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Cresce o número de bolsas de iniciação científica para educação básica nas universidades
13/08/2013
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=88649
Na USP, 382 alunos de ensino médio frequentavam os campi em 2008, número que passará a 622 ainda este ano
Obter o diploma
de um curso superior nem passava pela cabeça do estudante Willian
Apolinário até 2011. Aluno de uma escola estadual de uma área pobre de
Diadema, na região do ABC Paulista, ele planejava, no máximo, fazer um
curso técnico profissionalizante e "achar um emprego numa firma". Hoje
frequentando a universidade, ele sonha fazer mestrado numa das
instituições mais renomadas do país.
Willian nunca tinha pisado num laboratório até que, no 3º ano do
ensino médio, passou a fazer iniciação científica e a frequentar o
laboratório de Engenharia Mecatrônica da Universidade de São Paulo (USP)
com um grupo de colegas de escola, ganhando uma bolsa de R$ 100. Desde
então, o garoto que chegou a estourar disjuntores da escola, mas se
mostrava interessado em fazer cursos, viu seus horizontes se abrirem.
Willian faz parte de um grupo de adolescentes que teve a oportunidade
de fazer iniciação científica antes mesmo de passar para uma faculdade.
Ainda no ensino médio, eles frequentam laboratórios e salas de
universidades e participam de pesquisas, aproximando-se mais cedo da
ciência. É comum estes jovens melhorarem seu desempenho escolar e
descobrirem mais facilmente que profissão querem seguir.
- A iniciação científica muitas vezes tira o aluno da rua e lhe dá
uma visão mais ampla; mostra que ele que pode ser participante de um
grupo de pesquisa. Há crianças de nível social baixo que encontram oportunidades de crescer - diz Lucimar Almeida, coordenadora de programas acadêmicos do CNPq.
Faculdades brasileiras estão aumentando o número de vagas disponíveis
para alunos do ensino médio em projetos de iniciação científica. Na
Universidade de São Paulo (USP), 382 alunos frequentavam os campi em
2008, número que passará a 622 ainda este ano, com bolsas concedidas
pelo CNPq e também pela iniciativa privada.
Aprendendo a pesquisar
O CNPq, órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia
e Inovação, também aumentou o número de bolsas oferecidas para alunos
de iniciação científica. Atualmente, são 14.537 alunos recebendo bolsas
de R$ 100 pelo período de um ano, num investimento que soma R$ 17,4 milhões anuais. Há oportunidades para todas as áreas de conhecimento.
O CNPq tem três tipos de bolsa para iniciação científica no ensino
básico, todas com o mesmo valor. Um deles é oferecido por meio de
convênios com fundações estaduais de amparo à pesquisa (são 4.359
bolsas), outro resulta de parceria direta com universidades (somando
5.678) e um terceiro se destina exclusivamente para os medalhistas da
Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). A
quantidade de bolsas dos dois primeiros tipos não mudou nos últimos
anos, mas a reservada aos premiados na OBMEP aumentou. Atualmente, 4.500
agraciados na olimpíada são beneficiados. No biênio 2010/2011, eram
três mil, e, em 2016, serão 12 mil bolsistas dos ensinos fundamental e
médio. A maioria dos bolsistas do CNPq é de ensino médio, pois os alunos
de ensino fundamental só são contemplados caso sejam premiados na
OBMEP.
Quatro vezes medalhista na OBMEP, o carioca Cesar Pontes de Oliveira Junior,
de 16 anos, recebe orientação científica on-line de professores que o
desafiam a estudar conteúdos mais avançados de Matemática do que os que
vê nas aulas do 2º ano do ensino médio. Bolsista desde 2010, ele já fez
iniciação científica com um grupo de medalhistas, frequentando aulas
mensais no Colégio Militar, e toda semana recebe uma série de exercícios
para fazer em casa.
- O objetivo não é tirar boa nota, é a gente aprender a ser
autodidata. Eu gosto do programa porque a matéria é complicada; são
assuntos que a gente não vê na escola - diz Cesar, que já usou o
dinheiro da bolsa para ajudar o pai a comprar um computador.
Em muitos casos, a iniciação científica é feita levando o aluno da
educação básica para dentro da universidade. Por meio de encontros
semanais com um professor tutor, os adolescentes passam a frequentar
laboratórios e descobrem como pesquisar.
- Eles aprendem primeiro sobre conceitos metodológicos. Depois, têm
noções de algumas disciplinas como Cálculo, Física e Lógica, e só após
isso desenvolvem um projeto, colocando a mão na massa no nosso
laboratório de Mecatrônica, mexendo em equipamentos - explica Diolino
José dos Santos Filho, professor de Engenharia Mecatrônica da
Universidade de São Paulo (USP).
Santos Filho orienta grupos de alunos de uma escola estadual de São
Paulo na USP, e diz que os jovens passam a perceber, na iniciação
científica, o potencial que têm:
- A ideia é que os alunos passem adiante, para a comunidade deles, os
conhecimentos que adquirem aqui. Eles começam a raciocinar por outros
métodos e os aplicam em suas vidas.
Fazer parte do grupo do professor não é fácil. Só para ir de Diadema,
onde moram, à cidade universitária, os alunos levam duas horas e pegam
cinco conduções. Também recebem bastante material para leitura.
- Antes, eu não pensava em ir para a faculdade. Achava que tinha que
trabalhar e deixar os estudos um pouco de lado. O professor conseguiu
implantar o gosto pela pesquisa na gente, queria que a gente tivesse um
pensamento crítico. Valeu a pena o sacrifício. Se eu não tivesse feito
iniciação científica, não estaria fazendo curso superior hoje - afirma
Willian Apolinário, que deseja ter Santos Filho como seu orientador de
mestrado.
Acreditando na importância de se envolverem com a iniciação
científica, vários adolescentes paulistas, de famílias simples, abriram
mão de empregos como jovens aprendizes para frequentar os laboratórios
da USP.
- Larguei o meu emprego de garçom, em que ganhava sete vezes mais que
a bolsa de iniciação científica, porque amo estudar. Meu vocabulário
melhorou, e cresci muito com o projeto - conta Ítalo Fraitas, de 18
anos, que se prepara para tentar uma vaga em Engenharia Mecatrônica na
USP.
Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), hoje há 43 alunos
de ensino médio bolsistas de iniciação científica. Para facilitar o
controle de frequência dos alunos, porém, a instituição só concede
bolsas para estudantes do seu colégio de aplicação.
Faperj dobrou número de bolsas
A Universidade Federal Fluminense (UFF) está levando projetos de
iniciação científica a mais escolas do estado. Há três anos, o projeto
era realizado apenas em três colégios de Niterói. Hoje, chega a 15
escolas de várias cidades. Sempre no contraturno, os alunos passam pelo
menos cinco horas por semana na universidade.
- O conteúdo que aprendemos na iniciação científica ajuda na escola.
Algumas coisas que ouvimos nas aulas do colégio e que achamos estranhas
acabam sendo fixadas após aprendermos sobre elas no projeto - conta
Gleicyane Oliveira, 17 anos, que frequenta os laboratórios de Biologia
da UFF.
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj)
aumentou o número de bolsas de iniciação científica dadas a alunos de
ensino médio pelo projeto Jovens Talentos nos últimos anos. Em 2007,
eram 537 bolsistas em 25 cidades. Em 2012, 1.016 alunos em 45 municípios
receberam R$ 210 por mês para participar de projetos de dez horas
semanais. Para tanto, é preciso ter bom rendimento escolar e
disponibilidade de horário, além de se interessar por pesquisa.
(Marcelle Ribeiro / O Globo)
http://oglobo.globo.com/educacao/cresce-numero-de-bolsas-de-iniciacao-cientifica-para-educacao-basica-nas-universidades-9470272#ixzz2blFdvn5w
Obter o diploma
de um curso superior nem passava pela cabeça do estudante Willian
Apolinário até 2011. Aluno de uma escola estadual de uma área pobre de
Diadema, na região do ABC Paulista, ele planejava, no máximo, fazer um
curso técnico profissionalizante e "achar um emprego numa firma". Hoje
frequentando a universidade, ele sonha fazer mestrado numa das
instituições mais renomadas do país.
Willian nunca tinha pisado num laboratório até que, no 3º ano do
ensino médio, passou a fazer iniciação científica e a frequentar o
laboratório de Engenharia Mecatrônica da Universidade de São Paulo (USP)
com um grupo de colegas de escola, ganhando uma bolsa de R$ 100. Desde
então, o garoto que chegou a estourar disjuntores da escola, mas se
mostrava interessado em fazer cursos, viu seus horizontes se abrirem.
Willian faz parte de um grupo de adolescentes que teve a oportunidade
de fazer iniciação científica antes mesmo de passar para uma faculdade.
Ainda no ensino médio, eles frequentam laboratórios e salas de
universidades e participam de pesquisas, aproximando-se mais cedo da
ciência. É comum estes jovens melhorarem seu desempenho escolar e
descobrirem mais facilmente que profissão querem seguir.
- A iniciação científica muitas vezes tira o aluno da rua e lhe dá
uma visão mais ampla; mostra que ele que pode ser participante de um
grupo de pesquisa. Há crianças de nível social baixo que encontram oportunidades de crescer - diz Lucimar Almeida, coordenadora de programas acadêmicos do CNPq.
Faculdades brasileiras estão aumentando o número de vagas disponíveis
para alunos do ensino médio em projetos de iniciação científica. Na
Universidade de São Paulo (USP), 382 alunos frequentavam os campi em
2008, número que passará a 622 ainda este ano, com bolsas concedidas
pelo CNPq e também pela iniciativa privada.
Aprendendo a pesquisar
O CNPq, órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia
e Inovação, também aumentou o número de bolsas oferecidas para alunos
de iniciação científica. Atualmente, são 14.537 alunos recebendo bolsas
de R$ 100 pelo período de um ano, num investimento que soma R$ 17,4 milhões anuais. Há oportunidades para todas as áreas de conhecimento.
O CNPq tem três tipos de bolsa para iniciação científica no ensino
básico, todas com o mesmo valor. Um deles é oferecido por meio de
convênios com fundações estaduais de amparo à pesquisa (são 4.359
bolsas), outro resulta de parceria direta com universidades (somando
5.678) e um terceiro se destina exclusivamente para os medalhistas da
Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). A
quantidade de bolsas dos dois primeiros tipos não mudou nos últimos
anos, mas a reservada aos premiados na OBMEP aumentou. Atualmente, 4.500
agraciados na olimpíada são beneficiados. No biênio 2010/2011, eram
três mil, e, em 2016, serão 12 mil bolsistas dos ensinos fundamental e
médio. A maioria dos bolsistas do CNPq é de ensino médio, pois os alunos
de ensino fundamental só são contemplados caso sejam premiados na
OBMEP.
Quatro vezes medalhista na OBMEP, o carioca Cesar Pontes de Oliveira Junior,
de 16 anos, recebe orientação científica on-line de professores que o
desafiam a estudar conteúdos mais avançados de Matemática do que os que
vê nas aulas do 2º ano do ensino médio. Bolsista desde 2010, ele já fez
iniciação científica com um grupo de medalhistas, frequentando aulas
mensais no Colégio Militar, e toda semana recebe uma série de exercícios
para fazer em casa.
- O objetivo não é tirar boa nota, é a gente aprender a ser
autodidata. Eu gosto do programa porque a matéria é complicada; são
assuntos que a gente não vê na escola - diz Cesar, que já usou o
dinheiro da bolsa para ajudar o pai a comprar um computador.
Em muitos casos, a iniciação científica é feita levando o aluno da
educação básica para dentro da universidade. Por meio de encontros
semanais com um professor tutor, os adolescentes passam a frequentar
laboratórios e descobrem como pesquisar.
- Eles aprendem primeiro sobre conceitos metodológicos. Depois, têm
noções de algumas disciplinas como Cálculo, Física e Lógica, e só após
isso desenvolvem um projeto, colocando a mão na massa no nosso
laboratório de Mecatrônica, mexendo em equipamentos - explica Diolino
José dos Santos Filho, professor de Engenharia Mecatrônica da
Universidade de São Paulo (USP).
Santos Filho orienta grupos de alunos de uma escola estadual de São
Paulo na USP, e diz que os jovens passam a perceber, na iniciação
científica, o potencial que têm:
- A ideia é que os alunos passem adiante, para a comunidade deles, os
conhecimentos que adquirem aqui. Eles começam a raciocinar por outros
métodos e os aplicam em suas vidas.
Fazer parte do grupo do professor não é fácil. Só para ir de Diadema,
onde moram, à cidade universitária, os alunos levam duas horas e pegam
cinco conduções. Também recebem bastante material para leitura.
- Antes, eu não pensava em ir para a faculdade. Achava que tinha que
trabalhar e deixar os estudos um pouco de lado. O professor conseguiu
implantar o gosto pela pesquisa na gente, queria que a gente tivesse um
pensamento crítico. Valeu a pena o sacrifício. Se eu não tivesse feito
iniciação científica, não estaria fazendo curso superior hoje - afirma
Willian Apolinário, que deseja ter Santos Filho como seu orientador de
mestrado.
Acreditando na importância de se envolverem com a iniciação
científica, vários adolescentes paulistas, de famílias simples, abriram
mão de empregos como jovens aprendizes para frequentar os laboratórios
da USP.
- Larguei o meu emprego de garçom, em que ganhava sete vezes mais que
a bolsa de iniciação científica, porque amo estudar. Meu vocabulário
melhorou, e cresci muito com o projeto - conta Ítalo Fraitas, de 18
anos, que se prepara para tentar uma vaga em Engenharia Mecatrônica na
USP.
Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), hoje há 43 alunos
de ensino médio bolsistas de iniciação científica. Para facilitar o
controle de frequência dos alunos, porém, a instituição só concede
bolsas para estudantes do seu colégio de aplicação.
Faperj dobrou número de bolsas
A Universidade Federal Fluminense (UFF) está levando projetos de
iniciação científica a mais escolas do estado. Há três anos, o projeto
era realizado apenas em três colégios de Niterói. Hoje, chega a 15
escolas de várias cidades. Sempre no contraturno, os alunos passam pelo
menos cinco horas por semana na universidade.
- O conteúdo que aprendemos na iniciação científica ajuda na escola.
Algumas coisas que ouvimos nas aulas do colégio e que achamos estranhas
acabam sendo fixadas após aprendermos sobre elas no projeto - conta
Gleicyane Oliveira, 17 anos, que frequenta os laboratórios de Biologia
da UFF.
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj)
aumentou o número de bolsas de iniciação científica dadas a alunos de
ensino médio pelo projeto Jovens Talentos nos últimos anos. Em 2007,
eram 537 bolsistas em 25 cidades. Em 2012, 1.016 alunos em 45 municípios
receberam R$ 210 por mês para participar de projetos de dez horas
semanais. Para tanto, é preciso ter bom rendimento escolar e
disponibilidade de horário, além de se interessar por pesquisa.
(Marcelle Ribeiro / O Globo)
http://oglobo.globo.com/educacao/cresce-numero-de-bolsas-de-iniciacao-cientifica-para-educacao-basica-nas-universidades-9470272#ixzz2blFdvn5w