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Finep deve obter mais R$ 6 bi para investir em inovação

27/03/2012 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81713
O governo
deve autorizar nos próximos dias repasse de até R$ 6 bilhões do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a
Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por meio do Programa de
Sustentação do Investimento (PSI). No ano passado, quando houve o
primeiro repasse, a Finep recebeu R$ 3,750 bilhões do BNDES e contratou
integralmente esse volume.
O ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco
Antonio Raupp, que acompanha a presidente Dilma Rousseff na comitiva
brasileira que visita a Índia nesta semana, já conversou sobre esses
recursos com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o ministro da
Fazenda, Guido Mantega.
 
A Finep está com uma carteira de projetos em análise na ordem de R$
5,7 bilhões, herdados de 2011, que poderão ser financiados, caso se
concretize a transferência desses recursos. As linhas do PSI operadas
pela Finep são oferecidas com taxa de juros de 4% a 5% ao ano,
dependendo do projeto.
 
Com carência de um ano, no mínimo, o retorno dos empréstimos feitos
pela Finep às companhias em 2011 começará a ficar relevante na segunda
metade deste ano, o que deve fortalecer o capital disponível para
financiamentos, afirmou ao Valor o presidente da Finep, Glauco Arbix.
 
O orçamento da Finep, no ano, já conta com R$ 933 milhões do Fundo
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), R$ 220
milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), e R$ 200 milhões do
Fundo de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel). "O
governo terá um ano muito forte para a inovação e os investimentos em
tecnologia e ciência virão de diversas áreas", afirmou Raupp.
 
Na semana passada, algumas entidades e associações patronais
assinaram manifesto com críticas ao contingenciamento de verbas do
ministério. Em fevereiro, o governo anunciou a redução de R$ 1,48 bilhão
no orçamento da pasta, que passou de R$ 6,7 bilhões para R$ 5,2
bilhões. Entre os signatários, estavam entidades como a Confederação
Nacional da Indústria (CNI) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência (SBPC).
 
Na quinta-feira (22), após reunião com 28 empresários de grandes
companhias e a presidente Dilma, Mantega afirmou que "o avanço em
inovação é crucial em momento de crise aguda, e os empresários
entenderam que essa é uma prioridade do governo".
 
Raupp afirmou que o manifesto mostrou "interesse saudável" dos
empresários no papel de liderança do governo em criar condições para o
avanço dos investimentos em inovação e ciência. Mas, segundo ele, "é
preciso entender que o ministério não é o único responsável pela
inovação, que é um tema horizontal".
 
"O ministério tem o papel de organizar e viabilizar ações
transversais no setor público", disse o ministro. As principais ações do
governo em 2012 para criar um efeito em cascata sobre novas cadeias
produtivas, afirmou, não dependem de recursos da Ciência e Tecnologia.
 
Segundo Raupp, a formação de um complexo industrial da saúde depende
do Ministério da Saúde, bem como o fortalecimento do segmento de defesa,
por meio do regime especial de tributação do setor, aprovado no ano
passado, é uma iniciativa do Ministério da Defesa. "Nosso papel é o de
coordenar essas ações", explicou.
(Valor Econômico)
 
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