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Governo pressiona setor privado para bancar bolsa de estudo

04/11/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79954
Com a ajuda
dos secretários-executivos dos ministérios da Educação e da Ciência e
Tecnologia, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) intensificou nas
últimas semanas os esforços para conseguir a adesão do empresariado ao
programa Ciência Sem Fronteiras.
A ordem é da presidente Dilma Rousseff, que
pretende marcar sua gestão com avanços na educação e no crescimento da
oferta de mão de obra qualificada. O programa foi montado para ter
adesão privada, mas ela está demorando.
 
A pressão sobre alguns setores, como os bancos, conta com a
participação da própria presidente. A iniciativa privada, no entanto,
ainda tem dúvidas quanto aos valores das bolsas que serão oferecidas no
exterior aos estudantes de graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado
e pesquisadores.
 
O programa Ciência Sem Fronteiras tem como objetivo levar 100 mil
bolsistas brasileiros às principais universidades do mundo até o fim de
2014 para estudar em cursos considerados estratégicos para o
desenvolvimento brasileiro. O governo oferecerá 75 mil bolsas por meio
da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq), e quer que a iniciativa privada financie as outras 25 mil.
 
A presidente está envolvida pessoalmente na mobilização. Em viagens
internacionais e contatos com autoridades estrangeiras, tem passado o
recado de que gostaria de ver os bolsistas brasileiros nas universidades
dos países de seus interlocutores. Dilma também já cobrou o apoio do
empresariado publicamente. Em julho, durante reunião do Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social, o principal alvo foi a Federação
Brasileira de Bancos (Febraban).
 
"Espero contar com a participação de todos", disse a presidente na
ocasião. "É um desafio para o setor privado, especialmente para a
Febraban. Viu, Murilo Portugal [presidente da entidade]? Falo no Murilo
Portugal, porque ele já esteve na Secretaria do Tesouro e sabe
perfeitamente o que representa, para um país como o Brasil, destinar R$
3,1 bilhões para este programa. Acho importante a participação do setor
privado", afirmou Dilma.
 
Ao lado de outras associações setoriais e empresas, a Febraban é uma
das entidades na mira da Casa Civil. Portugal já participou de reuniões
com a ministra Gleisi. Também já foram procurados representantes da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Associação Brasileira da
Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), da Eletrobras e da Vale.
 
"O desenvolvimento de recursos humanos é uma das grandes prioridades,
se não a grande prioridade, que temos na Abdib. É o grande desafio da
área de infraestrutura", disse o vice-presidente-executivo da entidade,
Ralph Lima Terra, que esteve no Palácio do Planalto para debater o
assunto. "Isso é fundamental para o desenvolvimento do país."
 
O diretor de operações do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(Senai), Gustavo Leal Sales Filho, afirmou que a CNI deve começar até o
fim do ano um "road show" pelos Estados para tentar mobilizar os
empresários. As duas entidades querem financiar o estudo de engenheiros
que já trabalham no setor produtivo, e precisam de especialização, e
também de recém-formados, que poderão ser aproveitados pelas empresas ao
retornarem do exterior. "Essa é uma questão crucial para o País",
afirmou Sales Filho. Segundo ele, o setor industrial poderá custear até
10 mil bolsas.
 
O diretor de relações internacionais da Capes, Márcio de Castro Silva
Filho, conta que o programa Ciência Sem Fronteiras surgiu depois da
visita do presidente americano Barack Obama a Brasília. Segundo ele,
Obama perguntou à presidente brasileira por que não há muitos
brasileiros estudando nos EUA, se atualmente existem 130 mil chineses e
120 mil indianos nas universidades americanas.
 
"Agora, os próprios alunos pressionam as universidades para criar
comitês de seleção. E os pró-reitores viram a importância da
internacionalização das universidades", afirmou Silva Filho. Segundo
ele, os primeiros estudantes beneficiados serão enviados a universidades
dos EUA e a segunda etapa do programa também envolverá universidades da
Alemanha, França e Reino Unido.
 
As metas da Capes e do CNPq já foram definidas. Subordinada ao
Ministério da Educação, a Capes deve ofertar 3,4 mil bolsas do Ciência
Sem Fronteiras neste ano. A previsão para 2012, 2013 e 2014 é de,
respectivamente, 10,2 mil, 12,2 mil e 14, 2 mil bolsas.
 
O CNPq, órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, oferecerá
3.890 bolsas neste ano, 6.140 em 2012, 10.230 em 2013 e 14.740 bolsas
no último ano do governo da presidente Dilma. "Vamos atingir certamente
esses números, sem comprometer outros programas", disse o diretor da
Capes.
 
As áreas contempladas pelo programa são engenharia, matemática,
ciências biomédicas e da saúde, química, biologia, geociências,
computação e tecnologia da informação, tecnologia aeroespacial,
farmacologia, agronomia, produção de petróleo, gás, carvão e energias
renováveis, biotecnologia, nanotecnologia, tecnologias de prevenção e
mitigação de desastres naturais, biologia e ciências do mar.
(Valor Econômico)
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