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Criança que faz pré-escola aprende melhor matemática e reduz atraso escolar, diz estudo

14/12/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80500
A criança
que faz pré-escola aprende melhor matemática e português e tem menor
atraso escolar. Esse é um dos resultados do estudo Impactos da
Pré-Escola no Brasil, conduzido por André Portela Souza, coordenador do
Centro de Microeconomia Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV).
No estudo, que teve como base dados da Prova Brasil
e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicados em 2005,
Portela faz a estimativa de que a criança que é colocada na pré-escola
apresenta, em média, redução no atraso escolar de 1,2 ano e aumento na
proficiência de matemática de 0,47 desvio padrão, o que corresponderia,
segundo ele, a três anos a mais de escolaridade.
 
"É como se fosse quase cerca de um ano a mais de escolaridade no
aprendizado: a criança que faz [a pré-escola] tem um ano a mais em
termos de conteúdo quando chega à 4ª série", disse Portela, durante
apresentação de seu trabalho hoje (12), em São Paulo.
 
Segundo ele, em 2005, havia cerca de 10 milhões de crianças de 4 a 6
anos de idade no Brasil. Dessas, 7,1 milhões frequentavam a pré-escola, o
que corresponde a 72% do total. Nesse mesmo ano, o país destinava 5% do
Produto Interno Bruto (PIB) para a educação. No entanto, a maior parte
dos gastos era destinada para a educação superior. De acordo com ele, em
2005, o País destinava 120% de sua renda per capita para cada aluno do
ensino superior e apenas 10% de sua renda per capita para cada aluno de
pré-escola. "Investimentos educacionais na infância têm impactos
duradouros", diz o pesquisador.
 
Um resumo do estudo sobre o impacto da pré-escola no Brasil pode ser
lido no livro Aprendizagem Infantil - Uma Abordagem da Neurociência,
Economia e Psicologia Cognitiva, coordenado por Aloísio Araújo e lançado
pela Academia Brasileira de Ciências. Na apresentação da obra, Araújo
postula que, "para corrigir as desigualdades educacionais e permitir um
maior desenvolvimento econômico através da incorporação de um número
maior de adolescentes em faixas mais elevadas de educação, é preciso
fazer intervenções na fase mais precoce da criança".
 
Uma série de estudos internacionais e nacionais desenvolvidos na área
da educação foram apresentados ontem (12), na FGV, durante o workshop
Impactos da Educação Infantil: O Que Nos Diz a Evidência Empírica. Em
todos os estudos apresentados, a conclusão é pela importância de se
investir na educação infantil.
(Agência Brasil)
 
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