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Brasil e França firmam parceria para aumentar a concessão de bolsas de estudo

12/12/12 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=85327
Viagem oficial também prevê parcerias na área de tecnologia da informação.Os governos do Brasil e da França vão ampliar a parceria para a concessão de bolsas de estudo para graduação e pós-graduação. Um memorando de entendimento será assinado hoje (11) pelos presidentes Dilma Rousseff e François Hollande (França), em Paris. Pelo acordo, em três anos, a França deverá receber cerca de dois mil estudantes - nos níveis de doutorado e pós-doutorado. A ideia é que os estudantes de doutorado e pós-doutorado tenham condições de optar por três modalidades de bolsas - doutorado-sanduíche, doutorado pleno e estágio pós-doutoral. As condições de envio e recepção dos bolsistas serão formuladas pelas agências de cooperação dos respectivos países.  O Ministério da Educação (MEC) informou que o objetivo da parceria é fortalecer as relações bilaterais na área de pesquisa científica, pois há um reconhecimento internacional da excelência das universidades francesas, principalmente em ciências básicas e engenharias. De acordo com o MEC, os governos brasileiro e francês têm um trabalho de cooperação intenso nas últimas décadas. A parceria mais antiga é com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que é dos anos 1970. Atualmente, a Capes mantém oito programas de cooperação internacional com a França. Em 2011, os ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil firmaram com o Ministério das Relações Exteriores da França um acordo para a recepção de bolsistas brasileiros naquele país, na área de graduação. Ao lado dos Estados Unidos, a França é o país com maior número de bolsistas brasileiros. Supercomputadores - A companhia francesa de tecnologia da informação Bull espera que a visita da presidente Dilma Rousseff a Paris, hoje e amanhã, faça avançar o projeto de produção industrial de supercomputadores no Brasil. Em entrevista, o presidente do grupo, Philippe Vannier, disse que o projeto de cooperação franco-brasileiro "ambiciona posicionar o Brasil no pelotão da potência de cálculo mundial no horizonte de 2015". Os supercomputadores são considerados instrumentos indispensáveis para fazer avançar a simulação industrial e a pesquisa fundamental. A tecnologia de computação de alto desempenho é detida por poucos países, como Estados Unidos, França, China e Japão. Segundo Vannier, o governo francês já deu o aval ao acordo para a transferência de tecnologia, "ponto essencial para o Brasil". O executivo explicou que a Bull precisa da autorização "porque se trata de tecnologia sensível". De seu lado, o Brasil deve ainda oficialmente confirmar o lançamento do projeto. Vannier espera que isso ocorra durante a visita da presidente Dilma Rousseff. Certos setores no Brasil resistem, alegando que o País precisa desenvolver sua própria tecnologia. Do outro lado, defensores do projeto acham que a cooperação com os franceses permitirá ao Brasil dar um salto tecnológico de vários anos. A presidente Dilma Rousseff é quem baterá o martelo sobre o avanço do projeto. Em carta de intenções ao governo brasileiro, neste ano, a Bull propôs ações de desenvolvimento conjunto de pesquisa e desenvolvimento, produção industrial no território brasileiro e a criação do centro tecnológico de supercomputação no Brasil. A tecnologia, capaz de efetuar bilhões de cálculos complexos em segundos, ajudará em áreas como geomonitoramento avançado, prospecção e produção petrolífera, desenvolvimento de projetos na indústria médico-farmacêutica, serviços bancários e na área militar. A Bull teve faturamento de 1,3 bilhão de euros em 2011. O grupo tem nove mil funcionários e está presente no Brasil há mais de 50 anos. A parceria estratégica bilateral e os programas bilionários de infraestrutura e de defesa no Brasil fazem com que os principais grupos franceses se instalem no país e procurem ampliar investimentos locais, em associação com parceiros brasileiros. Os franceses sabem, por outro lado, que precisarão ser cuidadosos sobre o contrato dos 36 aviões para a FAB que a Dassault tem interesse em abocanhar. A presidente Dilma não demonstra muito entusiasmo para tocar no tema, no momento. Ontem, em frente ao hotel onde a presidente e comitiva estão hospedados em Paris, o chanceler Antonio Patriota disse a jornalistas que a eventual compra dos caças "é uma decisão que cabe à presidenta, exclusivamente, em consulta com o ministro da Defesa, Celso Amorim". Mais cedo, também na entrada do hotel, Amorim havia dito que "sobre isso, não sei de nada", referindo-se aos caças. Certo é que em outras áreas de defesa também há muito interesse francês em novos negócios com o Brasil. Caso da DCNS na defesa naval, da Thales na eletrônica de defesa e espaço, e da Safran em motores e equipamentos de defesa e aeroespaciais. O grupo EADS examina a possibilidade de negócios por meio de suas filiais Astrium na área espacial, Cassidian em sistemas eletrônicos e aparelhos não tripulados, Eurocopter com a produção de helicópteros, e Airbus Militar com avião de transporte. Líder mundial na área de mísseis, a MBDA fez parceria neste ano com as brasileiras Avibras e Mectron para produção de nova versão do Exocet naval, já testado no país. Antecedendo a visita da presidente Dilma Rousseff, o Medef, a federação francesa das indústrias, fez um seminário no qual discutiu a economia brasileira, na semana passada. Um dos debatedores foi o professor Jerome Sgard, do Institute de Science Politique de Paris, que trabalha há muito tempo com economia brasileira. Sua conclusão, apresentada aos empresários, foi de que a sociedade brasileira está melhor, mais inclusiva, a redução de desigualdade é espetacular. Mas que a economia brasileira segue condenada a um crescimento relativamente baixo. Para o professor, um dos problemas é o "consenso Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo] e PT" por protecionismo. Ao seu ver, o Brasil pode fazer dois pontos percentuais a mais de PIB "com um modelo mais liberal". Pelos cálculos de Sgard, o Brasil está longe de reduzir o fosso que o separa das nações ricas. Ele lembra que no início da década de 80, a renda per capita brasileira equivalia a 27% da renda dos americanos e hoje caiu para 21%. Já a China tem hoje renda per capita equivalente a 21% daquela dos americanos, quando era apenas 7% nos anos 80. (Fonte: Agência Brasil e Valor Econômico)
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