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Aprovação das novas diretrizes é pouco para melhorar o ensino, dizem especialistas

06/02/2012 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81026
Medida só valerá a partir da aprovação do Currículo Nacional da Educação Básica.
Aprovadas em maio de 2011 pelo Conselho Nacional de
Educação (CNE), as novas diretrizes curriculares para o ensino médio só
foram homologadas na semana passada pelo Ministério da Educação (MEC) e
publicadas no último dia 31 no Diário Oficial. Elas buscam dar uma
direção para o segmento que apresenta os piores resultados nas
avaliações educacionais, sofre com a falta de identidade e de motivação
dos jovens que não encontram nele o reflexo de suas aspirações.
Especialistas ouvidos pelo jornal O Globo acreditam que a determinação
de novas diretrizes é o primeiro passo, mas pode ser pouco para
transformar o ensino médio.
 
O projeto prevê que o currículo deve ser estruturado em quatro eixos:
trabalho, ciência, tecnologia e cultura. As escolas devem abordar
todos, mas podem ter um enfoque maior em um dos temas. Está prevista
também uma flexibilização curricular, de forma que o estudante tenha
autonomia para escolher as disciplinas que deseja estudar. Outra mudança
é a possibilidade de o ensino noturno durar mais que três anos, pois
neste turno a duração das aulas costuma ser menor. No texto original,
estava previsto que, neste caso, 20% da carga horária poderiam ser
ofertadas na modalidade de ensino à distância, mas o MEC vetou. Além
disso, as diretrizes exigem que as escolas ofereçam obrigatoriamente o
ensino de língua espanhola, ainda que seus alunos possam optar por não
cursar a matéria.
 
Para a professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro Bertha do Valle, há um risco grande das diretrizes
ficarem no papel. "Eu lamento que uma mudança como essa tenha demorado
tanto porque o ensino médio, hoje, é voltado para quem quer fazer curso
superior, não prepara para o mundo do trabalho. É uma continuidade do
ensino fundamental e deixa os estudantes desmotivados. Contudo, acho que
isso só muda as coisas no papel. É preciso também preparar os
professores para essas mudanças. Na formação deles, eles não são
preparados para isso. Se não mudar a formação dos docentes também, além
da questão salarial que é grave, fica difícil", afirma a professora.
 
Já a diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila
Cruz, afirma que, apesar de tardia, a resolução é o primeiro passo no
longo caminho para melhorar a realidade do ensino no Brasil. "Agora a
prioridade é aprovar o Currículo Nacional da Educação Básica, só a
partir daí é que as escolas serão obrigadas a cumprir as novas
diretrizes, que até agora servem apenas como sugestões de como as
escolas devem elaborar sua grade curricular", explica.
 
Priscila também destaca que a mudança vai melhorar o cenário do
ensino médio, etapa vista como a mais problemática da educação básica
devido aos altos índices de evasão. "Dados do IBGE mostram que a grande
maioria dos jovens de 15 a 17 anos abandona a escola por desinteresse.
Além disso, os estudos elaborados pelo Todos Pela Educação mostram que
somente 11% dos estudantes que terminam o terceiro ano do ensino médio
estão tendo aprendizado apropriado em matemática, e cerca de 28% se
formam com conhecimento de português", destaca.
(O Globo)
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