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Por uma ciência mais presente na política
13/07/2011
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=78347
Entrevista da presidente da SBPC, Helena Nader, no Correio Braziliense.
Desde maio deste ano, Helena Nader aceitou um dos maiores desafios de sua carreira: conciliar as atividades de pesquisa em biomedicina na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde leciona, com o cargo de presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), maior entidade científica do País.
Membro da Academia Brasileira de Ciência (ABC), Helena se torna a segunda mulher a ocupar o cargo, que lhe impõe desafios como promover a inclusão do pensamento científico nas discussões políticas, a valorização dos pesquisadores e lidar com a primeira redução nos recursos repassados à ciência ocorrida nos últimos sete anos.Por que a escolha do Cerrado como tema central da reunião deste ano?As últimas reuniões ajudaram a chamar a atenção da sociedade para a os recursos hídricos e Amazônia, que foram os temas escolhidos nos anos anteriores. A ciência deve ser um instrumento de preservação e exploração sustentável do Cerrado, nosso segundo maior bioma. Em breve, a água será uma commodity valiosa, e essa é a região com maior riqueza hídrica do Brasil, onde se investe muito em grãos e pecuária. Também somos incentivados a produzir mais para evitar a fome prevista em 30 anos no mundo.Por que a sociedade ainda é tão reticente em aceitar a ciência dentro das discussões políticas?Porque a discussão dentro da política é uma coisa totalmente recente. Viemos de um regime de exceção que não havia discussão alguma, muito menos com a participação da ciência. Acho que quando pontos de vista foram incluídos na discussão, a ciência ficou de fora pelo pouco conhecimento da população sobre ela. Até hoje, apenas os grandes jornais mantêm cadernos de ciência. Existe uma ignorância sobre a ciência, e as pessoas não sabem como ela pode contribuir. Essa falta de entendimento se reflete no comportamento dos parlamentares.Esta semana, deve ser votado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que desobriga as instituições de ensino superior de contratarem mestre e doutores. Em sua opinião, essa mudança pode prejudicar a qualidade das universidades?Com certeza. Esse é um enorme passo para trás. Um retrocesso. Como um profissional apenas com mestrado pode avaliar um doutor? Essa lei vem para derrubar as avaliações que, segundo a Lei de Diretrizes a Bases da Educação (LDB), são necessárias para aferir os cursos de pós-graduação do país. Sou defensora das avaliações e das regras mais rígidas no ensino superior. Nós precisamos saber que tipo de aluno estamos formando. Como estamos focando no Código Florestal agora, pretendemos tentar barrar esse tema no Senado.E no caso do Código Florestal? A senhora ainda acredita em uma participação maior da comunidade científica?Estamos tentando fazer com que a Comissão de Ciência e Tecnologia seja incluída na tramitação do projeto no Senado. Na Câmara isso não aconteceu, ele passou pela Comissão de Agricultura e Meio Ambiente. Esperamos que pelo menos no Senado isso não se repita, e a comunidade científica tenha a chance de opinar sobre a questão.
Desde maio deste ano, Helena Nader aceitou um dos maiores desafios de sua carreira: conciliar as atividades de pesquisa em biomedicina na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde leciona, com o cargo de presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), maior entidade científica do País.
Membro da Academia Brasileira de Ciência (ABC), Helena se torna a segunda mulher a ocupar o cargo, que lhe impõe desafios como promover a inclusão do pensamento científico nas discussões políticas, a valorização dos pesquisadores e lidar com a primeira redução nos recursos repassados à ciência ocorrida nos últimos sete anos.Por que a escolha do Cerrado como tema central da reunião deste ano?As últimas reuniões ajudaram a chamar a atenção da sociedade para a os recursos hídricos e Amazônia, que foram os temas escolhidos nos anos anteriores. A ciência deve ser um instrumento de preservação e exploração sustentável do Cerrado, nosso segundo maior bioma. Em breve, a água será uma commodity valiosa, e essa é a região com maior riqueza hídrica do Brasil, onde se investe muito em grãos e pecuária. Também somos incentivados a produzir mais para evitar a fome prevista em 30 anos no mundo.Por que a sociedade ainda é tão reticente em aceitar a ciência dentro das discussões políticas?Porque a discussão dentro da política é uma coisa totalmente recente. Viemos de um regime de exceção que não havia discussão alguma, muito menos com a participação da ciência. Acho que quando pontos de vista foram incluídos na discussão, a ciência ficou de fora pelo pouco conhecimento da população sobre ela. Até hoje, apenas os grandes jornais mantêm cadernos de ciência. Existe uma ignorância sobre a ciência, e as pessoas não sabem como ela pode contribuir. Essa falta de entendimento se reflete no comportamento dos parlamentares.Esta semana, deve ser votado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que desobriga as instituições de ensino superior de contratarem mestre e doutores. Em sua opinião, essa mudança pode prejudicar a qualidade das universidades?Com certeza. Esse é um enorme passo para trás. Um retrocesso. Como um profissional apenas com mestrado pode avaliar um doutor? Essa lei vem para derrubar as avaliações que, segundo a Lei de Diretrizes a Bases da Educação (LDB), são necessárias para aferir os cursos de pós-graduação do país. Sou defensora das avaliações e das regras mais rígidas no ensino superior. Nós precisamos saber que tipo de aluno estamos formando. Como estamos focando no Código Florestal agora, pretendemos tentar barrar esse tema no Senado.E no caso do Código Florestal? A senhora ainda acredita em uma participação maior da comunidade científica?Estamos tentando fazer com que a Comissão de Ciência e Tecnologia seja incluída na tramitação do projeto no Senado. Na Câmara isso não aconteceu, ele passou pela Comissão de Agricultura e Meio Ambiente. Esperamos que pelo menos no Senado isso não se repita, e a comunidade científica tenha a chance de opinar sobre a questão.