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No caminho há uma rocha

17/10/2013 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=89966
Complexo
portuário na rota da Petrobras no Rio ameaça formações geológicas
identificadas por Charles Darwin em sua visita ao Brasil

 
Aos 23 anos, quando visitou o Brasil em 1932, o naturalista britânico
Charles Darwin encontrou no litoral do Rio de Janeiro as "beachrocks",
rochas incomuns com mais de 4.000 anos.
 
Passados 81 anos, Jaconé, a faixa de areia entre as praias de Ponta
Negra e Saquarema que abriga a formação geológica, está prestes a mudar.
 
A área turística e pesqueira no município de Maricá deve virar um
complexo portuário com estaleiro para reparo de navios e um armazém para
gás e petróleo montado em cavernas subterrâneas.
 
Um maciço de rochas será escavado para a construção dos quebra-mares,
e os buracos deixados pelas pedras serão usados de reservatório.
 
Para viabilizar o projeto da DTA Engenharia, a Câmara Municipal de
Maricá precisará retirar do local o status de área de proteção
ambiental.
 
Com a Petrobras, a DTA planeja fazer ali uma base para a produção de
gás natural do pré-sal, a Rota 3, que abastecerá o Comperj (Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro). O projeto, de US$ 20 bilhões, usará o
gás de matéria-prima para produtos petroquímicos, que seriam, então,
exportados pelo porto.
 
Segundo o presidente da Câmara Municipal de Maricá, Fabiano Filho, a
votação deve ocorrer em breve. "Será bom para o município", diz.
 
Os locais se tornariam área de interesse econômico, como ocorreu para
viabilizar o porto do Açu, de Eike Batista, em São João da Barra.
 
O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de
Janeiro, Júlio Bueno, apoia o projeto. "Preocupo-me com as pedras de
Darwin, mas me preocupo muito mais com emprego e renda das pessoas",
afirma.
 
RISCO AMBIENTAL
As "beachrocks" ocorrem ao longo de 1,1 km de praia, perto do terreno
que serviu por anos como campo de golfe ao jornalista Roberto Marinho e
foi comprado pela DTA.
 
Com as mudanças, porém, elas podem estar com os dias contados, diz a professora da UFRJ e geóloga Kátia Mansur.
 
Para Mansur, coautora de um trabalho que será usado no pedido à
Unesco para tornar a área patrimônio da humanidade, as "pedras de praia"
têm importância global e valor científico, cultural, didático e
ecológico.
 
"É uma perda. A gente não aceita que não tenha lugar melhor para esse porto."
 
As pedras de Darwin permitiram, por exemplo, determinar o nível da
maré há 4.000 anos e identificar as formações chamadas de Sambaquis da
Beirada, usadas por homens pré-históricos.
 
O presidente da DTA, João Acácio de Oliveira, disse desconhecer a
ocorrência de "beachrocks" no local. Ele contratou a empresa
Arcadis-Logos para fazer o licenciamento ambiental e apontar o impacto
na região.
 
Segundo Oliveira, o estaleiro recebeu grau de prioridade de
investimento do Fundo da Marinha Mercante, no valor de R$ 1,05 bilhão.
 
Procurada, a Petrobras não comentou o assunto.
 
(Denise Luna/Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/134137-no-caminho-ha-uma-rocha.shtml
 
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