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Tecnologia sofre com evasão universitária

20/10/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79754
De 174 mil alunos de faculdades da área, 87% deixam carreira. Até 2014 faltarão 45 mil analistas e programadores.
A alta evasão de cursos de graduação deverá
contribuir para o apagão de mão de obra de 45 mil profissionais nas
carreiras básicas de tecnologia até 2014 nas principais regiões do País.
A conclusão é do mapa da Associação Brasileira de Empresas de
Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) em oito estados:
Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de
Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.
 
Dos 174.161 matriculados nas principais carreiras do setor - como
programadores ou analistas de sistemas -, 87% abandonam os cursos.
Atualmente o número de formados por ano na região analisada está em
22.895, segundo a pesquisa antecipada à Folha. "Além do conhecido
deficit de engenheiros, faltam profissionais até para escrever código. O
setor vive uma situação crítica", afirma Sérgio Sgobbi, diretor de
educação da Brasscom.
 
Os profissionais mais procurados pelas empresas atualmente são os
analistas de desenvolvimento de sistemas, os analistas de suporte e
também os programadores. O cenário deve piorar até 2014, quando serão
formados nos oito estados avaliados 33.625 trabalhadores em tecnologia,
ante 78.530 vagas abertas.
 
Considerando o deficit de engenheiros, faltarão 200 mil profissionais
para o setor nos próximos três anos. Segundo Sgobbi, a retenção dos
alunos nas universidades esbarra em dois principais problemas, a seleção
no vestibular e até mesmo o assédio corporativo por estudantes dessas
carreiras.
 
"Em muitas faculdades, especialmente particulares, o processo
seletivo é raso, e muitos não gostam do curso e acabam desistindo logo
no início", diz. Contribuem também para a evasão os estudantes que
trancam a matrícula por conseguir emprego rapidamente e preferir a
experiência profissional.
 
Talentos - A competição empresarial por talentos tem
gerado distorções salariais e na forma de contratação dos profissionais
em diferentes regiões. Para o cargo de analista de sistemas, as
variações salariais entre os estados chega a ser de 80%. Enquanto a
remuneração média no Paraná para profissionais em início de carreira é
de R$ 2.208, no Distrito Federal, puxado pelos projetos de governo,
chega a R$ 3.980.
 
"Muitas empresas têm contratado programadores como analistas de
sistemas para valorizar a carreira e elevar os salários, evitando o
assédio da concorrência", afirma. Hoje a média salarial nacional de um
programador é de R$ 1.636, ante R$ 2.772 de um analista de sistemas.
 
Empresas caçam profissional fora do eixo RJ-SP - Em
busca de mão de obra com custos menores do que no Rio de Janeiro ou em
São Paulo, empresas devem mirar principalmente o Nordeste e o interior
do País. Segundo a pesquisa da Brasscom, Bahia, Pernambuco e Minas
Gerais são os estados com maior disponibilidade de profissionais nos
próximos três anos.
 
Algumas companhias de software já descobriram a vocação natural de
formação nessas regiões. O Google mantém em Minas Gerais seu principal
centro de desenvolvimento. Hoje, são 80 profissionais, principalmente
engenheiros e cientistas da computação. Além de recrutar profissionais
em Belo Horizonte, a empresa busca formados em Viçosa, Vassouras e Juiz
de Fora. A BRQ Software, de desenvolvimento de sistemas, montou uma
operação de 300 pessoas em Fortaleza e poderá se expandir em Pernambuco,
onde já mantém escritório.
 
"Enxergamos boa oferta de profissionais não só nas capitais mas
também em cidades do interior, que estão formando mais gente", diz
Antônio Ribeiro, diretor da BRQ.
(Folha de São Paulo)
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