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Divergências sobre clima marcam G-8
08/07/2008
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57141
<P>Grupo das oito nações mais ricas do planeta, o G-8, inicia hoje seu encontro anual de três dias com negociações especialmente difíceis sobre como reduzir as emissões de gases de efeito-estufa, o que exige ajustes nas indústrias <BR><BR>Assis Moreira escreve para o “Valor Econômico”:<BR><BR>O presidente dos EUA, George W. Bush, sinalizou ontem ao chegar ao Japão que está preparado para ser "construtivo" , mas condicionou qualquer acordo sobre mudanças climáticas a uma participação da China e Índia. <BR><BR>Por sua vez, a China teria indicado aceitar compromissos de redução de emissões até 2050, desde que os EUA se comprometam em reduzir substancialmente suas emissões até 2020, segundo analistas que acompanham o encontro. No G-8 do ano passado, na Alemanha, os países concordaram em " considerar seriamente " planos para cortar pela metade as emissões de gases de efeito-estufa por volta de 2050. <BR><BR>As divergências parecem suficientemente fortes para frear um acordo substancial sobre clima. O jornal japonês Asahi Shimbun publicou que os países industrializados aceitariam estabelecer suas metas de médio prazo. Bush chegou a anunciar em abril que os EUA se comprometiam a não aumentar as emissões a partir de 2025. No entanto, o ministro de meio-ambiente do Japão, Ichiro Kamoshita, declarou na TV NHK que Tóquio não tinha como aceitar metas obrigatórias de médio prazo no G-8, alegando que isso seria contra os interesses do país.<BR><BR>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve cobrar dos países ricos os compromissos que estes por sua vez cobram dos emergentes. Para o Brasil, os ricos deveriam se comprometer com metas de redução entre 60% e 80% até 2050.<BR><BR>Por outro lado, a pressão deve continuar sobre o G-8 para integrar plenamente o Brasil, China e Índia no clube. O presidente francês Nicolas Sarkozy considerou " não razoável " a ausência dos maiores emergentes da mesa de discussões dos principais temas globais.<BR><BR>O Japão, porém, como o país organizador do G-8 este ano, ajudou pouco numa integração maior do G-5 - Brasil, China, Índia, México e África do Sul. Os japoneses chegaram a convidar os cinco separadamente para diferentes discussões de temas da cúpula, para mostrar que não o considera um grupo. <BR><BR>Depois que o Brasil reclamou que não viria só para a " sobremesa " na quarta-feira, os japoneses ampliariam o debate, mas incluindo Austrália, Coréia do Sul e Indonésia. Tóquio tem pouco interesse em ampliar o clube dos ricos. O G-8 lançou um " diálogo permanente " em 2007 com o G-5, como reconhecimento de novas forças na economia mundial e responsabilidade na governança global. <BR><BR>Os dois grupos desde setembro discutem quatro temas (investimentos, propriedade intelectual, energia e desenvolvimento), utilizando um secretariado na Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). <BR><BR>Esta semana, o G-8 examinará o relatório do primeiro ano do "diálogo" , que mostrou confronto especialmente sobre patentes. Somente no encontro de cúpula do ano que vem, na Itália, é que o G-8 examinará uma eventual entrada do G-5 ou diálogo ampliado a outros temas. Mas analistas consideram que o "diálogo" na OCDE é insuficiente, diante da realidade política e econômica. O México, que coordena o G-5, reclama que não está havendo diálogo "de iguais" . <BR><BR>Japão dá mais ênfase à energia nuclear do que aos biocombustíveis<BR><BR>O Japão promove no G-8 mais a energia nuclear, e não os biocombustíveis, para conciliar redução de emissões de gases de efeito-estufa com segurança energética e preço de energia relativamente baixo.<BR><BR>Tóquio quer arrancar o compromisso do G-8 e das grandes economias emergentes de relançarem programas de geração nuclear até que haja energia renovável esteja tecnologicamente pronta para utilização em ampla escala.<BR><BR>Para isso, defende salvaguarda contra proliferação, segurança da energia e contra terrorismo nuclear. Os japoneses listam 31 países, incluindo Brasil e Argentina e México, que querem expandir a geração de energia nuclear. E outros 29, como a Venezuela, Irã e Argélia, grandes produtores de petróleo, que querem desejam introduzir esse tipo de energia.<BR><BR>O plano de fazer o renascimento da energia nuclear pode ser torpedeado pela Alemanha, a única grande economia que ainda resiste ao nuclear depois que a Itália, agora sob a direção de Silvio Berlusconi, decidiu apoiar a energia.<BR><BR>A chanceler alemã, Ângela Merkel, até aceitaria pôr fim ao plano herdado do governo Socialistas-Partido Verde, de fechamento progressivo das centrais até 2021. Mas sabe que, se apoiar o nuclear G-8, corre o risco de quebrar a já frágil coalizão com os socialistas.<BR><BR>O G-8 prepara com o G-5 (Brasil, China, Índia, África do Sul e México) uma declaração conjunta sobre segurança energética e mudança climática, no qual aparecem as opções de energias renováveis e também do nuclear.<BR><BR>Deverão se comprometer a trabalhar na imposição de padrões de eficiência energética para construção de prédios, por exemplo, além de abordagem setorial no combate a emissões, por exemplos nos setores mais poluidores.<BR><BR>Brasil deixa de cumprir acordo<BR><BR>O Brasil cumpriu só parcialmente os compromissos de energia e clima que assumiu com o G-8 no ano passado, de acordo com avaliação da Universidade de Toronto e do "G8 Research Group", formado por 50 pós-graduandos da Universidade de Oxford e da London School of Economics.<BR><BR>O compromisso dos emergentes era estabilizar emissões de gases de efeito-estufa, e promover produção e consumo com uso menos intensivo de energia. O estudo procura avaliar a legitimidade e eficácia desse tipo de compromissos no G-8.<BR><BR>Do lado dos desenvolvidos, o resultado mostra que a União Européia (UE) foi a que mais cumpriu o que prometeu. Programas anunciados por governos sugerem que as nações industrializadas começam a tentar influenciar o comportamento dos consumidores e de empresas para reduzir emissões.<BR><BR>A China foi considerada o que mais respeitou os compromissos do ano passado, entre os emergentes. O México recebeu a segunda melhor nota. Além do Brasil, também Índia e África do Sul teriam cumprido só parcialmente. Niel Bowerman, um dos autores do estudo, nota que o Brasil tomou iniciativas para reduzir a carbonização da economia. Mas aponta a persistência do desmatamento, lembrando que o próprio Ministério do Meio-Ambiente sinalizou que o problema aumentou em 2008.<BR><BR>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega amanhã ao Japão para participar de um dia do banquete do G-8. Terá também uma série de encontros bilaterais, que incluirão a discussão sobre acordo agrícola e industrial na Rodada Doha.<BR><BR>Faltava confirmar encontros com os presidentes dos EUA, George W. Bush, e da França, Nicolas Sarkozy, que tem a presidência rotativa da União Européia. Estavam confirmados encontros com os presidentes da China, México, Coréia do Sul, além do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi e do chefe de governo canadense Stehphen Harper. Lula se encontrará bilateralmente também com o presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, e com o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda.<BR><BR>Desta vez, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, declinou do convite do clube das grandes potenciais e preferiu concentrar esforços em Genebra para salvar a Rodada Doha, na reunião de ministros que começará dia 21.<BR><BR>Os novos textos de compromisso serão divulgados nos próximos dias. Para Lamy, o momento é menos de declaração e mais de discussões bilaterais.<BR><BR>O Brasil é alvo de pouca atenção à margem do G-8, em Hokkaido. Entre os emergentes, o interesse maior é pela China e Índia, neste encontro que tem uma cara bem asiática como queria o Japão.<BR><BR>O que chama mesmo a atenção é a enorme burocracia japonesa, como se pode complicar o que parece fácil, além da tremenda segurança. Os japoneses bloquearam até o banheiro dos ônibus que fazem o transporte na cúpula, por razões de segurança.<BR><BR>Ricos prometem pacote alimentar <BR><BR>O G-8 prepara um pacote de medidas para combater a crise alimentar mundial. Isolados num hotel de luxo e protegidos por milhares de policiais, os lideres dos EUA, Alemanha, Japão, França, Itália, Canadá, Reino Unido e Rússia se reúnem com perspectivas econômicas de curto prazo difíceis e sob o espectro de inflação global. O choque do petróleo, a alta de preços de alimentos e a crise financeira provocam desestabilização econômica e social.<BR><BR>Sob pressão para agir, o G-8 prevê ajuda no curto prazo para os países mais necessitados, formação de estoque de grãos para evitar futuras crises e definição de estratégia de longo prazo para aumentar a produção agrícola mundial, a se crer em diferentes fontes em Hokkaido.<BR><BR>A idéia é de os estoques de alimentos serem liberados no mercado, em esforço coordenado para estabilizar os preços dos grãos quando necessário. No momento, somente a Alemanha e o Japão, entre os membros do G-8, tem excedentes de grãos em estoque. Um grupo de especialistas deve detalhar o plano, incluindo as cotas para cada país participante.<BR><BR>Sobre ajuda imediata, o Banco Mundial pede US$ 10 bilhões para combater a fome e ajudar agricultores a comprar sementes e fertilizantes. A União Européia (UE) promete 1 bilhão de euros em dois anos, de subsídios agrícolas não utilizados por seus agricultores.<BR><BR>O G-8 planeja alvejar o que considera excessivo fluxo de fundos especulativos nos mercados de commodities, que teriam elevado o preço. Já a Agência Internacional de Energia (AIE) refuta a culpa sobre especulação pela duplicação do preço do petróleo, insistindo, por exemplo, que esse é o argumento fácil para quem não quer tomar decisões.<BR><BR>O Japão convidou 14 países fora do grupo, incluindo sete africanos que se reúnem hoje com o G-8. Os ricos são cobrados a garantir os US$ 60 bilhões prometidos para os próximos anos para os países pobres combaterem aids, tuberculose, malária. E a reiterar o compromisso de dobrar a ajuda para a África para US$ 25 bilhões por ano por volta de 2010.<BR><FONT size=1>(Valor Econômico, 7/7)<BR><A href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57141">http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57141</A></FONT><BR></P>