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BNDES faz diferença (e deve buscar fazer ainda mais), artigo de João Alberto De Negri e João Carlos Ferraz

03/09/2008 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58356
<P>Entre 1996 e 2007, o BNDES participou de um terço dos investimentos das firmas industriais brasileiras com mais de 30 empregados <BR><BR>João Alberto De Negri é economista do Ipea. João Carlos Ferraz é diretor do BNDES e professor licenciado da UFRJ. Artigo publicado no “Valor Econômico”:<BR><BR>Ninguém discute a existência de um quadro de restrição de crédito para projetos de longo prazo na economia brasileira, que limita de forma especialmente relevante a capacidade de investir das empresas nacionais. A despeito do seu crescimento recente, o mercado de capitais brasileiro ainda é muito pouco desenvolvido em comparação com países mais avançados.<BR><BR>Há décadas que praticamente a única fonte de capital de longo prazo para investimentos no país é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Como o BNDES é um banco público, que concede apoio financeiro principalmente a partir de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), é muito importante que a sociedade brasileira discuta seu papel.<BR><BR>Neste contexto, o artigo publicado por Márcio Garcia, no Valor de 1º de agosto passado, levanta uma importante questão para debate: o BNDES faz diferença no desempenho das empresas? <BR><BR>Em uma visão de longo prazo, a produtividade derivada dos investimentos financiados pelo BNDES é um indicador especialmente relevante de avaliação da atuação do banco. Se uma empresa enfrenta restrição de crédito, investe menos do que seria possível. Mas, se o BNDES reduz esta restrição, a firma pode investir mais e com isso tornar-se mais produtiva.<BR><BR>Idealmente, assim, para avaliar o impacto do banco sobre a produtividade das empresas, seria preciso conhecer o que teria acontecido com a produtividade das empresas que obtiveram empréstimos do BNDES, caso eles não tivessem tido acesso ao financiamento e, ao mesmo tempo, o que teria acontecido com a produtividade das que não foram financiadas pelo BNDES, caso elas tivessem sido financiadas. <BR><BR>Na realidade, porém, só é possível observar o desempenho das empresas financiadas e compará-lo com o desempenho das empresas que não conseguiram empréstimos do banco.<BR><BR>E, nessas limitações, radicam as armadilhas conhecidas na literatura como "viés de seleção", "endogenia" e "causalidade", expressões formais para questões simples como: as firmas financiadas são mais produtivas porque o BNDES seleciona as mais produtivas ou elas se tornam mais produtivas por causa dos empréstimos? Empresas similares, mas não financiadas, têm a mesma evolução da produtividade do que as que obtiveram empréstimos do banco? <BR><BR>Felizmente, diversos instrumentos estatísticos, úteis para a avaliação de políticas públicas, foram desenvolvidos no período recente. Como observa Marcio Garcia, a economia e a econometria moderna permitem realizar estimativas satisfatoriamente, tornando possível evitar aquelas armadilhas. <BR><BR>O Ipea tem realizado esforços sistemáticos nesta direção. Em estudo em fase de conclusão, e com base nessas novas técnicas, o Ipea estimou o impacto do financiamento do BNDES na produtividade das firmas industriais brasileiras, acompanhando empresas financiadas e não financiadas pelo banco entre 1996 e 2007.<BR><BR>A pesquisa mostra que, nesses 12 anos, o BNDES financiou, em média, 4.000 empresas industriais com 30 ou mais pessoas ocupadas a cada ano. Essas empresas captaram cerca de 50% dos financiamentos que o BNDES disponibilizou às empresas brasileiras. Entre 1996 e 2007, o BNDES participou de 1/3 do investimento das firmas industriais brasileiras com mais de 30 empregados, número bastante expressivo. <BR><BR>Para avaliar o impacto do financiamento do BNDES sobre a produtividade, as empresas financiadas foram pareadas pelo Ipea com empresas similares não financiadas. As empresas eram similares inclusive nos níveis de produtividade e na taxa de crescimento observada ao início da comparação. <BR><BR>Os resultados da comparação mostram que as firmas que obtiveram empréstimos do banco empregaram, no terceiro ano após o financiamento, 28% mais trabalhadores do que as não financiadas. Mostram que o faturamento das empresas que obtiveram empréstimos com o BNDES cresceu, também ao final do terceiro ano, 43% mais do que as não financiadas.<BR><BR>E, mais importante, mostram que as firmas financiadas pelo BNDES também se tornaram mais produtivas do que as não financiadas: no terceiro ano após a concessão de crédito, a produtividade das empresas financiadas pelo BNDES era 36% maior a das não financiadas. <BR><BR>Portanto, sim, o BNDES faz diferença. Os níveis de emprego, crescimento e eficiência das empresas apoiadas pelo banco são superiores aos indicadores de empresas similares não financiadas. <BR><BR>Mas a atuação do BNDES não se limita, nem pode se limitar, a esses resultados. Em um contexto de acirramento da concorrência, os desafios da indústria brasileira são dinâmicos.<BR><BR>Mesmo que ocorra um avanço significativo no mercado de capitais brasileiro, concretizando os sinais que se enxergam na atualidade, o desafio da inovação - que depende de políticas públicas, conforme reconhecem inclusive os economistas neoclássicos - seguirá exigindo uma ação consistente do banco no âmbito do financiamento. <BR><BR>Os indicadores de capacidade inovadora do Brasil estão ainda distantes dos países desenvolvidos e de países emergentes de primeira geração da Ásia. No Brasil, aproximadamente 30% das empresas industriais se declaram inovadoras, enquanto na União Européia esse valor alcança 50%. As empresas brasileiras investem 0,6% do faturamento em P&amp;D.<BR><BR>Na Alemanha este percentual é de 2,7%; na França, de 2,5%. Menos de 3% das empresas industriais brasileiras introduziram um novo produto no mercado nacional. Das 30 mil empresas inovadoras, menos de duas centenas inovaram para o mercado internacional. <BR><BR>Inovar e investir para sustentar o crescimento é a consigna da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) e, em sua dimensão empresarial, também do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação. O cumprimento das metas de investimento/PIB e Pesquisa e Desenvolvimento (P&amp;D)/PIB, em 2010, requer aprofundar a integração entre as ações do banco e outros instrumentos de política pública, ampliando a coordenação com MCT, Finep, MDIC e MF. Para o banco continuar a fazer diferença.<BR><FONT size=1>(Valor Econômico, 2/9)</FONT></P>
<P><A href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58356"><FONT size=1>http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58356</FONT></A><BR></P>
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