Voltar para Notícias
Novos usos para velhos remédios
19/08/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=78900
Cientistas usam computadores de dados do genoma para prever indicações alternativas para medicamentos tradicionais.
Pela primeira vez, cientistas estão usando
computadores e informações sobre o genoma humano para prever novos usos
de remédios já existentes, em um estudo financiado pelos Institutos
Nacionais de Saúde dos EUA. Num primeiro momento, os pesquisadores se
concentraram nas relações entre 100 doenças e 164 drogas. Um programa de
computador percorreu milhares de possíveis combinações droga-doença em
busca de padrões nas expressões genéticas nos quais uma cancelasse a
outra, isto é, se uma doença aumentasse a atividade de determinados
genes, o programa tentava combiná-la com um ou mais remédios que
diminuíssem a atividade destes mesmos genes.
Os resultados da pesquisa, liderada por Atul J. Butte, da
Universidade de Stanford, foram publicados nesta quarta-feira na edição
eletrônica da revista "Science Translational Medicine". Muitas das
combinações encontradas já eram conhecidas e já estão em uso clínico, o
que reforça a validade da abordagem. Um dos exemplos é a predinisolona,
que o programa indicou para o tratamento da Doença de Crohn, para a qual
já é a terapia padrão.
Outras combinações, no entanto, foram verdadeiras surpresas. Butte e
sua equipe decidiram aprofundar a análise de duas delas: um remédio
contra úlcera (cimetidina) que foi associado ao câncer de pulmão; e um
medicamento anticonvulsivo (topiramato) que foi combinado com a síndrome
do cólon irritável, que inclui a Doença de Crohn.
Para confirmar a ligação cimetidina-câncer de pulmão, os
pesquisadores testaram sua ação sobre células cancerosas humanas
cultivadas em laboratório e outras implantadas em camundongos. Em ambos
casos, a droga mostrou-se eficaz na desaceleração do crescimento das
células cancerosas quando comparadas a grupos de controle que não
receberam a medicação.
Já para testar como o anticonvulsivo tinha efeito sobre a síndrome do
cólon irritável, os cientistas administraram a droga em ratos que
tinham os sintomas da condição, como diarreia, inflamação, úlceras e
danos microscópicos no cólon. O topiramato não só levou a uma redução
dos sintomas como algumas vezes se mostrou mais eficaz que a
predinisolona.
O estudo também trouxe mais uma descoberta fundamental. Os cientistas
notaram que doenças com processos moleculares similares (por exemplo,
que afetem o sistema imunológico) eram agrupadas na análise
computacional, assim como os remédios com efeitos semelhantes (como os
desaceleravam a divisão celular). Os pesquisadores acreditam que ao
estudar esses agrupamentos podem aprender mais sobre como algumas
doenças progridem e como alguns remédios atuam no nível molecular.
"Este trabalho ainda está em um estágio inicial, mas é uma promissora
prova para uma abordagem criativa, rápida e barata para a descoberta de
novos usos para drogas que já temos em nosso arsenal terapêutico"
avaliou Rochelle M. Long, diretora da rede de Pesquisas Farmacológicas
dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA.
(O Globo)
Pela primeira vez, cientistas estão usando
computadores e informações sobre o genoma humano para prever novos usos
de remédios já existentes, em um estudo financiado pelos Institutos
Nacionais de Saúde dos EUA. Num primeiro momento, os pesquisadores se
concentraram nas relações entre 100 doenças e 164 drogas. Um programa de
computador percorreu milhares de possíveis combinações droga-doença em
busca de padrões nas expressões genéticas nos quais uma cancelasse a
outra, isto é, se uma doença aumentasse a atividade de determinados
genes, o programa tentava combiná-la com um ou mais remédios que
diminuíssem a atividade destes mesmos genes.
Os resultados da pesquisa, liderada por Atul J. Butte, da
Universidade de Stanford, foram publicados nesta quarta-feira na edição
eletrônica da revista "Science Translational Medicine". Muitas das
combinações encontradas já eram conhecidas e já estão em uso clínico, o
que reforça a validade da abordagem. Um dos exemplos é a predinisolona,
que o programa indicou para o tratamento da Doença de Crohn, para a qual
já é a terapia padrão.
Outras combinações, no entanto, foram verdadeiras surpresas. Butte e
sua equipe decidiram aprofundar a análise de duas delas: um remédio
contra úlcera (cimetidina) que foi associado ao câncer de pulmão; e um
medicamento anticonvulsivo (topiramato) que foi combinado com a síndrome
do cólon irritável, que inclui a Doença de Crohn.
Para confirmar a ligação cimetidina-câncer de pulmão, os
pesquisadores testaram sua ação sobre células cancerosas humanas
cultivadas em laboratório e outras implantadas em camundongos. Em ambos
casos, a droga mostrou-se eficaz na desaceleração do crescimento das
células cancerosas quando comparadas a grupos de controle que não
receberam a medicação.
Já para testar como o anticonvulsivo tinha efeito sobre a síndrome do
cólon irritável, os cientistas administraram a droga em ratos que
tinham os sintomas da condição, como diarreia, inflamação, úlceras e
danos microscópicos no cólon. O topiramato não só levou a uma redução
dos sintomas como algumas vezes se mostrou mais eficaz que a
predinisolona.
O estudo também trouxe mais uma descoberta fundamental. Os cientistas
notaram que doenças com processos moleculares similares (por exemplo,
que afetem o sistema imunológico) eram agrupadas na análise
computacional, assim como os remédios com efeitos semelhantes (como os
desaceleravam a divisão celular). Os pesquisadores acreditam que ao
estudar esses agrupamentos podem aprender mais sobre como algumas
doenças progridem e como alguns remédios atuam no nível molecular.
"Este trabalho ainda está em um estágio inicial, mas é uma promissora
prova para uma abordagem criativa, rápida e barata para a descoberta de
novos usos para drogas que já temos em nosso arsenal terapêutico"
avaliou Rochelle M. Long, diretora da rede de Pesquisas Farmacológicas
dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA.
(O Globo)