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Quem ranqueia os rankings?

12/04/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=77088
Diferença de critérios faz USP variar da 19ª à 471ª posição em 9 listagens<BR><BR>
<P>A ciência brasileira deu um salto significativo na última década. Mas quando o assunto são rankings internacionais, as universidades ainda estão no final da fila.</P>
<P>A conta não fecha na matemática dos rankings, na opinião de especialistas consultados pela <STRONG>Folha,</STRONG> porque essas classificações são pensadas para universidades que estão num contexto anglo-saxão. Ou seja: as europeias e norte-americanas.</P>
<P>"As metodologias dos rankings nunca atingirão um ponto satisfatório porque trabalham um conjunto muito diverso de indicadores", diz Ronaldo Pilli, pró-reitor de pesquisa da Unicamp.</P>
<P>As posições da USP e da Unicamp, por exemplo, se alteram a cada ranking. A USP ocupa a 19ª posição no ranking Scimago, mas está na 471ª posição no Leiden.</P>
<P><STRONG>Primeiras listas </STRONG>- A ideia de medir a eficiência acadêmica começou nos EUA, em 1961, com o primeiro ranking de citações em ciência. O mercado cresceu.</P>
<P>Hoje, existem nove listagens globais de universidades. Em junho, o grupo completará dez membros, com o lançamento do U-Multirank, projeto de consórcio de universidades europeias que anuncia o objetivo -que todos os rankings têm- de chegar à metodologia definitiva.</P>
<P>"Os rankings ajudam pais, estudantes e professores a enxergar melhor a universidade. Mas eles não medem qualidade", afirma a professora do Instituto de Tecnologia de Dublin, Ellen Hazelkorn, que na OECD desenvolve pesquisa sobre como essas listas influenciam governos e políticas públicas.</P>
<P>Para Hazelkorn, os rankings ocuparam o espaço que instituições de ensino e governos não conseguiram: fornecer à sociedade dados sobre o desempenho dessas instituições.</P>
<P>"Os rankings fazem parte do mercado global de competição por inovação. O conhecimento é o novo petróleo", diz a professora, autora de "Rankings and the Reshaping of Higher Education".</P>
<P>Glades Tereza Felix, coordenadora do grupo de estudos de avaliação de ensino superior da UFSM (Univ. Federal de Santa Maria), é mais dura na crítica, e diz que os rankings têm objetivos puramente mercadológicos. <BR><BR>"Estar em primeiro ou segundo lugar, principalmente para as universidades norte-americanas, significa [conseguir captar] dinheiro", diz. Grande parte das universidades no exterior sobrevivem com doações de empresas e de ex-alunos, além das mensalidades. Muito diferente do cenário das universidades públicas brasileiras. <BR><BR><STRONG>Metodologia </STRONG>- O peso dos diferentes indicadores usados nos rankings e como eles se encaixam no contexto de cada universidade respondem pela variação das posições nas listas.</P>
<P>Por exemplo, o THE (Times Higher Education World University Rankings) valoriza a internacionalização das instituições. Isso significa que universidades com mais alunos estrangeiros avançam algumas casinhas. <BR><BR>"Uma universidade espanhola pode ter muitos alunos de Portugal, mas isso não significa que esteja internacionalizada", explica Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor-científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Para ele, no contexto brasileiro, uma universidade que tenha alunos de diferentes Estados já é um ganho. "É preciso desmistificar esses rankings. Ensino superior não é um campeonato", diz Marco Antônio Zago, pró-reitor de pesquisa da USP.</P>
<P>Para a LSE (London School of Economics and Political Science), em Londres, os rankings não refletem a realidade. "A forma como são feitos, em geral, favorece as universidades maiores, com mais cursos, menos especializadas", diz Will Breare Hall, gerente do departamento de recrutamento de estudantes.</P>
<P>Phil Baty, editor do THE, reconhece que há limitações, mas o mais importante é que as metodologias empregadas sejam transparentes. "O mundo está menor, a demanda global por educação superior maior e as escolhas, mais complexas", justifica. Para tentar sanar alguns desses desvios, já há rankings por área de conhecimento, como o recém lançado pela QS. "É preciso acertar ainda mais", diz seu diretor, Nunzio Quacquarelli. <BR><BR><STRONG>Termômetro </STRONG>- Mesmo que não reflitam a situação das universidades brasileiras, na opinião dos especialistas, os rankings servem como termômetros. <BR><BR>Por exemplo, o Brasil vai bem quando o indicador com maior peso é a produção científica, como no ranking de Xangai. Mas o país despenca quando o balizador é o impacto dessa produção. Isso porque os trabalhos brasileiros ainda são pouco lidos e pouco citados internacionalmente por outros cientistas.</P>
<P>"As classificações têm problemas, mas a universidade brasileira também", afirma Rogério Meneghini, coordenador do programa SciELO de publicações científicas.</P>
<P>Para ele, o nível de colaboração internacional é muito pequeno e o baixo impacto pode significar, de fato, menor qualidade dos trabalhos. "Precisamos refletir."</P>
<P><STRONG>Crescem recursos destinados pelas famílias à pós</STRONG></P>
<P>O estudo do Insper aponta que as famílias brasileiras têm dado mais atenção, e recursos, à pós-graduação.</P>
<P>Entre 2003 e 2009, o volume de dinheiro destinado a especializações, mestrados ou doutorados privados foi de R$ 1,4 bilhão para R$ 2,4 bilhões (valores atualizados). O total destinado ao ensino superior permaneceu estável, e ao ensino básico, sofreu uma leve queda.</P>
<P>Uma das explicações para o aumento de recursos na pós-graduação está no mercado de trabalho.</P>
<P>Um levantamento do pesquisador Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE, apontou que, em 2002, ter uma pós significava uma renda 80% maior do que os que só tinham graduação. Em 2009, a diferença havia aumentado para 100%. No mesmo período, caiu o peso do curso superior. Em 2002, um graduado ganhava 273% mais que a média. Em 2009, o percentual caiu para 193%.</P>
<P><FONT size=1>(Folha de São Paulo)</FONT></P>
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