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Governo prepara equipes para atender cidades atingidas por cheiasCemaden prevê eventos extremos para o período de chuva no Sudeste. A segunda quinzena de dezembro e o mês de janeiro concentram, em média, metade do volume anual de chuva na região Sudeste.
14/12/2012
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=85371
Cemaden prevê eventos extremos para o período de chuva no Sudeste.A segunda quinzena de dezembro e o mês de janeiro concentram, em média, metade do volume anual de chuva na região Sudeste. Às vésperas do período, o governo federal apresentou nesta quarta-feira (12), no Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), em Brasília, o plano de ações para proteger e atender a população diante dos fenômenos extremos. Segundo o diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Agostinho Ogura, o Centro-Sul do Brasil deve enfrentar chuvas "dentro da normalidade ou ligeiramente superiores" aos registros históricos para a época. "Mas é importante destacar que, quando a gente fala em normalidade em período chuvoso na região Sudeste, a possibilidade de haver eventos extremos está muito presente", enfatizou. O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, também estavam presentes. Além de concentrar as chuvas anuais da região, o intervalo de 15 de dezembro a 30 de janeiro costuma abranger curtos períodos de alta incidência pluviométrica. "A gente está falando de 800 a 1.000 milímetros, que podem acontecer em alguns dias, como em Caraguatatuba [SP], em 1967, com 600 milímetros em 48 horas", disse Ogura. "Essa anomalia de distribuição é normal e é capaz de deflagrar enchentes, inundações, enxurradas. A gente tem que entender que a natureza funciona desse jeito, e se preparar para tanto." Diante do prognóstico histórico de chuvas intensas, Ogura destacou a dificuldade de prevê-las com semanas de antecedência. "Por isso foi criado o Cemaden, porque o governo federal precisa de uma instituição que faça monitoramento sistemático, 24 horas, aproveitando a excelência dos órgãos de meteorologia e mapeamento de risco", afirmou. "Temos que conseguir um contínuo incremento da nossa capacidade. Esse é o grande desafio, não só do Brasil mas de todo o mundo, que busca dar alertas com antecedência, para que o mínimo possível de pessoas fiquem expostas a eventos severos." Prevenção - O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, ressaltou o empenho dos governos federal, estadual e municipal em implementar o Plano Nacional de Gestão de Riscos e Desastres, lançado pela presidenta Dilma Rousseff em 8 de agosto, mas também advertiu sobre a força da natureza. "A gente precisa destacar que não controlamos os eventos", disse. "Mesmo nos países mais avançados, como Estados Unidos e Japão, que dispõem de recursos materiais e tecnologia, a capacidade de se antecipar a desastres ainda é muito limitada." "A prioridade é investir em prevenção para que a gente possa construir cidades mais resilientes", apontou Bezerra. "Ações de prevenção começam com informação. Por isso, buscamos ampliar a capacidade brasileira de predição, investindo em equipamentos e profissionais que possam nos dar informação a tempo para que as forças de defesa civil orientem e alertem a população." Embora apresente menor probabilidade de ocorrência de desastres naturais, de acordo com o Cemaden, a região Sul também precisa ser monitorada. "Parte do estado do Paraná tem uma característica de transição com o Sudeste", disse Agostinho Ogura. "Temos que ficar atentos a picos extremos." Atualmente, o Cemaden monitora 274 municípios - 195 deles nas regiões Sul e Sudeste. Quando começou a operar, em dezembro de 2011, a unidade do MCTI acompanhava 56 cidades. Desde então, a instituição emitiu 236 alertas de risco para o Cenad, responsável por acionar a defesa civil. Ogura informou que o centro tem 106 profissionais, distribuídos em equipes multidisciplinares. Mobilização antecipada - O titular do Ministério da Integração Nacional abordou iniciativa conjunta de Cenad, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (CPRM/MME), Agência Nacional das Águas (ANA/MMA) e ministérios da Defesa e da Saúde, sob coordenação da Secretaria Nacional de Defesa Civil, do MI. "Já no verão do ano passado, tivemos uma experiência muito positiva com aquilo que denominamos de Força Nacional de Emergência", recordou Bezerra. A medida será instalada antecipadamente no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (13), e em Minas Gerais, na próxima semana. "Dependendo dos prognósticos emitidos pelo Cemaden, devemos instalar forças em São Paulo ou no Espírito Santo até o final de dezembro", completou Bezerra. "Não vamos esperar a chuva cair para deslocar os profissionais." Em caso de desastre, haverá reforço aéreo e mobilização de salvamento, saúde e comunicação, em busca de maior agilidade no atendimento às vítimas. Também iniciada em 2011, a Força Nacional do SUS apoiará o esforço conjunto com "uma equipe preparada para pronta resposta", conforme anunciou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, "não só para situações de desastre, mas também para a organização de grandes eventos de massa, como a Copa do Mundo, a Copa das Confederações e as Olimpíadas". Já o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, relatou que o governo federal empenhou R$ 4,9 bilhões dos R$ 7,7 bilhões da dotação orçamentária voltada a ações emergenciais e preventivas de Defesa Civil, obras de drenagem e encostas e unidades do programa Minha Casa Minha Vida. Também compareceram ao evento no Cenad o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e o senador Casildo Maldaner (PMDB-SC), entre outras autoridades.(Ascom do MCTI)