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Educação, Ciência e Tecnologia na Amazônia é tema de seminário na Câmara dos Deputados
02/07/2012
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=83049
Representantes de
órgãos ligados à pesquisa científica foram unânimes ao criticar a falta de um
plano estratégico específico para o desenvolvimento da Amazônia Legal e
destacaram dificuldades de fixar pesquisadores na região.
De acordo com os participantes do "Seminário Educação, Ciência e Tecnologia
na Amazônia", apesar dos avanços na produção de conhecimento científico, a
região ainda esbarra na dificuldade de atrair capital humano e em amarras legais
que impedem o uso dos recursos da biodiversidade. O debate, promovido em
conjunto pelas comissões de Ciência, e Tecnologia, Educação e da Amazônia,
aconteceu nesta quinta-feira (28), na Câmara dos Deputados.
Para o presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos
de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti), Odenildo Sena, o Brasil não pode
tratar a Amazônia com ações pontuais. "Precisamos de um plano de desenvolvimento
ousado, de impacto, que possa formar e fixar pesquisadores na região", disse
Sena.
O reitor do Instituto Federal do Acre, Marcelo Minghelli, citou dados para
ilustrar a dificuldade de fixar pesquisadores e doutores na Amazônia. Segundo
ele, existem apenas cerca de quatro mil doutores na região. "Houve avanços, mas
precisamos redirecionar as políticas públicas para sermos capazes de criar
tecnologia própria", disse. Minghelli ainda chamou atenção para a necessidade de
redistribuir os centros de pesquisa para estimular a produção científica em
todas as regiões.
Proposta - Como forma de eliminar entraves à pesquisa
científica, o deputado Sibá Machado (PT-AC), que propôs o seminário, defendeu a
aprovação da proposta que cria o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e
Inovação (PL 2177/11). Sibá Machado sugeriu ainda que as sugestões apresentadas
no seminário sejam colocadas em um relatório que possa contribuir com uma carta
assinada pelos governadores dos nove estados da Amazônia Legal, na qual eles
enumeram os principais desafios a serem enfrentados.
Segundo Sibá Machado, o documento produzido pelos governadores contém
diversos temas comuns com os tratados no seminário. Entre eles, o desejo
explicitado pelos governadores de que a Embrapa tenha uma central específica
para o desenvolvimento de tecnologias para florestas tropicais.
"A partir do relatório, nós devemos visitar os nove governadores e em seguida
os ministros da Saúde, da Ciência e Tecnologia e da Educação", disse. "Nosso
objetivo é facilitar ações conjuntas entre órgãos federais e fundações estaduais
de pesquisa para estimular toda uma produção de conhecimento a partir da nossa
biodiversidade", completou Sibá Machado.
Para o presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à
Pesquisa (Confap), Mario Neto Borges, a atuação de maneira integrada com órgãos
federais é fundamental. "Já aprendemos a transformar recursos em conhecimento,
mas ainda precisamos saber transformar conhecimento em tecnologia que nos
permita explorar o potencial que possuímos", disse.
Estados - Em sua participação, o presidente do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva,
disse que uma das formas adotadas pelo órgão para promover a descentralização de
recursos foi a de adotar o lançamento de editais em conjunto com os estados,
tendo nessa iniciativa a participação das fundações de apoio à pesquisa (Faps) e
das secretarias de Ciência e Tecnologia. "Essa ação é muito importante, pois são
os estados que estão mais aptos à indicação de quais são suas prioridades, suas
maiores carência e as demandas que requerem mais urgências", disse Oliva.
Falando sobre a fixação de recursos humanos e capacitação, ele lembrou que a
região Norte tem hoje 1.433 grupos de pesquisa, 611 projetos de pesquisas
amparados com recursos pelo CNPq e 300 bolsistas também apoiados pelo órgão.
Relembrou ainda que a Amazônia Legal é sede de dez dos 125 Institutos Nacionais
de Ciência e Tecnologia, os INCTs.
Todavia, o presidente do CNPq reconhece que é preciso "não só manter as ações
que já são desenvolvidas, mas ampliar as propostas e atitudes para a região".
Oliva frisou que a fixação de doutores na localidade é fundamental, assim com o
aumento dos recursos, uma vez que o País "precisa aprofundar seu conhecimento
sobre o grande patrimônio genético e biológico que abriga", ponto crucial para
uma política de desenvolvimento sustentável.
Desafios - Entre os desafios a serem enfrentados Oliva citou
a necessidade de se ofertar maior apoio aos 35 mil jovens doutores hoje
envolvidos em pesquisas. "Eles precisam ser apoiados, pois sem estímulos acabam
desistindo e uma vez fora não retornam". Isso, em sua opinião, não pode ocorrer,
pois são esses jovens doutores os responsáveis pelo desenvolvimento da ciência e
da tecnologia no País nas próximas décadas.
O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(Capes), Jorge Guimarães, também integrante da mesa, disse que a entidade já tem
forte atuação na Amazônia Legal. Informou que o órgão investiu mais de R$ 62,3
milhões na região no ano passado e "tem trabalhando e buscado meios para ajudar
na fixação de recursos humanos especializados para a região".
A Capes, segundo ele, teve evolução significativa no número de bolsas para a
região no período de 2004 a 2011. Os bolsistas de mestrados passaram de 654 para
3.151; os de doutorados foram de 643 para 1.826 e os de pós-doutorado saltaram
de 12 para 162.
Pró-Amazônia - Além da atuação da Capes no fomento ao
desenvolvimento científico na região, Guimarães apresentou a proposta do
programa Pró-Amazônia: Biodiversidade e Sustentabilidade, nova iniciativa da
Agência, com o objetivo de reforçar projetos de pesquisas e promover o
intercâmbio de conhecimentos entre pesquisadores e estudantes, nas modalidades
pós-doutorado, iniciação científica, doutorado e professor visitante sênior.
"Nossa sugestão é que toda a região se engaje no projeto e que esse seja apenas
uma parte de uma política de governo nacional que contemple a região Norte no
que ela ainda precisa", enfatizou.
Royalties - O presidente da Comissão de Ciência e
Tecnologia, Comunicação e Informática, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), destacou que é
preciso direcionar recursos dos royalties do petróleo para fomentar pesquisas e
o desenvolvimento da Amazônia.
Também favorável à destinação de parte dos royalties para investimentos no
bioma amazônico, o presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputado Newton
Lima (PT-SP), disse que se quiser transformar a Amazônia num exemplo de
desenvolvimento sustentável para todo o mundo, o País precisa considerar a
educação e a ciência e tecnologia como áreas estratégicas.
(Jornal da Ciência com agências de notícias)
órgãos ligados à pesquisa científica foram unânimes ao criticar a falta de um
plano estratégico específico para o desenvolvimento da Amazônia Legal e
destacaram dificuldades de fixar pesquisadores na região.
De acordo com os participantes do "Seminário Educação, Ciência e Tecnologia
na Amazônia", apesar dos avanços na produção de conhecimento científico, a
região ainda esbarra na dificuldade de atrair capital humano e em amarras legais
que impedem o uso dos recursos da biodiversidade. O debate, promovido em
conjunto pelas comissões de Ciência, e Tecnologia, Educação e da Amazônia,
aconteceu nesta quinta-feira (28), na Câmara dos Deputados.
Para o presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos
de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti), Odenildo Sena, o Brasil não pode
tratar a Amazônia com ações pontuais. "Precisamos de um plano de desenvolvimento
ousado, de impacto, que possa formar e fixar pesquisadores na região", disse
Sena.
O reitor do Instituto Federal do Acre, Marcelo Minghelli, citou dados para
ilustrar a dificuldade de fixar pesquisadores e doutores na Amazônia. Segundo
ele, existem apenas cerca de quatro mil doutores na região. "Houve avanços, mas
precisamos redirecionar as políticas públicas para sermos capazes de criar
tecnologia própria", disse. Minghelli ainda chamou atenção para a necessidade de
redistribuir os centros de pesquisa para estimular a produção científica em
todas as regiões.
Proposta - Como forma de eliminar entraves à pesquisa
científica, o deputado Sibá Machado (PT-AC), que propôs o seminário, defendeu a
aprovação da proposta que cria o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e
Inovação (PL 2177/11). Sibá Machado sugeriu ainda que as sugestões apresentadas
no seminário sejam colocadas em um relatório que possa contribuir com uma carta
assinada pelos governadores dos nove estados da Amazônia Legal, na qual eles
enumeram os principais desafios a serem enfrentados.
Segundo Sibá Machado, o documento produzido pelos governadores contém
diversos temas comuns com os tratados no seminário. Entre eles, o desejo
explicitado pelos governadores de que a Embrapa tenha uma central específica
para o desenvolvimento de tecnologias para florestas tropicais.
"A partir do relatório, nós devemos visitar os nove governadores e em seguida
os ministros da Saúde, da Ciência e Tecnologia e da Educação", disse. "Nosso
objetivo é facilitar ações conjuntas entre órgãos federais e fundações estaduais
de pesquisa para estimular toda uma produção de conhecimento a partir da nossa
biodiversidade", completou Sibá Machado.
Para o presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à
Pesquisa (Confap), Mario Neto Borges, a atuação de maneira integrada com órgãos
federais é fundamental. "Já aprendemos a transformar recursos em conhecimento,
mas ainda precisamos saber transformar conhecimento em tecnologia que nos
permita explorar o potencial que possuímos", disse.
Estados - Em sua participação, o presidente do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva,
disse que uma das formas adotadas pelo órgão para promover a descentralização de
recursos foi a de adotar o lançamento de editais em conjunto com os estados,
tendo nessa iniciativa a participação das fundações de apoio à pesquisa (Faps) e
das secretarias de Ciência e Tecnologia. "Essa ação é muito importante, pois são
os estados que estão mais aptos à indicação de quais são suas prioridades, suas
maiores carência e as demandas que requerem mais urgências", disse Oliva.
Falando sobre a fixação de recursos humanos e capacitação, ele lembrou que a
região Norte tem hoje 1.433 grupos de pesquisa, 611 projetos de pesquisas
amparados com recursos pelo CNPq e 300 bolsistas também apoiados pelo órgão.
Relembrou ainda que a Amazônia Legal é sede de dez dos 125 Institutos Nacionais
de Ciência e Tecnologia, os INCTs.
Todavia, o presidente do CNPq reconhece que é preciso "não só manter as ações
que já são desenvolvidas, mas ampliar as propostas e atitudes para a região".
Oliva frisou que a fixação de doutores na localidade é fundamental, assim com o
aumento dos recursos, uma vez que o País "precisa aprofundar seu conhecimento
sobre o grande patrimônio genético e biológico que abriga", ponto crucial para
uma política de desenvolvimento sustentável.
Desafios - Entre os desafios a serem enfrentados Oliva citou
a necessidade de se ofertar maior apoio aos 35 mil jovens doutores hoje
envolvidos em pesquisas. "Eles precisam ser apoiados, pois sem estímulos acabam
desistindo e uma vez fora não retornam". Isso, em sua opinião, não pode ocorrer,
pois são esses jovens doutores os responsáveis pelo desenvolvimento da ciência e
da tecnologia no País nas próximas décadas.
O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(Capes), Jorge Guimarães, também integrante da mesa, disse que a entidade já tem
forte atuação na Amazônia Legal. Informou que o órgão investiu mais de R$ 62,3
milhões na região no ano passado e "tem trabalhando e buscado meios para ajudar
na fixação de recursos humanos especializados para a região".
A Capes, segundo ele, teve evolução significativa no número de bolsas para a
região no período de 2004 a 2011. Os bolsistas de mestrados passaram de 654 para
3.151; os de doutorados foram de 643 para 1.826 e os de pós-doutorado saltaram
de 12 para 162.
Pró-Amazônia - Além da atuação da Capes no fomento ao
desenvolvimento científico na região, Guimarães apresentou a proposta do
programa Pró-Amazônia: Biodiversidade e Sustentabilidade, nova iniciativa da
Agência, com o objetivo de reforçar projetos de pesquisas e promover o
intercâmbio de conhecimentos entre pesquisadores e estudantes, nas modalidades
pós-doutorado, iniciação científica, doutorado e professor visitante sênior.
"Nossa sugestão é que toda a região se engaje no projeto e que esse seja apenas
uma parte de uma política de governo nacional que contemple a região Norte no
que ela ainda precisa", enfatizou.
Royalties - O presidente da Comissão de Ciência e
Tecnologia, Comunicação e Informática, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), destacou que é
preciso direcionar recursos dos royalties do petróleo para fomentar pesquisas e
o desenvolvimento da Amazônia.
Também favorável à destinação de parte dos royalties para investimentos no
bioma amazônico, o presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputado Newton
Lima (PT-SP), disse que se quiser transformar a Amazônia num exemplo de
desenvolvimento sustentável para todo o mundo, o País precisa considerar a
educação e a ciência e tecnologia como áreas estratégicas.
(Jornal da Ciência com agências de notícias)