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Carência multiplica problemas
27/12/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80641
Pesquisa revela que, comparadas às áreas regulares, favelas apresentam altos índices de analfabetismo e pouco acesso a serviços.
O índice de adultos analfabetos nas favelas do
Brasil (8,4%) é o dobro do verificado nas áreas regulares (4,2%). Em
rendimento, a desvantagem se repete ainda de forma mais drástica.
Enquanto 27,1% das residências fora dos conjuntos habitacionais
precários recebem mensalmente mais de dois salários mínimos per capita,
somente 4,6% das moradias irregulares estão no mesmo patamar. Os dados
divulgados ontem (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) mostram ainda que a população dessas baixadas,
grotas, mocambos ou palafitas, entre muitos outros nomes dados pelo
Brasil às áreas ocupadas ilegalmente, é jovem. Só 6,1% têm 60 anos ou
mais, enquanto no restante das cidades tal indicador sobe para 11,1%.
"Talvez por serem resultado de movimentos migratórios, que foram e
continuam indo para as regiões metropolitanas e as cidades médias, temos
uma população mais jovem nos aglomerados subnormais", diz Claudio
Stenner, gerente de Regionalização do IBGE. O termo se refere ao
conceito técnico que o instituto usa para classificar as favelas. O
primeiro critério é não ter situação fundiária regularizada. Além disso,
só são considerados pelo estudo aglomerados subnormais os conjuntos
habitacionais com mais de 50 residências e que tenham problemas de
oferta de serviços básicos ou urbanísticos. "Uma comunidade localizada
na faixa de domínio de uma linha de tensão ou de uma ferrovia, por
exemplo, entra no quesito urbanístico", explica.
Entre a oferta de serviços básicos, o esgotamento sanitário é o mais
grave, com mais de 30% dos domicílios em favelas sem privadas ligadas à
rede geral de esgoto ou ao menos a uma fossa séptica. "Nos demais
indicadores, como água encanada e luz, verificamos desvantagem nos
aglomerados subnormais, mas não com grande diferença em relação ao resto
da população", explica Stenner. Segundo ele, no caso da energia
elétrica, se considerado medidor exclusivo e luz oferecida por
distribuidora, o índice da população com acesso ao serviço cai de 99,7%
para 72,5%, apontando uma precariedade.
Desemprego é a causa da pobreza - O desemprego é a
principal causa da pobreza no Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), que entrevistou 3.796 pessoas para o estudo
Percepção sobre pobreza: causas e soluções. O desemprego foi apontado
por 29,4% dos entrevistados. A dificuldade de acesso e a má qualidade da
educação (18,4%), seguidas pela corrupção (16,8%), também foram
mencionadas na pesquisa. No questionário sobre o principal problema
enfrentado no país, a violência foi indicada por 23% das pessoas,
seguida pela saúde (22,3%), pela corrupção (13,7%) e pelo desemprego
(12,4%).
(Correio Braziliense)
O índice de adultos analfabetos nas favelas do
Brasil (8,4%) é o dobro do verificado nas áreas regulares (4,2%). Em
rendimento, a desvantagem se repete ainda de forma mais drástica.
Enquanto 27,1% das residências fora dos conjuntos habitacionais
precários recebem mensalmente mais de dois salários mínimos per capita,
somente 4,6% das moradias irregulares estão no mesmo patamar. Os dados
divulgados ontem (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) mostram ainda que a população dessas baixadas,
grotas, mocambos ou palafitas, entre muitos outros nomes dados pelo
Brasil às áreas ocupadas ilegalmente, é jovem. Só 6,1% têm 60 anos ou
mais, enquanto no restante das cidades tal indicador sobe para 11,1%.
"Talvez por serem resultado de movimentos migratórios, que foram e
continuam indo para as regiões metropolitanas e as cidades médias, temos
uma população mais jovem nos aglomerados subnormais", diz Claudio
Stenner, gerente de Regionalização do IBGE. O termo se refere ao
conceito técnico que o instituto usa para classificar as favelas. O
primeiro critério é não ter situação fundiária regularizada. Além disso,
só são considerados pelo estudo aglomerados subnormais os conjuntos
habitacionais com mais de 50 residências e que tenham problemas de
oferta de serviços básicos ou urbanísticos. "Uma comunidade localizada
na faixa de domínio de uma linha de tensão ou de uma ferrovia, por
exemplo, entra no quesito urbanístico", explica.
Entre a oferta de serviços básicos, o esgotamento sanitário é o mais
grave, com mais de 30% dos domicílios em favelas sem privadas ligadas à
rede geral de esgoto ou ao menos a uma fossa séptica. "Nos demais
indicadores, como água encanada e luz, verificamos desvantagem nos
aglomerados subnormais, mas não com grande diferença em relação ao resto
da população", explica Stenner. Segundo ele, no caso da energia
elétrica, se considerado medidor exclusivo e luz oferecida por
distribuidora, o índice da população com acesso ao serviço cai de 99,7%
para 72,5%, apontando uma precariedade.
Desemprego é a causa da pobreza - O desemprego é a
principal causa da pobreza no Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), que entrevistou 3.796 pessoas para o estudo
Percepção sobre pobreza: causas e soluções. O desemprego foi apontado
por 29,4% dos entrevistados. A dificuldade de acesso e a má qualidade da
educação (18,4%), seguidas pela corrupção (16,8%), também foram
mencionadas na pesquisa. No questionário sobre o principal problema
enfrentado no país, a violência foi indicada por 23% das pessoas,
seguida pela saúde (22,3%), pela corrupção (13,7%) e pelo desemprego
(12,4%).
(Correio Braziliense)