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Nova ministra defende direito ao aborto
08/02/2012
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81069
Socióloga Eleonora Menicucci, que assumirá Secretaria das Mulheres, dividiu prisão com Dilma na ditadura militar.
Amiga da presidente Dilma Rousseff desde a década
de 1960 e sua colega de prisão na ditadura militar, a nova ministra
Eleonora Menicucci, 67, promete defender a liberação do aborto à frente
da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Socióloga, professora
titular de Saúde Coletiva da Unifesp e filiada ao PT, ela assumirá o
cargo na sexta-feira. Substituirá a também petista Iriny Lopes, que sai
para disputar a Prefeitura de Vitória. Menicucci integra o
Grupo de Estudos sobre o Aborto e já relatou ter se submetido à prática
duas vezes. Ontem (6), ela afirmou que levará sua convicção e sua
militância na causa para o governo. "Minha luta pelos direitos
reprodutivos e sexuais das mulheres e a minha luta para que nenhuma
mulher neste país morra por morte materna só me fortalece", disse.
A polêmica sobre o aborto marcou a corrida presidencial de 2010, quando
José Serra (PSDB) usou o tema para atrair o voto religioso. Dilma, que
já havia defendido a descriminalização da prática em duas entrevistas,
disse ser "a favor da vida", mas afirmou que não faria uma "guinada à
direita" para se eleger. A nova ministra anunciou que fará uma
gestão de continuidade. Citou como prioridades o combate à violência
contra a mulher e à "feminilização da pobreza" e a preparação das
feministas para a conferência Rio+20. Ela negou os rumores de
extinção da secretaria, que circulavam desde o ano passado. "Digo isso
como futura ministra. A secretaria continua com status de ministério e
com muita força", afirmou. Biografia - Mineira de Lavras,
Menicucci conheceu Dilma no movimento estudantil, em Belo Horizonte. Na
luta armada, participou de assaltos a bancos e supermercados para
financiar a guerrilha. "Sabia que tinha que fazer alguma coisa, ia lá e
fazia", relatou à revista "TPM", em 2007. "Achava que nada de mal podia me acontecer. Era jovem e jovem é onipotente."
Ao ser presa, em 1971, tinha 22 anos e militava no Partido Operário
Comunista (POC). Ela conta que a filha Maria, que tinha 1 ano e 10
meses, foi torturada na sua frente nas dependências da Operação
Bandeirante (Oban), em São Paulo. Depois, ficou 52 dias sem notícias do
bebê. "As torturas minha e de minha filha me mostraram a olho nu a nua e
crua dimensão do terror instalado em nosso país e paradoxalmente nossa
impotência frente a ele. Aqui me transformei em feminista", escreveu na revista científica "Labrys", em 2009.
Ela reencontrou Dilma no presídio Tiradentes, onde ficou presa até 1973
na "Torre das Donzelas", a ala das presas políticas. Foi uma das
colegas de cela convidadas para a posse da presidente. "Tenho muito
orgulho e muita honra de ter sido presa política na luta contra a
ditadura", disse ontem. A nova ministra chorou ao lembrar
colegas que foram mortos na luta armada. "Estou muito emocionada. Peço
desculpas... [embargando a voz]. É um filme que passa na cabeça em todas
as horas da minha vida, para me inspirar e me fortalecer." (Folha de São Paulo)
Amiga da presidente Dilma Rousseff desde a década
de 1960 e sua colega de prisão na ditadura militar, a nova ministra
Eleonora Menicucci, 67, promete defender a liberação do aborto à frente
da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Socióloga, professora
titular de Saúde Coletiva da Unifesp e filiada ao PT, ela assumirá o
cargo na sexta-feira. Substituirá a também petista Iriny Lopes, que sai
para disputar a Prefeitura de Vitória. Menicucci integra o
Grupo de Estudos sobre o Aborto e já relatou ter se submetido à prática
duas vezes. Ontem (6), ela afirmou que levará sua convicção e sua
militância na causa para o governo. "Minha luta pelos direitos
reprodutivos e sexuais das mulheres e a minha luta para que nenhuma
mulher neste país morra por morte materna só me fortalece", disse.
A polêmica sobre o aborto marcou a corrida presidencial de 2010, quando
José Serra (PSDB) usou o tema para atrair o voto religioso. Dilma, que
já havia defendido a descriminalização da prática em duas entrevistas,
disse ser "a favor da vida", mas afirmou que não faria uma "guinada à
direita" para se eleger. A nova ministra anunciou que fará uma
gestão de continuidade. Citou como prioridades o combate à violência
contra a mulher e à "feminilização da pobreza" e a preparação das
feministas para a conferência Rio+20. Ela negou os rumores de
extinção da secretaria, que circulavam desde o ano passado. "Digo isso
como futura ministra. A secretaria continua com status de ministério e
com muita força", afirmou. Biografia - Mineira de Lavras,
Menicucci conheceu Dilma no movimento estudantil, em Belo Horizonte. Na
luta armada, participou de assaltos a bancos e supermercados para
financiar a guerrilha. "Sabia que tinha que fazer alguma coisa, ia lá e
fazia", relatou à revista "TPM", em 2007. "Achava que nada de mal podia me acontecer. Era jovem e jovem é onipotente."
Ao ser presa, em 1971, tinha 22 anos e militava no Partido Operário
Comunista (POC). Ela conta que a filha Maria, que tinha 1 ano e 10
meses, foi torturada na sua frente nas dependências da Operação
Bandeirante (Oban), em São Paulo. Depois, ficou 52 dias sem notícias do
bebê. "As torturas minha e de minha filha me mostraram a olho nu a nua e
crua dimensão do terror instalado em nosso país e paradoxalmente nossa
impotência frente a ele. Aqui me transformei em feminista", escreveu na revista científica "Labrys", em 2009.
Ela reencontrou Dilma no presídio Tiradentes, onde ficou presa até 1973
na "Torre das Donzelas", a ala das presas políticas. Foi uma das
colegas de cela convidadas para a posse da presidente. "Tenho muito
orgulho e muita honra de ter sido presa política na luta contra a
ditadura", disse ontem. A nova ministra chorou ao lembrar
colegas que foram mortos na luta armada. "Estou muito emocionada. Peço
desculpas... [embargando a voz]. É um filme que passa na cabeça em todas
as horas da minha vida, para me inspirar e me fortalecer." (Folha de São Paulo)