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Quanto mais, menos
12/12/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80459
Artigo de Luiz Roberto Liza Curi publicado na Folha de São Paulo de hoje (9).
A expansão do ensino superior no Brasil saltou de
1,945 milhão de matrículas em 1998 para 6.379.299 em 2010. Desse volume
de matrículas, 4.736.001, perto de 75%, pertencem às instituições
privadas. A pós-graduação cresceu mais de 150% em menos de dez anos. São
173 mil matrículas, sendo 144.911 (95%) em instituições públicas.
Titula 50 mil mestres e doutores por ano, com um padrão de qualidade
internacional.
Mas se o aumento dos pesquisadores no Brasil é comemorado como um bem
nacional, o do número de graduados nem tanto. Essa expansão, sancionada
por um complexo e consistente sistema de avaliação, é um significante
com diversos significados.
De um lado, é apontada com certa desconfiança por parcelas da opinião
pública. Algumas organizações profissionais associam explicitamente a
expansão do ensino superior com a má formação. De outro lado, ela é
vista como um termômetro de mobilização de investimentos financeiros
pelas chamadas redes de instituições.
De nenhum lado, no entanto, a expansão, especialmente do setor
privado, foi vista ou analisada como fator essencial ao desenvolvimento e
à sustentação da nação. Será justo admitir que essa expansão seja um
problema capaz de gerar uma lacuna no País?
No Brasil, a universalidade do acesso ao ensino superior é, de fato,
um problema. Temos menos de 16% da população de 18 a 24 anos matriculada
em cursos superiores. Perdemos do Paraguai (18%) e da Argentina (48%),
passamos longe de Portugal (50%) e não conseguimos divisar a Coreia
(78%).
Configura-se, assim, uma situação aparentemente injusta. Um índice de
cobertura da população tão baixo em um setor tão criticado pelo ritmo
de sua expansão! Devemos esperar uma qualidade cada vez mais suspeita na
medida em que as matriculas crescem?
É preciso reconhecer que não. É louvável o acesso dos cidadãos de
baixa renda e a ampla inclusão da chamada nova classe média ao ensino
superior. O problema da entrada vai se resolvendo. Falta, ainda,
resolver o da saída.
O êxito de universidades, centros universitários e faculdades deve,
principalmente, ser expressão da qualidade de seus concluintes, e não do
número de ingressantes. O excelente trabalho que o Ministério da
Educação desenvolve na avaliação do ensino superior, que por si faz
muito pelo País, deve incentivar a transformação de currículos e
conteúdos na direção dos desafios sociais e tecnológicos contemporâneos.
Seria bem-vinda uma ampla interação entre a avaliação e outras
políticas públicas que estimulassem as instituições de ensino superior a
formar profissionais em áreas estratégicas e prioritárias ao
desenvolvimento do país. Sem essa articulação a avaliação vai se
transformando num instrumento do Estado destinado a proteger a sociedade
de uma expansão tida como suspeita. A dimensão do sistema de ensino
superior brasileiro não pode, na direção e na velocidade econômica que o
país necessita, representar, apenas, milhões de matriculas.
Luiz Roberto Liza Curi, sociólogo, é diretor nacional de educação
superior e pesquisa do SEB SA. Foi diretor de políticas de educação
superior do Ministério da Educação.
A expansão do ensino superior no Brasil saltou de
1,945 milhão de matrículas em 1998 para 6.379.299 em 2010. Desse volume
de matrículas, 4.736.001, perto de 75%, pertencem às instituições
privadas. A pós-graduação cresceu mais de 150% em menos de dez anos. São
173 mil matrículas, sendo 144.911 (95%) em instituições públicas.
Titula 50 mil mestres e doutores por ano, com um padrão de qualidade
internacional.
Mas se o aumento dos pesquisadores no Brasil é comemorado como um bem
nacional, o do número de graduados nem tanto. Essa expansão, sancionada
por um complexo e consistente sistema de avaliação, é um significante
com diversos significados.
De um lado, é apontada com certa desconfiança por parcelas da opinião
pública. Algumas organizações profissionais associam explicitamente a
expansão do ensino superior com a má formação. De outro lado, ela é
vista como um termômetro de mobilização de investimentos financeiros
pelas chamadas redes de instituições.
De nenhum lado, no entanto, a expansão, especialmente do setor
privado, foi vista ou analisada como fator essencial ao desenvolvimento e
à sustentação da nação. Será justo admitir que essa expansão seja um
problema capaz de gerar uma lacuna no País?
No Brasil, a universalidade do acesso ao ensino superior é, de fato,
um problema. Temos menos de 16% da população de 18 a 24 anos matriculada
em cursos superiores. Perdemos do Paraguai (18%) e da Argentina (48%),
passamos longe de Portugal (50%) e não conseguimos divisar a Coreia
(78%).
Configura-se, assim, uma situação aparentemente injusta. Um índice de
cobertura da população tão baixo em um setor tão criticado pelo ritmo
de sua expansão! Devemos esperar uma qualidade cada vez mais suspeita na
medida em que as matriculas crescem?
É preciso reconhecer que não. É louvável o acesso dos cidadãos de
baixa renda e a ampla inclusão da chamada nova classe média ao ensino
superior. O problema da entrada vai se resolvendo. Falta, ainda,
resolver o da saída.
O êxito de universidades, centros universitários e faculdades deve,
principalmente, ser expressão da qualidade de seus concluintes, e não do
número de ingressantes. O excelente trabalho que o Ministério da
Educação desenvolve na avaliação do ensino superior, que por si faz
muito pelo País, deve incentivar a transformação de currículos e
conteúdos na direção dos desafios sociais e tecnológicos contemporâneos.
Seria bem-vinda uma ampla interação entre a avaliação e outras
políticas públicas que estimulassem as instituições de ensino superior a
formar profissionais em áreas estratégicas e prioritárias ao
desenvolvimento do país. Sem essa articulação a avaliação vai se
transformando num instrumento do Estado destinado a proteger a sociedade
de uma expansão tida como suspeita. A dimensão do sistema de ensino
superior brasileiro não pode, na direção e na velocidade econômica que o
país necessita, representar, apenas, milhões de matriculas.
Luiz Roberto Liza Curi, sociólogo, é diretor nacional de educação
superior e pesquisa do SEB SA. Foi diretor de políticas de educação
superior do Ministério da Educação.