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Avanço na Rio+20 não pode ficar à mercê dos EUA, diz Ricupero
09/03/2012
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81469
"É preciso
fazer com que as coisas avancem", recomendou o embaixador Rubens
Ricupero à diplomacia brasileira e das Nações Unidas que temem o risco
de a Rio+20 não conseguir resultados concretos porque decisões mais
fortes, como a criação de uma agência ambiental global, enfrentam a
resistência dos Estados Unidos.
"Se os EUA não quiserem entrar, claro que a
iniciativa enfraquece", prosseguiu o diplomata brasileiro, que teve
papel-chave nas negociações da Rio92, há 20 anos. "Mas não se pode
condicionar a coisa aos EUA."
A "coisa" é um dos pontos centrais da Rio+20, a conferência sobre
desenvolvimento sustentável que a ONU fará no Rio de Janeiro em junho.
Trata-se dos esforços em reformar e fortalecer a governança ambiental no
mundo hoje. Países europeus e africanos defendem a criação de uma nova
agência ambiental a partir do Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (Pnuma), um órgão atuante que há 40 anos produz estudos
importantes sobre as questões ambientais globais, mas não tem autonomia
em suas decisões e vive das contribuições financeiras voluntárias dos
países.
A diplomacia brasileira não vê a ideia da agência ambiental com
entusiasmo e prefere a criação de um conselho ou comitê de
desenvolvimento sustentável que contemple os lados econômico, social e
ambiental do desenvolvimento. Como as decisões da ONU têm que ser
tomadas por consenso entre todos os países, e os EUA claramente se opõem
à ideia, o governo brasileiro teme condenar a Rio+20 ao fracasso. "Os
EUA nem assinaram a Convenção Internacional dos Direitos da Criança. Só
dois países não assinaram, os EUA e a Somália", ilustrou Ricupero em
entrevista coletiva no seminário promovido pela Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Se, em matérias
internacionais, nunca fizermos o que os Estados Unidos não querem, não
se avança nunca."
Para o ex-ministro da Fazenda durante a implantação do Plano Real, a
posição brasileira é um equívoco. "É um argumento sem muito fundamento,
um contrassenso não dar primazia ao pilar ambiental. É verdade que
desenvolvimento sustentável exige os três pilares, social, econômico e
ambiental", disse, durante palestra. "Em termos de valores, claro que o
social é o mais importante. Mas se o ambiente no mundo entrar em
colapso, os outros dois pilares não irão sequer existir."
Para ele, a oposição do Brasil à criação da agência pode, por
consequência, significar um entrave ao avanço das questões ambientais no
mundo. Ricupero lembrou a previsão mais pessimista dos cenários do
aquecimento global - um mundo aquecido em mais 5ºC significa "entrar em
um terreno desconhecido e perigoso na história da humanidade". Para o
diplomata, "o meio ambiente é a condição da possibilidade."
Em sua fala a pesquisadores e estudantes dos programas de
biodiversidade, bioenergia e mudança climática da Fapesp, ele ponderou o
efeito de criar uma nova agência nas ONU. "É uma ilusão pensar que uma
boa organização internacional possa substituir a falta de vontade
política dos governos", disse. "Mas não é o caso de se cair no extremo
oposto e dizer que instituições não servem para nada."
Ricupero disse que o financiamento às questões ambientais não pode
depender da doação dos países ricos aos demais - acertado há anos e que
praticamente não ocorreu. Para ele, isso dependerá de mecanismos como
créditos de carbono e prestação de serviços ambientais. "As doações só
chegarão aos países realmente pobres."
(Valor Econômico)
fazer com que as coisas avancem", recomendou o embaixador Rubens
Ricupero à diplomacia brasileira e das Nações Unidas que temem o risco
de a Rio+20 não conseguir resultados concretos porque decisões mais
fortes, como a criação de uma agência ambiental global, enfrentam a
resistência dos Estados Unidos.
"Se os EUA não quiserem entrar, claro que a
iniciativa enfraquece", prosseguiu o diplomata brasileiro, que teve
papel-chave nas negociações da Rio92, há 20 anos. "Mas não se pode
condicionar a coisa aos EUA."
A "coisa" é um dos pontos centrais da Rio+20, a conferência sobre
desenvolvimento sustentável que a ONU fará no Rio de Janeiro em junho.
Trata-se dos esforços em reformar e fortalecer a governança ambiental no
mundo hoje. Países europeus e africanos defendem a criação de uma nova
agência ambiental a partir do Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (Pnuma), um órgão atuante que há 40 anos produz estudos
importantes sobre as questões ambientais globais, mas não tem autonomia
em suas decisões e vive das contribuições financeiras voluntárias dos
países.
A diplomacia brasileira não vê a ideia da agência ambiental com
entusiasmo e prefere a criação de um conselho ou comitê de
desenvolvimento sustentável que contemple os lados econômico, social e
ambiental do desenvolvimento. Como as decisões da ONU têm que ser
tomadas por consenso entre todos os países, e os EUA claramente se opõem
à ideia, o governo brasileiro teme condenar a Rio+20 ao fracasso. "Os
EUA nem assinaram a Convenção Internacional dos Direitos da Criança. Só
dois países não assinaram, os EUA e a Somália", ilustrou Ricupero em
entrevista coletiva no seminário promovido pela Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Se, em matérias
internacionais, nunca fizermos o que os Estados Unidos não querem, não
se avança nunca."
Para o ex-ministro da Fazenda durante a implantação do Plano Real, a
posição brasileira é um equívoco. "É um argumento sem muito fundamento,
um contrassenso não dar primazia ao pilar ambiental. É verdade que
desenvolvimento sustentável exige os três pilares, social, econômico e
ambiental", disse, durante palestra. "Em termos de valores, claro que o
social é o mais importante. Mas se o ambiente no mundo entrar em
colapso, os outros dois pilares não irão sequer existir."
Para ele, a oposição do Brasil à criação da agência pode, por
consequência, significar um entrave ao avanço das questões ambientais no
mundo. Ricupero lembrou a previsão mais pessimista dos cenários do
aquecimento global - um mundo aquecido em mais 5ºC significa "entrar em
um terreno desconhecido e perigoso na história da humanidade". Para o
diplomata, "o meio ambiente é a condição da possibilidade."
Em sua fala a pesquisadores e estudantes dos programas de
biodiversidade, bioenergia e mudança climática da Fapesp, ele ponderou o
efeito de criar uma nova agência nas ONU. "É uma ilusão pensar que uma
boa organização internacional possa substituir a falta de vontade
política dos governos", disse. "Mas não é o caso de se cair no extremo
oposto e dizer que instituições não servem para nada."
Ricupero disse que o financiamento às questões ambientais não pode
depender da doação dos países ricos aos demais - acertado há anos e que
praticamente não ocorreu. Para ele, isso dependerá de mecanismos como
créditos de carbono e prestação de serviços ambientais. "As doações só
chegarão aos países realmente pobres."
(Valor Econômico)