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Tesouro vai injetar R$ 55 bilhões no BNDES

09/03/2011 http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=76654
Repasse para o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) é criticado por especialistas por aumentar a demanda, o que pressiona a inflação e pode levar a nova alta de juros.<BR><BR>
<P>O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem que o Tesouro Nacional vai capitalizar o BNDES em R$ 55 bilhões. Segundo ele, os recursos permitirão que o banco reforce seu orçamento e coloque em prática uma nova etapa do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que financia a compra de máquinas e equipamentos, além de projetos de inovação tecnológica com taxas de juros subsidiadas. Uma medida provisória (MP) deve ser publicada no Diário Oficial hoje com as definições.</P>
<P><BR>Essa estratégia vem sendo alvo de críticas de economistas, por estimular a demanda.</P>
<P>Com o novo aporte, o BNDES terá este ano um orçamento total de R$ 145 bilhões, sendo R$ 75 bilhões para o PSI. O governo vem aumentando o fôlego da instituição desde 2009. Naquele ano, foram destinados R$ 100 bilhões para investimentos.</P>
<P>Em 2010, foram mais R$ 80 bilhões - sem contar os R$ 30 bilhões que entraram no banco para ajudar o governo a capitalizar a Petrobras e cumprir a meta de superávit primário.</P>
<P><STRONG>Banco ter</STRONG><STRONG>á</STRONG><STRONG> mais uma capitaliza</STRONG><STRONG>çã</STRONG><STRONG>o em 2012</STRONG></P>
<P>Há algumas semanas, com o repasse de ações excedentes, o Tesouro também aumentou o capital social do BNDES em R$ 6,4 bilhões para dar mais alavancagem aos empréstimos.</P>
<P>- Estamos em um momento de transição para que o setor privado passe a financiar cada vez mais investimentos. Mas, enquanto isso, não podemos suprimir receitas para o BNDES - disse Mantega, adiantando que haverá uma nova capitalização no ano que vem. - Em 2012, ela será menor do que essa (de R$ 55 bilhões), tendendo a zero.</P>
<P>A maioria dos economistas condena a estratégia do governo Dilma Rousseff de dar continuidade às capitalizações do BNDES com a inflação em alta, conforme informou O Globo na última quarta-feira. Para um grupo de especialistas, os investimentos das empresas financiadas pelo banco aceleram a atividade econômica, o que representa uma contradição frente ao corte de R$ 50 bilhões no Orçamento e à alta da taxa básica de juros. O economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, vê com o preocupação o aporte no BNDES ao mesmo tempo em que o governo corta gastos:</P>
<P>- Os empréstimos do BNDES são feitos com subsídios, pois ele cobra a TJLP e o dinheiro custa Selic. O impacto sobre as contas é dado pela diferença entre essas taxas, multiplicada pelo montante emprestado. Com isso, a demanda fica pressionada, o que pode exigir mais subida da Selic pelo BC.</P>
<P>Por essa avaliação, o objetivo central este ano deve ser frear a escalada dos preços, segurando a expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Para o governo, se esta recuar de 7,5% para 5%, esse objetivo será alcançado. Mas a maioria dos economistas estima crescimento máximo de 4,5% para esse cenário se concretizar.</P>
<P><BR><STRONG>Ministro n</STRONG><STRONG>ã</STRONG><STRONG>o v</STRONG><STRONG>ê</STRONG><STRONG> contradi</STRONG><STRONG>çã</STRONG><STRONG>o com corte de gastos</STRONG></P>
<P>Mantega, porém, disse não ver contradição no fato de o governo fazer um corte recorde e, ao mesmo tempo, capitalizar o BNDES:</P>
<P>- Não tem contradição. Uma coisa é gasto e outra, financiamento para investimento. Investimento não pressiona a inflação, ele a alivia porque significa maior oferta de produtos, mais produtividade e redução de custos.</P>
<P>Na nova fase do PSI, o Tesouro terá um custo de R$ 4,1 bilhões para equalizar as taxas de juros, que ainda assim subirão porque os recursos do Orçamento para subsídios foram cortados. As taxas médias do PSI, que eram de 5,5% ao ano, subiram entre 2 e 3 pontos percentuais. Segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira, as altas foram menores nos segmentos de inovação (com uma linha para financiar ônibus flex e elétricos) e de micro e pequenas empresas.</P>
<P>O PSI foi lançado em julho de 2009 e prorrogado três vezes devido à forte demanda por seus recursos, de R$ 134 bilhões. Inicialmente previsto para acabar este mês, vai vigorar até dezembro.</P>
<P><FONT size=1>(O Globo)</FONT></P>
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