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Inovação: No Brasil, mais crédito do que idéias

29/07/2008 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57584
<P>Programa da Finep deixou de repassar R$ 150 milhões, ano passado, porque projetos não estavam qualificados <BR><BR>Muitas empresas alegam que o governo dá pouco incentivo para o desenvolvimento de pesquisa e inovação. A reclamação não é gratuita: o Brasil amarga a 43ª posição no ranking dos países com ambiente favorável à inovação tecnológica, segundo o instituto de pesquisas britânico Economist Intelligence Unit.<BR><BR>Entretanto, as agências de fomento dizem que as empresas brasileiras deveriam se esforçar mais para desfrutar dos incentivos existentes no país — que, ao menos em comparação com a demanda, nem são tão escassos assim.<BR><BR>No ano passado, cerca de 2.500 negócios se candidataram — na modalidade recursos não-reembolsáveis — ao pacote de subvenção econômica à inovação, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Os pedidos somavam R$ 4 bilhões, e o orçamento era limitado a R$ 450 milhões.<BR><BR>Ainda assim, só R$ 300 milhões foram liberados: R$ 150 milhões deixaram de ser repassados porque os projetos não estavam qualificados. O que os especialistas dizem é que nunca houve tanta oferta de recursos para inovação no país. Só a Finep tem este ano orçamento de R$ 2,55 bilhões para instituições de ensino e pesquisa e empresas inovadoras.<BR><BR>Já o BNDES destinará R$ 6 bilhões ao setor até 2010. Há ainda os programas de agências de fomento à pesquisa, como Faperj, Fapesp e CNPq.<BR><BR>Segundo o ministro de Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, as ações voltadas para o desenvolvimento de novas tecnologias são relativamente novas no país, com aproximadamente 40 anos. No início, os recursos eram focados sobretudo na formação de mestres e doutores em universidades.<BR><BR>Nos anos 1990, surgiram os fundos do governo para capitanear projetos de pesquisas também em empresas consideradas inovadoras, ações que continuam até hoje. O ministro reconhece que o caminho ainda é longo, já que as iniciativas são novas, mas aposta suas fichas na necessidade de estimular inovações em setores estratégicos, como os de tecnologia da informação, componentes eletrônicos, biocombustíveis, automóveis, fármacos, entre outros.<BR><BR>— São setores que estão na linha da política industrial do governo — ressalta Rezende, referindo-se ao programa anunciado, em março, pelo presidente Lula.<BR><BR>As ações do governo não estão centradas apenas nos conhecidos setores de software ou hardware, muito menos nas universidades. Podem abranger projetos que envolvam alimentos, tecidos ou até máquinas. Mas há o claro objetivo de financiar as empresas, para que elas tenham condições de desenvolver suas pesquisas.<BR><BR>O ministério, via Finep, tem programas de suporte financeiro, tanto reembolsáveis (quando o beneficiado paga os empréstimos) como os não-reembolsáveis. Agran de novidade é o Programa Primeira Empresa Inovadora (Prime), projeto de subvenção econômica para empresas nascentes de caráter inovador.<BR><BR>Até 2011, a instituição planeja liberar R$ 1,3 bilhão para cerca de 1.800 empresas instaladas em incubadoras, que ficarão responsáveis pela seleção dos empreendimentos e repasse da verba. Por enquanto, 18 incubadoras estão habilitadas a fazer os repasses. Três delas têm base no Rio: Coppe (UFRJ), Instituto Gênesis (PUC) e Fundação Bio-Rio.<BR><BR>— Essa é uma idéia ousada e inovadora, que pode se transformar em um dos maiores programas da história da casa — aposta o presidente da Finep, Luís Fernandes.<BR><BR>Antes de assinar o programa, os novos empreendedores passarão por um curso obrigatório de imersão em negócios, com duração de nove dias, que irá avaliar se os candidatos estão aptos a receber o investimento — R$ 240 mil em dois anos.<BR><BR>No primeiro ano, os recursos serão repassados em forma de bolsa e, por isso, estarão livres de taxação. Serão literalmente dados para cada empresa R$ 120 mil. Com esse dinheiro, será possível a contratação de técnicos, administrador e consultoria de mercado.<BR><BR>Já a outra metade dos recursos será devolvida em cem vezes sem juros. O primeiro edital deve ser lançado neste segundo semestre.<BR><BR>No BNDES, a expectativa é de que o programa de subvenção do banco alcance este ano o mesmo resultado de 2007, quando R$ 100 milhões foram aplicados. Em paralelo, o banco tem buscado formas de estreitar o relacionamento de projetos de pequeno porte com fundos de capital de risco. No fim de 2007, foi lançado o Criatec, um fundo com valor máximo de investimento por empresa de R$ 1,5 milhão. No alvo do BNDES, estão companhias que faturam até R$ 6 milhões.<BR><BR>— Trata-se de um fundo de investimento de longo prazo em empresas ou pesquisas em estágio inicial, inovadoras, e com projeção de retorno bem elevada — explica a chefe do Departamento de Programas e Políticas do banco, Helena Tenório.<BR><BR>No Rio, a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa (Faperj) tem dois editais abertos na área, para micro e pequenas empresas, ou mesmo empreendedores: o Pappe Subvenção Rio Inovação 2008 (com recursos de R$ 24 milhões) e o Apoio à Inovação e à Difusão Tecnológica (R$ 6 milhões). <BR><FONT size=1>(O Globo, 27/7)</FONT></P>
<P><FONT size=1><A href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57584">http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57584</A><BR></P></FONT>
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