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Brasil inaugura em 2012 um dos maiores bancos genéticos do mundo
17/10/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79691
Reservatório
deve quadruplicar a capacidade de armazenamento de sementes da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O Brasil vai inaugurar em 2012 um dos maiores
bancos genéticos do mundo para o estoque de sementes e variedades de
alimentos. A iniciativa é da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa), que investirá R$ 10 milhões para multiplicar por quatro a
atual estrutura da instituição.
"É questão de segurança nacional, tanto por motivos econômicos quanto
para garantir a capacidade de produzir alimentos para a população",
declarou ao Estado o presidente da Embrapa, Pedro Antonio Arraes
Pereira, durante viagem à Europa com a presidente Dilma Rousseff.
Hoje, a Embrapa armazena 200 mil espécies de plantas, sementes e
informações em seu germoplasma - unidade conservadora de material
genético. Com a quadruplicação dessa cifra, apenas Estados Unidos,
Europa e China teriam bancos genéticos superiores aos do Brasil. Na
avaliação de Pereira, a construção do reservatório genético pretende dar
garantia ao Brasil no enfrentamento de eventuais surtos de novas
doenças. "É uma proteção para o futuro", disse, lembrando que os
recursos genéticos podem ficar até cem anos estocados dessa forma.
O Brasil é o terceiro maior exportador agrícola, superado apenas por
Estados Unidos e União Europeia. Pelas projeções da Embrapa, a produção
de alimentos no mundo terá de dobrar até 2030 para abastecer os
mercados. Internamente, o combate à pobreza significará consumo cada vez
maior. A proteção da riqueza agrícola do País, portanto, passa a ser
exigência estratégica.
Além de multiplicar o reservatório de recursos genéticos de plantas e
sementes autóctones, a Embrapa promete focar suas atenções na
cana-de-açúcar, tanto para desenvolver espécies mais produtivas em
termos energéticos como para se proteger de pragas. Onze novas espécies
de canas estão sendo trazidas dos reservatórios genéticos dos Estados
Unidos para o Brasil.
Outro exemplo é a tentativa de se aproximar da China, com a abertura
de um laboratório no país asiático para trazer ao Brasil resultados de
pesquisas e informações genéticas sobre a soja. A soja tem origem na
China e uma colaboração é vista como importante para permitir que a
Embrapa possa desenvolver sementes com novas resistências. "Essa
pesquisa pode dar maior resistência às nossas variedades de soja",
explicou.
Para Pereira, é o comportamento do Brasil que dificulta a ampliação
da base de dados genéticos, já que países como os EUA oferecem
informações genéticas apenas ao ver que há uma atitude de reciprocidade.
Ele critica o fato de que, no País, parte da classe política resiste a
qualquer indicação de que o Brasil possa facilitar a troca de
informações genéticas com um parceiro estrangeiro, alegando que o País
revelaria dados fundamentais a concorrentes. Para ele, a discussão sobre
a proteção de recursos genéticos pelo governo, sob a alegação de
defender a soberania nacional, não faz sentido.
Estratégia - A construção do reservatório de
recursos genéticos faz parte de uma estratégia de internacionalização da
Embrapa. Nos últimos cinco anos, a empresa duplicou seu orçamento
destinado a apoiar atividades no exterior, chegando a quase US$ 2
milhões por ano para manter projetos, escritórios e troca de
informações. Apesar de ser usada como uma perna científica da diplomacia
brasileira, a empresa não conseguiu do Executivo a aprovação de uma
legislação internacionalizando a Embrapa.
Nesta semana, o presidente da entidade aproveitou a viagem com a
comitiva presidencial para voltar a fazer o apelo ao assessor de
Assuntos Internacionais da presidência, Marco Aurélio Garcia, que
prometeu acelerar os trâmites.
(O Estado de São Paulo)
deve quadruplicar a capacidade de armazenamento de sementes da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O Brasil vai inaugurar em 2012 um dos maiores
bancos genéticos do mundo para o estoque de sementes e variedades de
alimentos. A iniciativa é da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa), que investirá R$ 10 milhões para multiplicar por quatro a
atual estrutura da instituição.
"É questão de segurança nacional, tanto por motivos econômicos quanto
para garantir a capacidade de produzir alimentos para a população",
declarou ao Estado o presidente da Embrapa, Pedro Antonio Arraes
Pereira, durante viagem à Europa com a presidente Dilma Rousseff.
Hoje, a Embrapa armazena 200 mil espécies de plantas, sementes e
informações em seu germoplasma - unidade conservadora de material
genético. Com a quadruplicação dessa cifra, apenas Estados Unidos,
Europa e China teriam bancos genéticos superiores aos do Brasil. Na
avaliação de Pereira, a construção do reservatório genético pretende dar
garantia ao Brasil no enfrentamento de eventuais surtos de novas
doenças. "É uma proteção para o futuro", disse, lembrando que os
recursos genéticos podem ficar até cem anos estocados dessa forma.
O Brasil é o terceiro maior exportador agrícola, superado apenas por
Estados Unidos e União Europeia. Pelas projeções da Embrapa, a produção
de alimentos no mundo terá de dobrar até 2030 para abastecer os
mercados. Internamente, o combate à pobreza significará consumo cada vez
maior. A proteção da riqueza agrícola do País, portanto, passa a ser
exigência estratégica.
Além de multiplicar o reservatório de recursos genéticos de plantas e
sementes autóctones, a Embrapa promete focar suas atenções na
cana-de-açúcar, tanto para desenvolver espécies mais produtivas em
termos energéticos como para se proteger de pragas. Onze novas espécies
de canas estão sendo trazidas dos reservatórios genéticos dos Estados
Unidos para o Brasil.
Outro exemplo é a tentativa de se aproximar da China, com a abertura
de um laboratório no país asiático para trazer ao Brasil resultados de
pesquisas e informações genéticas sobre a soja. A soja tem origem na
China e uma colaboração é vista como importante para permitir que a
Embrapa possa desenvolver sementes com novas resistências. "Essa
pesquisa pode dar maior resistência às nossas variedades de soja",
explicou.
Para Pereira, é o comportamento do Brasil que dificulta a ampliação
da base de dados genéticos, já que países como os EUA oferecem
informações genéticas apenas ao ver que há uma atitude de reciprocidade.
Ele critica o fato de que, no País, parte da classe política resiste a
qualquer indicação de que o Brasil possa facilitar a troca de
informações genéticas com um parceiro estrangeiro, alegando que o País
revelaria dados fundamentais a concorrentes. Para ele, a discussão sobre
a proteção de recursos genéticos pelo governo, sob a alegação de
defender a soberania nacional, não faz sentido.
Estratégia - A construção do reservatório de
recursos genéticos faz parte de uma estratégia de internacionalização da
Embrapa. Nos últimos cinco anos, a empresa duplicou seu orçamento
destinado a apoiar atividades no exterior, chegando a quase US$ 2
milhões por ano para manter projetos, escritórios e troca de
informações. Apesar de ser usada como uma perna científica da diplomacia
brasileira, a empresa não conseguiu do Executivo a aprovação de uma
legislação internacionalizando a Embrapa.
Nesta semana, o presidente da entidade aproveitou a viagem com a
comitiva presidencial para voltar a fazer o apelo ao assessor de
Assuntos Internacionais da presidência, Marco Aurélio Garcia, que
prometeu acelerar os trâmites.
(O Estado de São Paulo)