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Barreiras para o ensino superior
12/12/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80458
Projeto do
governo federal de aumentar o número de instituições de ensino superior
esbarra em obras paralisadas por empresas que descumprem contratos,
falta de professores e até desinteresse dos alunos.
O professor Adilson Siqueira integra o grupo de
docentes da Universidade Federal de Rondônia (Unir) que ficou em greve
por 79 dias neste ano reivindicando melhores condições de trabalho. Um
relatório detalhado da Controladoria-Geral da União (CGU) evidencia a má
conservação do campus, a falta de salas de aula e de laboratórios, além
de atraso nas obras. Mas, em relatos de docentes, é possível saber que o
problema é ainda maior: chega a faltar água nos bebedouros e papel
higiênico nos banheiros da instituição. O quadro se repete em outras
universidades do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão
das Universidades Federais, o Reuni, instituído em 2007.
Segundo o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e
vice-presidente da Regional 1 (Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima) do
Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior
(Andes), Francisco Jacob Paiva da Silva, o governo vende a ideia de
estar abrindo novos campus, mas a expansão não é feita de forma
planejada. A maioria dos espaços vinculados a Ufam, criados pelo Reuni
em cinco municípios da região, só é acessível de barco ou de avião.
"Eles desenvolvem novos cursos, mas a maioria não é condizente com a
região e, por isso, não tem demanda. A ideia é desenvolver esses locais,
mas aqui é impossível, pois essas regiões não têm estrutura de vida
pública, têm custos altíssimos e não há mercado de trabalho", avalia. Em
2010, a Ufam ofereceu 5.282 vagas para 8.890 candidatos, uma relação
de 1,7 interessado por oportunidade oferecida. No mesmo ano, na
Universidade de Brasília, a relação foi de 8,1 inscritos por vaga.
Entre as principais reclamações dos professores está a falta de
infraestrutura e de profissionais. "Somos obrigados a dar aulas em mais
de um curso, mas nem sempre temos o conhecimento específico. Isso é
prejudicial a todos", argumenta Francisco Jacob, da Ufam. "Saímos de 6
mil alunos para 11 mil. Somos somente 610 professores. Não é
suficiente", reclama Adilson Siqueira, da universidade de Rondônia. O
ministro Haddad, porém, acredita que a expansão qualificou o corpo
docente. "Substituímos por doutores as vagas ocupadas por especialistas,
e isso contribuiu para a elevação dos indicadores de qualidade que
alcançamos", afirmou, recentemente.
Adilson conta que existem obras paralisadas há quase quatro anos na
Unir. Já Wallace Telino, professor de zoologia da Universidade Federal
Rural de Pernambuco na unidade de Garanhuns - a primeira instalação do
programa de interiorização do MEC -, conta que as obras ficaram
paralisadas por mais de seis meses devido à falência da empresa
contratada.
Problemas pontuais - O secretário de Educação
Superior do Ministério da Educação (MEC), Luiz Cláudio Costa, classifica
esses problemas como pontuais. "É natural em uma expansão dessa
dimensão", minimiza. Segundo ele, os indicadores de matrículas e vagas
demonstram um "programa de profundo sucesso". De 2003 a 2011, as vagas
em graduações presenciais no País pularam de 109 mil para 235 mil. Ainda
assim, o Brasil não conseguiu cumprir a diretriz do Plano Nacional de
Educação (PNE) 2001-2010 de elevar para pelo menos 30% o número de
matrículas no ensino superior entre alunos com 18 a 24 anos. O novo PNE,
que completa um ano em dezembro, prevê para 2020 elevar a taxa de
matrícula na educação superior em 33%, assegurando a qualidade da
oferta.
De acordo com o MEC, 2.104 obras de expansão e reestruturação de
universidades federais estão em curso e 1.160 foram concluídas. A pasta
alega que 78 obras em andamento foram paralisadas ou tiveram contrato
cancelado porque as vencedoras da licitação não conseguiram concluir o
trabalho. "Fazemos o acompanhamento e o monitoramento de cada obra",
garante o secretário de Educação Superior do ministério.
Para o professor Mozart Neves Ramos, conselheiro do movimento Todos
Pela Educação e do Conselho Nacional de Educação (CNE), o grande entrave
é o modelo de gestão das universidades, que precisa ser mais inovador.
"O problema não é dinheiro. O dinheiro entra, mas é preciso ficar em uma
fila de projetos, esperar as licitações. É um modelo que não atende
mais a velocidade dos processos", critica. Desde a criação do Reuni, a
pasta investiu R$ 5,5 bilhões e entregou 14 universidades federais e 126
campi universitários em diferentes regiões do Brasil. Atualmente,
existem 59 universidades federais e o MEC planeja abrir outras quatro
até 2014.
Deficit de 3,5 mil - Para solucionar a falta de
professores nas universidades federais, a Associação Nacional dos
Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) propôs
ao MEC que transforme o Projeto de Lei nº 2.134/2011, que cria mais de
77 mil cargos em instituições federais de ensino, em uma medida
provisória. Estima-se que o deficit de professores para 2012 chegue a
3.500 cargos em todo o País.
Melhor no Sul - Enquanto instituições de ensino do
Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais (Reuni) do Reuni no Norte e no Nordeste
concentram as piores estruturas no país, a Universidade Federal da
Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), é um retrato
de que as diferenças regionais estão também na educação superior.
Criada em 2009, a Unila iniciou há cerca de seis meses as obras da sua
sede efetiva. Em ritmo acelerado, a previsão é de que os alunos possam
ser transferidos no fim de 2012 para as novas instalações.
Atualmente, os 12 cursos da instituição funcionam em uma sede
provisória no parque tecnológico da Hidrelétrica Itaipu Binacional, que
firmou um termo de cooperação com a direção da instituição de ensino e
doou parte do terreno para a construção de um dos espaços da
universidade.
Niemeyer - O projeto do arquiteto Oscar Niemeyer
prevê a construção de nove prédios com salas de aula, laboratórios de
pesquisa, um edifício para a reitoria e as salas de professores, um
anfiteatro com palco giratório para uma área de eventos com capacidade
de até 10 mil pessoas e um restaurante universitário. A estimativa
inicial da obra é de R$ 500 milhões.
A primeira universidade federal bilíngue do País deve reunir 10 mil
estudantes e 500 professores da América do Sul em cinco anos. Como polo
de integração no continente, a instituição conta com 50% de alunos
brasileiros e a outra metade latino-americana.
(Correio Braziliense)
governo federal de aumentar o número de instituições de ensino superior
esbarra em obras paralisadas por empresas que descumprem contratos,
falta de professores e até desinteresse dos alunos.
O professor Adilson Siqueira integra o grupo de
docentes da Universidade Federal de Rondônia (Unir) que ficou em greve
por 79 dias neste ano reivindicando melhores condições de trabalho. Um
relatório detalhado da Controladoria-Geral da União (CGU) evidencia a má
conservação do campus, a falta de salas de aula e de laboratórios, além
de atraso nas obras. Mas, em relatos de docentes, é possível saber que o
problema é ainda maior: chega a faltar água nos bebedouros e papel
higiênico nos banheiros da instituição. O quadro se repete em outras
universidades do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão
das Universidades Federais, o Reuni, instituído em 2007.
Segundo o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e
vice-presidente da Regional 1 (Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima) do
Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior
(Andes), Francisco Jacob Paiva da Silva, o governo vende a ideia de
estar abrindo novos campus, mas a expansão não é feita de forma
planejada. A maioria dos espaços vinculados a Ufam, criados pelo Reuni
em cinco municípios da região, só é acessível de barco ou de avião.
"Eles desenvolvem novos cursos, mas a maioria não é condizente com a
região e, por isso, não tem demanda. A ideia é desenvolver esses locais,
mas aqui é impossível, pois essas regiões não têm estrutura de vida
pública, têm custos altíssimos e não há mercado de trabalho", avalia. Em
2010, a Ufam ofereceu 5.282 vagas para 8.890 candidatos, uma relação
de 1,7 interessado por oportunidade oferecida. No mesmo ano, na
Universidade de Brasília, a relação foi de 8,1 inscritos por vaga.
Entre as principais reclamações dos professores está a falta de
infraestrutura e de profissionais. "Somos obrigados a dar aulas em mais
de um curso, mas nem sempre temos o conhecimento específico. Isso é
prejudicial a todos", argumenta Francisco Jacob, da Ufam. "Saímos de 6
mil alunos para 11 mil. Somos somente 610 professores. Não é
suficiente", reclama Adilson Siqueira, da universidade de Rondônia. O
ministro Haddad, porém, acredita que a expansão qualificou o corpo
docente. "Substituímos por doutores as vagas ocupadas por especialistas,
e isso contribuiu para a elevação dos indicadores de qualidade que
alcançamos", afirmou, recentemente.
Adilson conta que existem obras paralisadas há quase quatro anos na
Unir. Já Wallace Telino, professor de zoologia da Universidade Federal
Rural de Pernambuco na unidade de Garanhuns - a primeira instalação do
programa de interiorização do MEC -, conta que as obras ficaram
paralisadas por mais de seis meses devido à falência da empresa
contratada.
Problemas pontuais - O secretário de Educação
Superior do Ministério da Educação (MEC), Luiz Cláudio Costa, classifica
esses problemas como pontuais. "É natural em uma expansão dessa
dimensão", minimiza. Segundo ele, os indicadores de matrículas e vagas
demonstram um "programa de profundo sucesso". De 2003 a 2011, as vagas
em graduações presenciais no País pularam de 109 mil para 235 mil. Ainda
assim, o Brasil não conseguiu cumprir a diretriz do Plano Nacional de
Educação (PNE) 2001-2010 de elevar para pelo menos 30% o número de
matrículas no ensino superior entre alunos com 18 a 24 anos. O novo PNE,
que completa um ano em dezembro, prevê para 2020 elevar a taxa de
matrícula na educação superior em 33%, assegurando a qualidade da
oferta.
De acordo com o MEC, 2.104 obras de expansão e reestruturação de
universidades federais estão em curso e 1.160 foram concluídas. A pasta
alega que 78 obras em andamento foram paralisadas ou tiveram contrato
cancelado porque as vencedoras da licitação não conseguiram concluir o
trabalho. "Fazemos o acompanhamento e o monitoramento de cada obra",
garante o secretário de Educação Superior do ministério.
Para o professor Mozart Neves Ramos, conselheiro do movimento Todos
Pela Educação e do Conselho Nacional de Educação (CNE), o grande entrave
é o modelo de gestão das universidades, que precisa ser mais inovador.
"O problema não é dinheiro. O dinheiro entra, mas é preciso ficar em uma
fila de projetos, esperar as licitações. É um modelo que não atende
mais a velocidade dos processos", critica. Desde a criação do Reuni, a
pasta investiu R$ 5,5 bilhões e entregou 14 universidades federais e 126
campi universitários em diferentes regiões do Brasil. Atualmente,
existem 59 universidades federais e o MEC planeja abrir outras quatro
até 2014.
Deficit de 3,5 mil - Para solucionar a falta de
professores nas universidades federais, a Associação Nacional dos
Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) propôs
ao MEC que transforme o Projeto de Lei nº 2.134/2011, que cria mais de
77 mil cargos em instituições federais de ensino, em uma medida
provisória. Estima-se que o deficit de professores para 2012 chegue a
3.500 cargos em todo o País.
Melhor no Sul - Enquanto instituições de ensino do
Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais (Reuni) do Reuni no Norte e no Nordeste
concentram as piores estruturas no país, a Universidade Federal da
Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), é um retrato
de que as diferenças regionais estão também na educação superior.
Criada em 2009, a Unila iniciou há cerca de seis meses as obras da sua
sede efetiva. Em ritmo acelerado, a previsão é de que os alunos possam
ser transferidos no fim de 2012 para as novas instalações.
Atualmente, os 12 cursos da instituição funcionam em uma sede
provisória no parque tecnológico da Hidrelétrica Itaipu Binacional, que
firmou um termo de cooperação com a direção da instituição de ensino e
doou parte do terreno para a construção de um dos espaços da
universidade.
Niemeyer - O projeto do arquiteto Oscar Niemeyer
prevê a construção de nove prédios com salas de aula, laboratórios de
pesquisa, um edifício para a reitoria e as salas de professores, um
anfiteatro com palco giratório para uma área de eventos com capacidade
de até 10 mil pessoas e um restaurante universitário. A estimativa
inicial da obra é de R$ 500 milhões.
A primeira universidade federal bilíngue do País deve reunir 10 mil
estudantes e 500 professores da América do Sul em cinco anos. Como polo
de integração no continente, a instituição conta com 50% de alunos
brasileiros e a outra metade latino-americana.
(Correio Braziliense)