brasil, além de enfrentarem os desafios que toda a humanidade enfrenta,têm desafios muito próprios. "Precisamos dar continuidade ao processo de inclusão social, não apenas para a redução das desigualdades, mas para aumentar a igualdade e a ciência e a tecnologia tem um papel fundamental nesse processo", disse Laplane. De acordo com ele, um novo padrão de desenvolvimento com modelos mais eficientes promoverão a sustentabilidade e o bem estar das populações. Jorge Grandi, representante da UNESCO destacou que em toda a América Latina e Caribe persiste a desigualdade. "É grande também a desigualdade entre os países latino-americanos. Que tipo de desenvolvimento nos cabe? Penso que devemos ter um acordo global para consolidarmos nossa capacidade científica", opinou. De acordo com Grandi, a cooperação entre os países da América Latina é necessária, mas não é o suficiente. "Precisamos de um instrumento financeiro para viabilizar essa parceria em ciência e tecnologia", disse. Para ele o tema inclusão deve aparecer em todos os programas estratégicos e ser uma discussão global. (Edna Ferreira / Jornal da Ciência) A cobertura do Seminário Brasil - Ciência, Desenvolvimento e Sustentabilidade está no Jornal da Ciência impresso de 22 de novembro que poder ser acessado emhttp://www.jornaldaciencia.org.br/impresso/JC750.pdf
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