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Carbono mais 'caro' pode salvar espécies

06/02/2012 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81046
Estudo liderado por brasileiro analisou impacto do mercado de crédito de carbono, que paga pela preservação.
Quanto maior o valor de mercado da tonelada de
carbono não emitido à atmosfera, mais espécies de plantas e de animais
que vivem nas florestas são preservadas. É o que indica um estudo de
pesquisadores europeus coordenados por um economista brasileiro.
 
O grupo parte do princípio que as políticas de crédito de carbono
ajudam a manter as florestas em pé. Isso porque o sistema permite que
quem tenha preservado suas florestas venda créditos a quem tenha poluído
além do que determinam as convenções internacionais.
 
A política começou a ser discutida na primeira reunião do painel do
clima da ONU, em 1988. A ideia é que esse tipo de negociação aconteça
principalmente entre países ricos (que poluem muito) e os mais pobres
(que emitem menos carbono e venderiam seus créditos). A conclusão dos
pesquisadores é que quanto mais alto o valor do crédito de carbono no
mercado, mais sobrevida ganham as florestas e os animais que vivem nela.
 
Sem as políticas de crédito de carbono, calculam os cientistas, 36
mil espécies de animais e de plantas florestais seriam extintas até
2100. Com a tonelada de carbono a US$ 7, valor perto do que é negociado
hoje, cerca de 50% dessas espécies seriam preservadas até 2100. Se o
preço subisse para US$ 25 a tonelada, a preservação aumentaria para 94%
das espécies florestais.
 
Para o economista Bernardo Strassburg, do Instituto Internacional
para Sustentabilidade (ISS), que coordenou o trabalho, negociar a
tonelada do carbono a US$ 25 é bastante factível. "Em 2007, quando o
mercado de crédito de carbono estava aquecido, chegamos a negociar a
tonelada a US$ 34." De acordo com Strassburg, o IPCC (painel do clima da
ONU) considera que até US$ 100 por tonelada são aceitáveis.
 
Hoje, o mercado de crédito de carbono está desaquecido por falta de
acordo nas convenções internacionais de clima. Além disso, algumas
correntes defendem que os créditos favorecem mais o mercado do que o
ambiente.
 
Depende da floresta - Os impactos dos créditos de
carbono na preservação das espécies, de acordo com a pesquisa, dependem
da biodiversidade da floresta e variam em cada região. "Na Mata
Atlântica, por exemplo, a manutenção da floresta reduziria
significativamente a perda de biodiversidade do Brasil", disse o
coordenador do trabalho.
 
Para o economista, é importante saber quais áreas valem mais a pena
serem preservadas para direcionar políticas. Ele lembra que manter as
florestas não significa ter menos áreas agrícolas. "Podemos expandir a
produção agrícola por meio de novas tecnologias, sem mexer nas
florestas".
 
O estudo foi publicado ontem (5) na revista "Nature Climate Change".
Agora, os cientistas planejam ampliar a análise do impacto das políticas
de carbono na preservação em áreas não florestais, como as savanas.
(Folha de São Paulo)
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