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Florestas nas águas da Amazônia
21/09/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79342
Artigo
encaminhado pelo grupo de pesquisadores do Inpa e do Museu da Amazônia
sobre recente estudo que sugere a inclusão de áreas úmidas nas
discussões do novo Código Florestal.
A precipitação é a principal fonte de água na bacia
amazônica; cerca de 50% dessa precipitação depende da evaporação e da
transpiração da cobertura vegetal. Por outro lado, cerca da metade da
precipitação incidindo na bacia é transformada em descarga, indo,
primeiramente, para os pequenos riachos, os igarapés.
A trama de pequenos igarapés da bacia amazônica alimenta os grandes
rios com seu fluxo de água de diferentes propriedades químicas. Por sua
vez, esses igarapés são margeados por florestas que alimentam os
organismos aquáticos, mostrando a íntima relação e mútua dependência
entre água, floresta e organismos na Amazônia.
Devido a diferenças ao longo do ano no volume da precipitação, o
nível dos grandes rios flutua sazonalmente com uma amplitude da ordem de
10m, na Amazônia Central, podendo chegar a quase 15 metros em outras
áreas, implicando em uma expansão da cheia de quilômetros nas planícies
alagáveis marginais e suas florestas. No pico da fase de águas baixas as
áreas alagáveis podem ser reduzidas a apenas 20% da área total inundada
durante o pico das cheias. Contudo, elas contribuem com 30% do balanço
total de água do canal principal do rio, pois a capacidade de estocagem
das áreas alagáveis, desde que mantidas com suas florestas associadas, é
bem superior à do canal principal.
Em nenhum outro lugar do planeta são encontradas florestas que
toleram períodos de inundação tão longos, de até 270 dias ao ano, como
aquelas encontradas nas áreas alagáveis ao longo dos grandes rios
amazônicos. Todos os anos, durante as cheias, quando a água invade as
margens laterais, essas árvores passam a fazer parte dos corpos de água
por vários meses, tendo suas raízes, troncos ou mesmo as copas
inteiramente recobertas pela água dos rios associados.
Essa vegetação é adaptada a esta situação de inundação, compondo
florestas únicas no mundo, com a maior biodiversidade registrada para
esses ambientes (mais de 1000 espécies). A vegetação das florestas
alagáveis é também de capital importância para o desenvolvimento e
manutenção da biodiversidade amazônica, oferecendo alimento e habitat
para vários animais, como peixes, macacos e pássaros. Além disto, um
número muito grande de invertebrados terrestres vive permanentemente nas
copas das árvores da floresta, ou migra para elas para escapar às
inundações.
As áreas de florestas alagáveis devem ser incluídas nos dispositivos
legais que protegem as florestas uma vez que a sua devastação ou sua
retirada massiva trarão reflexos negativos imediatos à estrutura física e
integridade dos processos ecológicos dos ambientes alagáveis, como
também à diversidade biológica de toda a região amazônica. As
implicações de alterações dessa natureza irão se refletir diretamente
nos ciclos climáticos e na redução dos múltiplos recursos naturais
explorados pelas populações humanas locais, com reflexos negativos na
economia e o abastecimento dos maiores centros urbanos na Amazônia.
Wolfgang Junk - Coordenador do INCT - Instituto Nacional de Áreas Úmidas (Inau), do Pantanal;
Jochen Schoengart e Florian Wittmann - Grupo MAUA/ Cooperação Inpa/Max-Planck, Alemanha
Maria Teresa Piedade - Grupo MAUA/Inpa
encaminhado pelo grupo de pesquisadores do Inpa e do Museu da Amazônia
sobre recente estudo que sugere a inclusão de áreas úmidas nas
discussões do novo Código Florestal.
A precipitação é a principal fonte de água na bacia
amazônica; cerca de 50% dessa precipitação depende da evaporação e da
transpiração da cobertura vegetal. Por outro lado, cerca da metade da
precipitação incidindo na bacia é transformada em descarga, indo,
primeiramente, para os pequenos riachos, os igarapés.
A trama de pequenos igarapés da bacia amazônica alimenta os grandes
rios com seu fluxo de água de diferentes propriedades químicas. Por sua
vez, esses igarapés são margeados por florestas que alimentam os
organismos aquáticos, mostrando a íntima relação e mútua dependência
entre água, floresta e organismos na Amazônia.
Devido a diferenças ao longo do ano no volume da precipitação, o
nível dos grandes rios flutua sazonalmente com uma amplitude da ordem de
10m, na Amazônia Central, podendo chegar a quase 15 metros em outras
áreas, implicando em uma expansão da cheia de quilômetros nas planícies
alagáveis marginais e suas florestas. No pico da fase de águas baixas as
áreas alagáveis podem ser reduzidas a apenas 20% da área total inundada
durante o pico das cheias. Contudo, elas contribuem com 30% do balanço
total de água do canal principal do rio, pois a capacidade de estocagem
das áreas alagáveis, desde que mantidas com suas florestas associadas, é
bem superior à do canal principal.
Em nenhum outro lugar do planeta são encontradas florestas que
toleram períodos de inundação tão longos, de até 270 dias ao ano, como
aquelas encontradas nas áreas alagáveis ao longo dos grandes rios
amazônicos. Todos os anos, durante as cheias, quando a água invade as
margens laterais, essas árvores passam a fazer parte dos corpos de água
por vários meses, tendo suas raízes, troncos ou mesmo as copas
inteiramente recobertas pela água dos rios associados.
Essa vegetação é adaptada a esta situação de inundação, compondo
florestas únicas no mundo, com a maior biodiversidade registrada para
esses ambientes (mais de 1000 espécies). A vegetação das florestas
alagáveis é também de capital importância para o desenvolvimento e
manutenção da biodiversidade amazônica, oferecendo alimento e habitat
para vários animais, como peixes, macacos e pássaros. Além disto, um
número muito grande de invertebrados terrestres vive permanentemente nas
copas das árvores da floresta, ou migra para elas para escapar às
inundações.
As áreas de florestas alagáveis devem ser incluídas nos dispositivos
legais que protegem as florestas uma vez que a sua devastação ou sua
retirada massiva trarão reflexos negativos imediatos à estrutura física e
integridade dos processos ecológicos dos ambientes alagáveis, como
também à diversidade biológica de toda a região amazônica. As
implicações de alterações dessa natureza irão se refletir diretamente
nos ciclos climáticos e na redução dos múltiplos recursos naturais
explorados pelas populações humanas locais, com reflexos negativos na
economia e o abastecimento dos maiores centros urbanos na Amazônia.
Wolfgang Junk - Coordenador do INCT - Instituto Nacional de Áreas Úmidas (Inau), do Pantanal;
Jochen Schoengart e Florian Wittmann - Grupo MAUA/ Cooperação Inpa/Max-Planck, Alemanha
Maria Teresa Piedade - Grupo MAUA/Inpa